Na vida, às vezes começamos com poucas expectativas… mas com apoio, dedicação e oportunidades, podemos ir muito além do que imaginamos. 💙 João Pedro Ramos, aluno do curso de Educação Física – Bacharelado da UNIBRAS Montes Belos, iniciou sua trajetória acadêmica de forma tímida, sem grandes perspectivas. Porém, desde o início, a coordenadora do curso, Profª. Esp. Elaine Cristina dos Santos, enxergou nele um enorme potencial. Com o apoio fundamental da intérprete Milva Mendes, que o acompanha desde o segundo período, João Pedro passou a explorar um novo universo: o da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e da comunidade surda. Esse contato foi transformador — não apenas na comunicação, mas em toda a sua forma de ver o mundo. Foi também nesse caminho que ele conheceu o futsal para surdos, onde encontrou uma nova paixão e uma oportunidade de crescimento. ⚽ Durante um evento, João Pedro foi descoberto por olheiros e convidado a integrar a Seleção Brasileira de Surdos. A partir daí, sua história ganhou novos horizontes: viagens internacionais, participação em campeonatos nacionais e internacionais e a conquista de diversas medalhas. 🏅🌍 Hoje, no sexto período do curso, João Pedro é um exemplo de superação, dedicação e evolução. Participa ativamente das aulas, desenvolveu significativamente seu potencial cognitivo e, acima de tudo, tornou-se um agente de transformação dentro da sala de aula. Sua presença contribui diretamente para o crescimento dos colegas, promovendo a inclusão, o respeito e a troca de conhecimentos. Ele nos mostra, todos os dias, que aprender e ensinar ultrapassa qualquer barreira — inclusive a da comunicação. 💬 João Pedro não apenas constrói sua própria história, ele inspira todos ao seu redor. Profa. Esp. Elaine Cristina dos Santos
A produção científica do Centro Universitário UniBRAS Montes Belos acaba de romper fronteiras e alcançar as páginas de uma das mais prestigiadas publicações científicas dos Estados Unidos. Os médicos veterinários Aryelle Skarllat Monteiro Barbosa e Gabriel Monteiro Barbosa, egressos da turma de 2025, celebraram a publicação de seu artigo na revista norte-americana Case Reports in Veterinary Medicine, do renomado grupo editorial Wiley. O estudo é fruto de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que transformou um desafio clínico real em conhecimento global, reafirmando o compromisso da instituição com a excelência acadêmica.
O trabalho destaca a complexidade e o sucesso de uma intervenção cirúrgica ortopédica em uma cadela Husky Siberiano. O caso, acompanhado pelos então estudantes em São Luís de Montes Belos, exigiu alta precisão técnica e um olhar clínico humanizado, já que a paciente enfrentava fraturas graves e um quadro delicado de saúde. A trajetória da dupla — desde o centro cirúrgico até a redação do TCC — demonstra a força da formação prática oferecida pela UniBRAS, que prepara seus alunos para solucionar desafios reais com rigor científico.
O impacto da publicação foi tão significativo que atravessou fronteiras acadêmicas: após o destaque internacional, Aryelle e Gabriel foram convidados pela Open Veterinary Journal, outra importante revista científica global, para integrar seu corpo de revisores. Hoje, os egressos da UniBRAS atuam diretamente na avaliação científica de novos trabalhos submetidos à revista, participando ativamente do seleto grupo de profissionais que validam a produção científica mundial na área da Medicina Veterinária.
Para a UniBRAS, ver profissionais recém-formados alcançarem o posto de avaliadores internacionais é o maior testemunho da qualidade de nosso ensino. O sucesso de Aryelle e Gabriel é motivo de orgulho para toda a comunidade acadêmica e inspira futuros profissionais a transformarem seus estudos em contribuições de relevância global. Convidamos todos a conferirem este trabalho que abriu portas para o mundo pelo link: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1155/crve/4144812
Recursos de inteligência artificial podem facilitar a vida de docentes e professores quando bem utilizados
Ver a inteligência artificial como inimiga da Educação já é uma ideia um tanto quanto ultrapassada. Entre educadores de todos os níveis de ensino há hoje uma construção de consenso sobre as possibilidades em se utilizar a IA para estudar melhor – e ensinar também. Tudo depende da maneira como se utiliza essas ferramentas, assim como outros recursos tecnológicos em que estamos familiarizados há mais tempo.
Muito além dos famosos recursos de redação, resumo e plágio que assustaram docentes em todo o mundo, outros recursos bem empregados podem ser aliados de alunos e docentes quando o assunto é usar a IA para estudar melhor. Algumas atividades repetitivas e maçantes podem ser delegadas à ferramenta, por exemplo, o que pode liberar mais tempo para outros conteúdos de relevância.
O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, explica que a inteligência artificial pode contribuir bastante para a aprendizagem, desde que algumas condições sejam respeitadas. Para o educador, a chave está em entender o que se quer das plataformas de IA, e assim saber demandar e se utilizar dessas ferramentas de forma clara e adequada.
“A IA não pode ser uma ferramenta determinante para que o aluno ou professor atribua a ela suas responsabilidades pessoais no processo educacional. Isso porque a partir do momento em que se delega à inteligência artificial uma atribuição que na verdade é nossa, como seres pensantes, isso nos transforma em sujeitos passivos na jornada da Educação, e o pensamento crítico é prejudicado”.
Para ele, essas ferramentas podem ser parceiras do estudante ou do professor no sentido de aperfeiçoar conteúdos, de acordo com a necessidade de cada um. Mas isso não deve, porém, substituir a criação, com esforço pessoal, desses conteúdos em si.
Pensando na constante evolução das ferramentas educacionais, e na busca por melhores fontes de facilitação de rendimento de educadores e estudantes, selecionamos aqui algumas formas em que se pode utilizar a IA para estudar melhor.
1. Corrigir textos
Quem está familiarizado com escrever textos frequentemente sabe que não se pode entregar qualquer material sem antes revisá-lo atentamente. Gramática, concordância, pontuação, são muitas as possibilidades de equívocos. No entanto, muitas vezes simplesmente revisar não é suficiente: há erros que passam despercebes, mesmo aos olhares mais atentos.
É aí que entra a inteligência artificial: solicitar à ferramenta que revise todos o texto depois de revisá-lo pessoalmente diminui drasticamente as chances de entregar o conteúdo escrito de maneira inadequada.
Mas não basta apenas escrever e pedir correção, já que a IA não está isenta de erros. É importante fazer uma revisão antes, e utilizar a ferramenta tecnológica para uma checagem dupla. Também é importante pedir à IA para que explique as substituições feitas, no sentindo de entender quais seriam esses erros e assim aperfeiçoar a escrita.
Além disso, nem toda substituição faz sentido, e a última decisão deve ser sempre do autor. É nesse momento que o estudante ou docente impõe sua autonomia intelectual, fundamental nos processos de aprendizagem e ensino.
2. Organizar materiais educativos
O estudante ou professor que nunca teve problemas para fazer uma planilha não sabe o que é passar por um perrengue. Algumas atividades demandam mais que conhecimento, como habilidades técnicas que muitas vezes não dominamos. E a inteligência artificial pode ser uma grande parceira nesses momentos.
A IA pode ajudar a organizar materiais por temas e afinidades, separar conteúdos para planilhas e organogramas, ajudar com prompts para ferramentas como o Excel, auxiliar na realização de slides e outras apresentações. As possibilidades são infinitas, e os resultados podem ser empolgantes.
Vale lembrar que é preferível ir construindo esses conteúdos junto à IA, e não simplesmente delegar os conteúdos à ferramenta em sua totalidade, já que ao construir esses materiais desenvolvem-se etapas fundamentais no processo de aprendizagem.
E quando se pensa em utilizar a IA para estudar melhor, também é relevante pedir auxílio à ferramenta para entender as dúvidas de maneira construtiva, em que se aprende com autoridade e se consiga no futuro replicar esse conhecimento adquirido sem a ajuda da tecnologia.
3. Entender erros e superar falhas
Receber uma prova corrigida em que muitas questões estavam incorretas é uma frustração no mundo acadêmico, mas mais importante que buscar boas notas é justamente absorver o conteúdo adequadamente. Para isso, também se pode utilizar a IA para estudar melhor, já que a ferramenta pode avaliar e apontar os eventuais erros e as respostas corretas.
É importante ter a disposição em entender de forma didática o erro, e tentar fazer o exercício de maneira distinta ao que foi aplicado no teste ou trabalho. Outro ponto de atenção é que, em caso que persista a dúvida, torna-se essencial revisar o conteúdo com o professor, já que ele é a referência no assunto.
Por último, não se deve obviamente utilizar da inteligência artificial para resolver questões e problemas, já que a prática do exercício é imprescindível para o aprendizado.
4. Converter conteúdos para texto
Se há um exercício realmente desanimador é converter o conteúdo de gravações de áudio ou vídeo, com aulas, explicações de docentes ou mesmo eventos e palestras, em texto. Passa-se muito tempo para conseguir decupar um conteúdo de minutos, por exemplo, e assim a produtividade do tempo de estudo é fortemente prejudicada.
Mas encaminhar esse conteúdo à ferramentas de IA pode ajudar a economizar muito do tempo de revisão do conteúdo, e essa economia de tempo pode ser remanejada para outras atividades que de fato são mais produtivas.
Além das tradicionais plataformas de chat de inteligência artificial, a ferramenta Blip Vira Texto, por exemplo, é uma forte aliada quando o assunto é transcrever áudios de WhatsApp, isso sem necessidade de exportar o conteúdo para outras plataformas.
Outro recurso interessante pode ser converter arquivos PDF, com os seus mais variados tipos de mídia – como gráficos e organogramas – em texto. Também vale pedir um resumo para a plataforma IA caso o tempo esteja curto, extraindo assim do material seus pontos de maior relevância. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
Especialistas do Ecossistema compartilham suas perspectivas sobre a sala de aula e seus desafios para esse ano
Não parece, mas a década de 2020 já passou da metade. Em cerca de 6 anos, passamos por uma pandemia, cenários político e internacional instáveis e mais uma leva de inovações tecnológicas. Inevitavelmente, esse cenário afetou a maneira como aprendemos e ensinamos. Como de costume nos primeiros meses do ano, é comum que nos perguntemos quais são os maiores temas da Educação em 2026.
Enquanto para alunos essas transformações significam novas formas de aprender, para os docentes há o desafio em navegar nesses novos temas, com domínio do conteúdo e atendendo às exigências dos avanços das inteligências artificiais e às pressões profissionais. Dessa forma, para entender os maiores temas da Educação em 2026 é preciso ouvir quem está à frente da sala de aula.
Quando essa temática retorna ao nosso blog, buscamos identificar no docente o maior especialista, considerando que ele acompanha de perto as possibilidades e novas realidades da Educação, e por outro lado identifica as lacunas no processo de aprendizagem. Os docentes consultados na matéria lecionam em instituições de ensino do Ecossistema BRAS Educacional, e alguns também estão na educação básica.
Neurodivergência em sala de aula
Com a maior atenção à saúde e evolução dos diagnósticos, houve o crescimento também da consciência da diversidade de tipos de aprendizagem, de traços de personalidades distintos, e perfis de alunos – que influenciam diretamente na maneira de assimilar os conteúdos e interagir em sala de aula. Também surgiu a reflexão sobre as possibilidades e desafios desses futuros profissionais no mercado de trabalho.
É a partir dessa nova perspectiva que surge o termo neurodivergência – ou neurodiversidade. Na visão da bióloga e docente da UniBRAS Juazeiro, Carla Regine França, esse é um dos maiores temas da Educação em 2026. Para a educadora, é interessante ter um foco no desenvolvimento desses estudantes em sala de aula, e as exigências que cada uma delas apresenta.
Quando falamos em neurodiversidade, podemos apontar alunos com algum prejuízo no neurodesenvolvimento, como pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) ou transtorno de déficit de atenção com ou sem hiperatividade (TDAH). Mas também podemos incluir alunos com vantagens na aprendizagem, como aqueles com altas habilidades e superdotação (AHSD).
São muitas as possibilidades, mas há uma unanimidade: todos precisam de suporte adequado. E é justamente nesse ponto que Carla argumenta como de maior atenção para a Educação no momento. “Acho interessante esse tema, mas muitos professores não estão preparados para confrontá-lo. Há educadores que precisam de formação para aprenderem a atuar nas mais diversas situações”, reflete.
A docente chama a atenção para a necessidade de capacitação de todos os profissionais que atuam nas instituições de ensino. Ela explica que isso inclui não só o docente, mas também todos os funcionários dessas escolas e faculdades, em todos os níveis do ensino.
Atualidade inserida no plano de ensino
Para o pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Bruno Inácio, a formação integral, com enfoque não somente no conteúdo da matéria de forma isolada, mas também nas ligações e implicações desse conteúdo com o mundo fora da sala de aula, é um dos maiores temas da Educação em 2026. Para ele, não há como formar alunos pensantes sem enxergar o que está acontecendo no cotidiano.
Ao se recusar em considerar a Educação como um fator isolado e confinado à instituição, Bruno destaca que em seu plano de ensino sempre relaciona os conteúdos estudados com o que está acontecendo na atualidade, seja de caráter cultural, econômico, político ou social em geral – priorizando a atuação social em todas as áreas de formação.
“Como se promove uma formação educacional sem estar vinculada ao que está acontecendo na sociedade? Simplesmente não tem como. Quando o objetivo é uma formação integral do indivíduo, é preciso ter como princípio formar o profissional para que ele possa atuar em sociedade”, argumenta.
Dessa maneira, o educador prioriza em suas aulas o ensino do conteúdo básico de cada formação profissional, adicionando ao debate questões sociais relevantes, acontecimentos da atualidade e interpretações críticas da realidade.
A função da instituição de ensino
O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, está mais reflexivo sobre o papel das instituições de ensino em si. Para ele, no pós-pandemia, a Educação teve um enfoque maior no fator emocional de alunos e docentes, e houve protagonismo da educação emocional nesse processo. Mas agora ele alerta que a sociedade e o campo educacional como um todo estão com os olhos voltados para a escola.
Falando de Educação em todos os níveis de ensino, Rafael explica que hoje há uma preocupação maior em avaliar se a instituição está cumprindo seu objetivo de ensinar, com destaque para os métodos de ensino e suas efetividades. O educador aponta que as novas tecnologias também se inserem nesse contexto, mas que hoje o próprio Ministério da Educação está de olho nas avaliações de alunos e docentes.
“Eu penso que o desafio hoje é o aprendizado. Será que os alunos realmente estão aprendendo? Será que estamos entendendo qual a melhor forma de ensino? Há um desafio sobre a avaliação, os novos conceitos e os novos marcos regulatórios do MEC para entender como estão esses alunos. Vimos recentemente as notas do ENAD e do EnaMed”, aponta.
Rafael acredita que é momento de pensar sobre o que as instituições de ensino podem agregar de diferente, e o que elas estão fazendo no sentido de formação desses estudantes. Ele também chama a atenção para a necessidade de verificação da eficácia na formação profissional dos educadores, inserindo esse tema no contexto atual de autorreflexão do campo educacional.
A relevância do docente versus a tecnologia
Enquanto a inteligência artificial assusta alguns docentes e os prende na direção contrária a essas plataformas, o pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Campos, já se vê mais a frente nesse debate. Ele destaca que as novas tecnologias não só não ameaçam os docentes, mas reafirmam sua importância, considerando o professor como ponte entre os dados apontados e os problemas reais.
Para ele, um dos maiores temas da Educação em 2026 é entender como as políticas educacionais podem moldar o desenvolvimento humano. “A IA que cria conteúdo e ferramentas que se adaptam já é comum. O desafio agora não é somente usá-la bem tecnicamente, mas integrá-la ao ensino. O foco muda da ferramenta em si para o seu objetivo educacional”, argumenta.
Direcionando para o ensino de adultos, o especialista defende que com o maior escalonamento de tarefas repetitivas à IA, surge mais tempo para as interações humanas insubstituíveis. Por isso a formação docente deve mudar o foco para outras funções, como o uso criativo dessas ferramentas, o combate a barreiras digitais e a garantia de que a tecnologia seja empregada como um meio de inclusão.
Nesse raciocínio, Roberto aponta que o docente deve desempenhar funções de orientação para o senso crítico, incentivar pensamentos complexos, ajudar em questões éticas e emocionais, e apontar experiências de valor. Logo, ele entende como essencial uma formação docente adaptada a essa nova realidade.
“É preciso entender como formar professores para que eles possam criar experiências de aprendizado importantes em parceria com a inteligência artificial, e não apenas para utilizá-la de forma impulsiva”. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
Trigésima edição da conferência teve apelo para ações concretas em contexto de metas não cumpridas e tempo se esgotando
Entre os dias 10 e 21 de novembro, todo o planeta se voltou para o Brasil – mais especificamente para Belém (PA) – para a realização da COP 30, a Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas. Iniciada em um contexto internacional conturbado, essa foi a primeira vez que o país sediou o evento, que foi realizado propositalmente na floresta amazônica e fora do eixo Rio-São Paulo.
O evento contou com a presença de 129 delegações nacionais, e reuniu mais de 31 chefes de Estado, com a notável não participação dos Estados Unidos. Em um contexto de escalada de discursos negacionistas, ao mesmo tempo em que colapso climático se faz cada vez mais evidente, o foco maior do evento foi traçar estratégias para que as mudanças e metas sejam de fato tangíveis.
Esse afunilamento entre a maior percepção das mudanças climáticas e o ressurgimento de correntes ideológicas antiambientalistas – em um cenário geopolítico fortemente fragmentado – trouxe desafios extras para o evento, que é realizado anualmente desde 1995, e que tem um histórico de comprometimento tímido por parte dos governos, e notável ineficácia para o contexto climático atual.
O docente do curso de Medicina e Coordenador Nacional dos Laboratórios UniBRAS, Gildemar Crispim, explica que o fato da COP 30 ser realizada no Brasil é uma maneira de trazer protagonismo ao país. Ele também explica que ter a COP no ambiente doméstico nos ajuda a perceber a complexidade que existe em negociações de conferências como essa.
“Apesar das divergências que existem hoje, há uma crescente em relação aos não-retrocessos. É muito evidente a temática da Amazônia, da justiça climática, e a responsabilidade entre as nações. Ainda faltam acordos mais sólidos em relação aos combustíveis fósseis, mas existe um claro apelo ao consenso”, explica.
O professor cita como temas centrais a necessidade dos países em desenvolvimento de crescerem já implementando medidas ambientais, a resistência dos países produtores de petróleo e alguns outros países ricos no sentido de debater sobre os combustíveis fósseis; além da percepção de urgência na transformação de discursos em políticas concretas.
Abaixo deixamos alguns pontos-chave que marcaram as negociações da COP 30. Esses aspectos de maior destaque devem influenciar as discussões para a próxima conferência em 2026, que será realizada na Turquia .
1. A primeira COP na Amazônia
Parece óbvio, mas até hoje nenhuma das edições da COP tinha se instalado diretamente na floresta amazônica, apontada por especialistas de todo o mundo como um dos mais importantes ecossistemas para garantir o equilíbrio ambiental do planeta.
A escolha da cidade de Belém também apontou para outros aspectos importantes na sustentabilidade, como a presença de povos originários e ribeirinhos, a necessidade de adaptação e exploração sustentável da floresta para a desenvolvimento econômico de moradores locais, além da integração de espaços urbanos com a natureza.
Todos esses temas se tornaram mais tangíveis com a realização desse tipo evento na capital paraense, já que os líderes mundiais puderam desenvolver uma maior consciência ao se deparar com essas questões de forma imediata.
2. Redução do uso de combustíveis fósseis
Tema central há várias edições do evento, a eliminação completa dos combustíveis fósseis das matrizes energéticas nacionais é um dos temas mais espinhosos.
Alguns países já se adiantaram e apontaram soluções definitivas para a completa eliminação da emissão dos poluentes, enquanto outros ainda se negam a se comprometer com metas menos robustas. Há também os países que tentam “limpar” suas metas descumpridas.
O fato é que sem a devida redução dos gases de efeito estufa, não haverá outro caminho para segurar o aumento da temperatura média global – que hoje está como meta um aumento de 1,5°C. De acordo com cientistas climáticos, esse é o valor suficiente para que o planeta não entre em colapso.
Infelizmente a falta de clareza e definição seguiram nessa edição, com o documento final não mencionando os combustíveis fósseis. A pressão dos países produtores de petróleo impediu avanços nesse sentido, inclusive com muitos especialistas apontando essa edição da COP como a de maior presença de agentes do setor petrolífero.
Mas houve um avanço inédito no sentido da adaptação, já que pela primeira vez os países terão um conjunto de metas em comum para a preparação de eventos meteorológicos extremos, com indicadores mais claros. O objetivo é a padronização dessas metas em dois anos, facilitando a cooperação em situações extremas.
3. Financiamento climático
A transição energética não apresenta desafios somente de valor administrativo, mas também econômico. Além de não poderem representar retrocesso nas economias nacionais, num mundo de forte desigualdade e altos índices de pobreza e fome, implementar novas tecnologias também exige investimento financeiro pesado.
É justamente com esse foco que se busca financiar a transição energética, especialmente em países pobres. Além disso, busca-se também garantir que países em desenvolvimento possam ter suporte necessário para as mudanças, sem sofrerem grandes prejuízos.
Outro ponto de especial interesse está nas medidas para a mitigação dos prejuízos climáticos, como investimentos em infraestrutura e tecnologia, educação, cultura, desenvolvimento de mercados de trabalho sustentáveis e capacitação profissional. Também há forte preocupação com a sustentabilidade alimentar.
Entre os fundos de financiamento discutidos na COP 30 estiveram o “Roteiro de Baku a Belém” – uma meta de investimento de 1,3 trilhões de dólares por ano. Também estava previsto triplicar o fundo de adaptação às mudanças climáticas para cerca de 120 bilhões de dólares, além de estabelecer o novo Fundo Florestas Tropicais para Sempre, ferramenta de incentivo para países em desenvolvimento frearem o desmatamento.
Nesta edição, os estados se comprometeram a triplicar essa meta financeira para os próximos 10 anos. No entanto, o documento não especifica as quantias que cada país deve destinar, sem as fontes de financiamento adicional.
Outro avanço notável se deu no Fundo das Florestas, que arrecadou 6 bilhões de dólares, com contribuições da Alemanha, Noruega, França, entre outros. Com isso, o fundo ganhou mais visibilidade, e há forte expectativa para maiores aportes na próxima edição.
4. Proteção de populações vulneráveis
Para manter os ecossistemas de pé, é fundamental que os habitantes desses locais tenham seu direito a permanência e subsistência respeitados. No Brasil, assim como muitas outras regiões do mundo, isso significa preservar e valorizar a cultura dos povos originários, quilombolas e ribeirinhos.
Para além dessa pauta, discutiu-se também a desigualdade com a qual o colapso climático afeta as populações, com pessoas pobres e sem habitação adequada sendo fortemente mais prejudicadas que os mais ricos. Países pobres e faixas demográficas de minorias sociais e raciais também são mais vulneráveis.
A ideia foi levantar a consciência para ações de preservação desses povos, além da implementação de políticas públicas para a maior equidade e mitigação em casos de desequilíbrio ambiental ou mesmo em catástrofes.
Como resultado, a COP 30 reconheceu pela primeira vez o direito povos originários de forma explícita. Além de citar essas populações em vários pontos do documento, foi a primeira vez também que se destacou o papel de mulheres e meninas na luta climática, com o objetivo de reconhecer o direito feminino nas decisões sobre o tema.
5. Transparência
Com tantas metas e valores exorbitantes envolvidos, é fundamental implementar ferramentas e procedimentos para a maior transparência pública. Isso em um momento em que as mudanças climáticas se tornam cada vez mais perceptíveis, e a pressão por resultados reais cresce em relação aos governos.
Essa busca pela transparência passou pelo ideal da COP 30 como a “COP da implementação”, em que depois de muitas edições sem resultados concretos, os projetos realmente saíssem do papel.
Respondendo a esses anseios, foi criada a Belem Action Mechanism, ou BAM. Apontada como a principal entrega dessa edição, a BAM estabelece mecanismos claros para que países em desenvolvimento possa adotar medidas para a transição energética sem prejudicar suas economias e mercado de trabalho. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
Inteligência artificial já é realidade em salas de aula, e docentes relatam suas primeiras impressões
Uma nova fronteira tecnológica vem marcando pesado o processo de aprendizagem, e colocando docentes e alunos a prova. A inteligência artificial é uma nova ferramenta que não se pode mais ignorar, e enquanto inicialmente professores verificaram o uso indevido de ferramentas como Chat GPT por alunos, hoje o uso da IA na Educação é um assunto bem mais amplo.
As ferramentas da IA na Educação são variadas, e quando bem utilizadas podem beneficiar o aprendizado de inúmeras maneiras. Para além da ideia de que a inteligência artificial é inimiga, as novas tecnologias podem ser aliadas em salas de aula. E quem é muito resistente às inovações pode ficar para trás, algo muito prejudicial tanto no mundo acadêmico quanto no profissional.
É pensando nesse novo horizonte de possibilidades e riscos que especialistas em Educação convidam docentes de todos os níveis a se ambientarem melhor com a IA. No Brasil, o MEC já tem iniciativas para incluir a inteligência artificial na Base Nacional Curricular Comum (BNCC), e em 2024 lançou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), já de olho em metas para a inclusão das novas tecnologias.
Nacionalmente, o Piauí foi o primeiro estado a sair na frente, introduzindo a disciplina de Inteligência Artificial a partir do último ano do ensino fundamental e nos 3 anos do ensino médio. A iniciativa já é realidade em todas as escolas do estado desde o início de 2024, sendo o Piauí reconhecido pela Unesco como a primeira legislação do continente americano a incluir a IA como disciplina obrigatória e universal.
Especialistas indicam que a presença da IA na Educação pode atrair uma série de facilitadores na gestão das instituições de ensino, auxiliar na diminuição da evasão escolar e introduzir novas variantes e possibilidades à aprendizagem e qualificação profissional. No entanto, nada disso é possível de forma igualitária aos estudantes brasileiros se houver barreiras geográficas e financeiras à conectividade.
Para entender um pouco mais sobre essa nova perspectiva, conversamos com docentes do Ecossistema para compreender suas percepções sobre a correta introdução da IA na Educação, seus riscos e possibilidades.
O que queremos com a IA?
O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, defende que antes de apontar se a inteligência artificial é boa ou ruim para a área educacional, é preciso antes conhecê-la e entender seus mecanismos. Para ele, não compete necessariamente ao docente indicar como positiva ou negativa a efetividade da IA, mas sim se aprofundar na temática e compreender as possibilidades pedagógicas.
“Tem que se fazer uma vivência real no tema, uma imersão, para que o aluno entenda o que é aquela tecnologia. O professor não pode pensar que a inteligência artificial vai salvar o mundo. Nós precisamos saber sobre a intencionalidade, como funciona um aplicativo confiável e o que a IA pode demandar”, explica.
O especialista frisa que não se pode acreditar que a IA na Educação vai resolver os problemas que não foram resolvidos pelos “humanos”, mesmo porque, segundo ele, não se pode acreditar que a inteligência artificial está “pensando mais que nós”. É necessário refletir sobre as estratégias e os objetivos que se querem alcançar como um todo.
“Na verdade, a tecnologia está sendo programada para resolver coisas que nós estamos demandando. E a partir daí, nós precisamos ter essa relação muito proximal entre teoria, prática e a tecnologia. Hoje há quem entenda mais e outros menos sobre a IA, e isso estimula a criação de verdades e mitos sobre o tema”.
Ferramenta incomparável
Criar planos de aprendizagem personalizados, sugerir cronogramas, resumir tópicos complexos e até recomendar rotas de estudo a partir das dificuldades identificas pelo aluno. Essas são algumas das funcionalidades possíveis com o uso da IA na Educação, de acordo com o docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Duarte. Mas eles explicam que o uso dessas plataformas merece também cautela.
“Como organizadora de estudos, a IA é incomparável. Também é uma excelente fonte de primeiras referências em pesquisa sobre temas desconhecidos, com apresentação de conceitos-chave e direcionamento para investigação em fontes especializadas. Mas não é uma fonte definitiva de conhecimento, já que retira suas informações da internet, ecossistema em que o verificável e o falso coexistem”.
O docente explica que as chamadas “alucinações”- situações em que informações falsas soam fortemente convincentes – são um risco real. Ele aponta, no entanto, que o maior risco percebido no uso incorreto da IA está em utilizar essas ferramentas para a resolução de exercícios e tarefas.
“A facilidade imediata é tentadora, mas o resultado é nefasto, porque o verdadeiro valor desses exercícios não está na resposta final, mas sim no processo mental para chegar até ela”, defende. Para Roberto, é justamente nesse processo de resolver exercícios tidos como “difíceis”, de tentativa e erro, que acontecem as conexões neurais para se desenvolver o profundo conhecimento sobre a matéria.
O professor argumenta que o aluno que utiliza dessa manobra está abrindo mão da oportunidade de aprender. “Essas conexões neurais são a razão fundamental do estudante frequentar a instituição. O ambiente acadêmico existe para desafiar o raciocínio lógico, criar resiliência intelectual e desenvolver a capacidade de resolver problemas complexos”.
Sendo assim, Roberto considera que a relevância da IA na Educação está em libertar o aluno de tarefas mecânicas organizacionais e de síntese inicial. Do contrário, o uso indevido dessas ferramentas desestimula o desenvolvimento do espírito crítico, base no pensamento científico.
“A função da IA é ser um ponto de partida, um guia inicial que deve ser incessantemente confrontado com fontes primárias e autorizadas”, diz.
Preocupação na educação básica
O pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Bruno Pires, vê com bons olhos o uso de IA na Educação como ferramenta de pesquisa, desde que alunos e professores a utilizam com consciência e equilíbrio. Mas como docente também fora do ensino superior, ele tem uma especial preocupação com as consequências da inteligência artificial na educação básica.
“São crianças e adolescentes em processo de construção de identidade, como novos seres culturais. Nessa etapa é crucial o desenvolvimento da imaginação, criatividade e raciocínio crítico. Se essas ferramentas forem utilizadas excessivamente, ou mesmo de maneira indiscriminada, como já estamos verificando, esses estudantes podem deixar de exercitar suas próprias capacidades e se tornarem dependentes dessas tecnologias”.
O especialista acredita que caso não haja um bom direcionamento da IA na educação básica, haverá consequências no futuro. Por isso ele defende uma maior reflexão pedagógica, para que o professor possa desenvolver essas habilidades nos estudantes, fazendo com que eles percebam que pensar com autonomia é muito importante para o próprio desenvolvimento deles.
“As novas tecnologias podem ser aliadas, mas jamais devem substituir o processo de construção ativa para o desenvolvimento integral dos estudantes. Então seu uso precisar ser mediado e dosado pelo professor”. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
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