Como utilizar a IA para estudar melhor

Como utilizar a IA para estudar melhor

Recursos de inteligência artificial podem facilitar a vida de docentes e professores quando bem utilizados Ver a inteligência artificial como inimiga da Educação já é uma ideia um tanto quanto ultrapassada. Entre educadores de todos os níveis de ensino há hoje uma construção de consenso sobre as possibilidades em se utilizar a IA para estudar melhor – e ensinar também. Tudo depende da maneira como se utiliza essas ferramentas, assim como outros recursos tecnológicos em que estamos familiarizados há mais tempo. Muito além dos famosos recursos de redação, resumo e plágio que assustaram docentes em todo o mundo, outros recursos bem empregados podem ser aliados de alunos e docentes quando o assunto é usar a IA para estudar melhor. Algumas atividades repetitivas e maçantes podem ser delegadas à ferramenta, por exemplo, o que pode liberar mais tempo para outros conteúdos de relevância. O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, explica que a inteligência artificial pode contribuir bastante para a aprendizagem, desde que algumas condições sejam respeitadas. Para o educador, a chave está em entender o que se quer das plataformas de IA, e assim saber demandar e se utilizar dessas ferramentas de forma clara e adequada. “A IA não pode ser uma ferramenta determinante para que o aluno ou professor atribua a ela suas responsabilidades pessoais no processo educacional. Isso porque a partir do momento em que se delega à inteligência artificial uma atribuição que na verdade é nossa, como seres pensantes, isso nos transforma em sujeitos passivos na jornada da Educação, e o pensamento crítico é prejudicado”. Para ele, essas ferramentas podem ser parceiras do estudante ou do professor no sentido de aperfeiçoar conteúdos, de acordo com a necessidade de cada um. Mas isso não deve, porém, substituir a criação, com esforço pessoal, desses conteúdos em si. Pensando na constante evolução das ferramentas educacionais, e na busca por melhores fontes de facilitação de rendimento de educadores e estudantes, selecionamos aqui algumas formas em que se pode utilizar a IA para estudar melhor. 1. Corrigir textos Quem está familiarizado com escrever textos frequentemente sabe que não se pode entregar qualquer material sem antes revisá-lo atentamente. Gramática, concordância, pontuação, são muitas as possibilidades de equívocos. No entanto, muitas vezes simplesmente revisar não é suficiente: há erros que passam despercebes, mesmo aos olhares mais atentos. É aí que entra a inteligência artificial: solicitar à ferramenta que revise todos o texto depois de revisá-lo pessoalmente diminui drasticamente as chances de entregar o conteúdo escrito de maneira inadequada. Mas não basta apenas escrever e pedir correção, já que a IA não está isenta de erros. É importante fazer uma revisão antes, e utilizar a ferramenta tecnológica para uma checagem dupla. Também é importante pedir à IA para que explique as substituições feitas, no sentindo de entender quais seriam esses erros e assim aperfeiçoar a escrita. Além disso, nem toda substituição faz sentido, e a última decisão deve ser sempre do autor. É nesse momento que o estudante ou docente impõe sua autonomia intelectual, fundamental nos processos de aprendizagem e ensino. 2. Organizar materiais educativos O estudante ou professor que nunca teve problemas para fazer uma planilha não sabe o que é passar por um perrengue. Algumas atividades demandam mais que conhecimento, como habilidades técnicas que muitas vezes não dominamos. E a inteligência artificial pode ser uma grande parceira nesses momentos. A IA pode ajudar a organizar materiais por temas e afinidades, separar conteúdos para planilhas e organogramas, ajudar com prompts para ferramentas como o Excel, auxiliar na realização de slides e outras apresentações. As possibilidades são infinitas, e os resultados podem ser empolgantes. Vale lembrar que é preferível ir construindo esses conteúdos junto à IA, e não simplesmente delegar os conteúdos à ferramenta em sua totalidade, já que ao construir esses materiais desenvolvem-se etapas fundamentais no processo de aprendizagem. E quando se pensa em utilizar a IA para estudar melhor, também é relevante pedir auxílio à ferramenta para entender as dúvidas de maneira construtiva, em que se aprende com autoridade e se consiga no futuro replicar esse conhecimento adquirido sem a ajuda da tecnologia. 3. Entender erros e superar falhas Receber uma prova corrigida em que muitas questões estavam incorretas é uma frustração no mundo acadêmico, mas mais importante que buscar boas notas é justamente absorver o conteúdo adequadamente. Para isso, também se pode utilizar a IA para estudar melhor, já que a ferramenta pode avaliar e apontar os eventuais erros e as respostas corretas. É importante ter a disposição em entender de forma didática o erro, e tentar fazer o exercício de maneira distinta ao que foi aplicado no teste ou trabalho. Outro ponto de atenção é que, em caso que persista a dúvida, torna-se essencial revisar o conteúdo com o professor, já que ele é a referência no assunto. Por último, não se deve obviamente utilizar da inteligência artificial para resolver questões e problemas, já que a prática do exercício é imprescindível para o aprendizado. 4. Converter conteúdos para texto Se há um exercício realmente desanimador é converter o conteúdo de gravações de áudio ou vídeo, com aulas, explicações de docentes ou mesmo eventos e palestras, em texto. Passa-se muito tempo para conseguir decupar um conteúdo de minutos, por exemplo, e assim a produtividade do tempo de estudo é fortemente prejudicada. Mas encaminhar esse conteúdo à ferramentas de IA pode ajudar a economizar muito do tempo de revisão do conteúdo, e essa economia de tempo pode ser remanejada para outras atividades que de fato são mais produtivas. Além das tradicionais plataformas de chat de inteligência artificial, a ferramenta Blip Vira Texto, por exemplo, é uma forte aliada quando o assunto é transcrever áudios de WhatsApp, isso sem necessidade de exportar o conteúdo para outras plataformas. Outro recurso interessante pode ser converter arquivos PDF, com os seus mais variados tipos de mídia – como gráficos e organogramas – em texto. Também vale pedir um resumo para a plataforma IA caso o tempo esteja curto, extraindo assim do material seus pontos de maior relevância. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
Docentes apontam os maiores temas da Educação em 2026

Docentes apontam os maiores temas da Educação em 2026

Especialistas do Ecossistema compartilham suas perspectivas sobre a sala de aula e seus desafios para esse ano Não parece, mas a década de 2020 já passou da metade. Em cerca de 6 anos, passamos por uma pandemia, cenários político e internacional instáveis e mais uma leva de inovações tecnológicas. Inevitavelmente, esse cenário afetou a maneira como aprendemos e ensinamos. Como de costume nos primeiros meses do ano, é comum que nos perguntemos quais são os maiores temas da Educação em 2026. Enquanto para alunos essas transformações significam novas formas de aprender, para os docentes há o desafio em navegar nesses novos temas, com domínio do conteúdo e atendendo às exigências dos avanços das inteligências artificiais e às pressões profissionais. Dessa forma, para entender os maiores temas da Educação em 2026 é preciso ouvir quem está à frente da sala de aula. Quando essa temática retorna ao nosso blog, buscamos identificar no docente o maior especialista, considerando que ele acompanha de perto as possibilidades e novas realidades da Educação, e por outro lado identifica as lacunas no processo de aprendizagem. Os docentes consultados na matéria lecionam em instituições de ensino do Ecossistema BRAS Educacional, e alguns também estão na educação básica. Neurodivergência em sala de aula Com a maior atenção à saúde e evolução dos diagnósticos, houve o crescimento também da consciência da diversidade de tipos de aprendizagem, de traços de personalidades distintos, e perfis de alunos – que influenciam diretamente na maneira de assimilar os conteúdos e interagir em sala de aula. Também surgiu a reflexão sobre as possibilidades e desafios desses futuros profissionais no mercado de trabalho. É a partir dessa nova perspectiva que surge o termo neurodivergência – ou neurodiversidade. Na visão da bióloga e docente da UniBRAS Juazeiro, Carla Regine França, esse é um dos maiores temas da Educação em 2026. Para a educadora, é interessante ter um foco no desenvolvimento desses estudantes em sala de aula, e as exigências que cada uma delas apresenta. Quando falamos em neurodiversidade, podemos apontar alunos com algum prejuízo no neurodesenvolvimento, como pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) ou transtorno de déficit de atenção com ou sem hiperatividade (TDAH). Mas também podemos incluir alunos com vantagens na aprendizagem, como aqueles com altas habilidades e superdotação (AHSD). São muitas as possibilidades, mas há uma unanimidade: todos precisam de suporte adequado. E é justamente nesse ponto que Carla argumenta como de maior atenção para a Educação no momento. “Acho interessante esse tema, mas muitos professores não estão preparados para confrontá-lo. Há educadores que precisam de formação para aprenderem a atuar nas mais diversas situações”, reflete. A docente chama a atenção para a necessidade de capacitação de todos os profissionais que atuam nas instituições de ensino. Ela explica que isso inclui não só o docente, mas também todos os funcionários dessas escolas e faculdades, em todos os níveis do ensino. Atualidade inserida no plano de ensino Para o pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Bruno Inácio, a formação integral, com enfoque não somente no conteúdo da matéria de forma isolada, mas também nas ligações e implicações desse conteúdo com o mundo fora da sala de aula, é um dos maiores temas da Educação em 2026. Para ele, não há como formar alunos pensantes sem enxergar o que está acontecendo no cotidiano. Ao se recusar em considerar a Educação como um fator isolado e confinado à instituição, Bruno destaca que em seu plano de ensino sempre relaciona os conteúdos estudados com o que está acontecendo na atualidade, seja de caráter cultural, econômico, político ou social em geral – priorizando a atuação social em todas as áreas de formação. “Como se promove uma formação educacional sem estar vinculada ao que está acontecendo na sociedade? Simplesmente não tem como. Quando o objetivo é uma formação integral do indivíduo, é preciso ter como princípio formar o profissional para que ele possa atuar em sociedade”, argumenta. Dessa maneira, o educador prioriza em suas aulas o ensino do conteúdo básico de cada formação profissional, adicionando ao debate questões sociais relevantes, acontecimentos da atualidade e interpretações críticas da realidade. A função da instituição de ensino O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, está mais reflexivo sobre o papel das instituições de ensino em si. Para ele, no pós-pandemia, a Educação teve um enfoque maior no fator emocional de alunos e docentes, e houve protagonismo da educação emocional nesse processo. Mas agora ele alerta que a sociedade e o campo educacional como um todo estão com os olhos voltados para a escola. Falando de Educação em todos os níveis de ensino, Rafael explica que hoje há uma preocupação maior em avaliar se a instituição está cumprindo seu objetivo de ensinar, com destaque para os métodos de ensino e suas efetividades. O educador aponta que as novas tecnologias também se inserem nesse contexto, mas que hoje o próprio Ministério da Educação está de olho nas avaliações de alunos e docentes. “Eu penso que o desafio hoje é o aprendizado. Será que os alunos realmente estão aprendendo? Será que estamos entendendo qual a melhor forma de ensino? Há um desafio sobre a avaliação, os novos conceitos e os novos marcos regulatórios do MEC para entender como estão esses alunos. Vimos recentemente as notas do ENAD e do EnaMed”, aponta. Rafael acredita que é momento de pensar sobre o que as instituições de ensino podem agregar de diferente, e o que elas estão fazendo no sentido de formação desses estudantes. Ele também chama a atenção para a necessidade de verificação da eficácia na formação profissional dos educadores, inserindo esse tema no contexto atual de autorreflexão do campo educacional. A relevância do docente versus a tecnologia Enquanto a inteligência artificial assusta alguns docentes e os prende na direção contrária a essas plataformas, o pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Campos, já se vê mais a frente nesse debate. Ele destaca que as novas tecnologias não só não ameaçam os docentes, mas reafirmam sua importância, considerando o professor como ponte entre os dados apontados e os problemas reais. Para ele, um dos maiores temas da Educação em 2026 é entender como as políticas educacionais podem moldar o desenvolvimento humano. “A IA que cria conteúdo e ferramentas que se adaptam já é comum. O desafio agora não é somente usá-la bem tecnicamente, mas integrá-la ao ensino. O foco muda da ferramenta em si para o seu objetivo educacional”, argumenta. Direcionando para o ensino de adultos, o especialista defende que com o maior escalonamento de tarefas repetitivas à IA, surge mais tempo para as interações humanas insubstituíveis. Por isso a formação docente deve mudar o foco para outras funções, como o uso criativo dessas ferramentas, o combate a barreiras digitais e a garantia de que a tecnologia seja empregada como um meio de inclusão. Nesse raciocínio, Roberto aponta que o docente deve desempenhar funções de orientação para o senso crítico, incentivar pensamentos complexos, ajudar em questões éticas e emocionais, e apontar experiências de valor. Logo, ele entende como essencial uma formação docente adaptada a essa nova realidade. “É preciso entender como formar professores para que eles possam criar experiências de aprendizado importantes em parceria com a inteligência artificial, e não apenas para utilizá-la de forma impulsiva”. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)

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