Docentes apontam os maiores temas da Educação em 2026
Especialistas do Ecossistema compartilham suas perspectivas sobre a sala de aula e seus desafios para esse ano Não parece, mas a década de 2020 já passou da metade. Em cerca de 6 anos, passamos por uma pandemia, cenários político e internacional instáveis e mais uma leva de inovações tecnológicas. Inevitavelmente, esse cenário afetou a maneira como aprendemos e ensinamos. Como de costume nos primeiros meses do ano, é comum que nos perguntemos quais são os maiores temas da Educação em 2026. Enquanto para alunos essas transformações significam novas formas de aprender, para os docentes há o desafio em navegar nesses novos temas, com domínio do conteúdo e atendendo às exigências dos avanços das inteligências artificiais e às pressões profissionais. Dessa forma, para entender os maiores temas da Educação em 2026 é preciso ouvir quem está à frente da sala de aula. Quando essa temática retorna ao nosso blog, buscamos identificar no docente o maior especialista, considerando que ele acompanha de perto as possibilidades e novas realidades da Educação, e por outro lado identifica as lacunas no processo de aprendizagem. Os docentes consultados na matéria lecionam em instituições de ensino do Ecossistema BRAS Educacional, e alguns também estão na educação básica. Neurodivergência em sala de aula Com a maior atenção à saúde e evolução dos diagnósticos, houve o crescimento também da consciência da diversidade de tipos de aprendizagem, de traços de personalidades distintos, e perfis de alunos – que influenciam diretamente na maneira de assimilar os conteúdos e interagir em sala de aula. Também surgiu a reflexão sobre as possibilidades e desafios desses futuros profissionais no mercado de trabalho. É a partir dessa nova perspectiva que surge o termo neurodivergência – ou neurodiversidade. Na visão da bióloga e docente da UniBRAS Juazeiro, Carla Regine França, esse é um dos maiores temas da Educação em 2026. Para a educadora, é interessante ter um foco no desenvolvimento desses estudantes em sala de aula, e as exigências que cada uma delas apresenta. Quando falamos em neurodiversidade, podemos apontar alunos com algum prejuízo no neurodesenvolvimento, como pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) ou transtorno de déficit de atenção com ou sem hiperatividade (TDAH). Mas também podemos incluir alunos com vantagens na aprendizagem, como aqueles com altas habilidades e superdotação (AHSD). São muitas as possibilidades, mas há uma unanimidade: todos precisam de suporte adequado. E é justamente nesse ponto que Carla argumenta como de maior atenção para a Educação no momento. “Acho interessante esse tema, mas muitos professores não estão preparados para confrontá-lo. Há educadores que precisam de formação para aprenderem a atuar nas mais diversas situações”, reflete. A docente chama a atenção para a necessidade de capacitação de todos os profissionais que atuam nas instituições de ensino. Ela explica que isso inclui não só o docente, mas também todos os funcionários dessas escolas e faculdades, em todos os níveis do ensino. Atualidade inserida no plano de ensino Para o pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Bruno Inácio, a formação integral, com enfoque não somente no conteúdo da matéria de forma isolada, mas também nas ligações e implicações desse conteúdo com o mundo fora da sala de aula, é um dos maiores temas da Educação em 2026. Para ele, não há como formar alunos pensantes sem enxergar o que está acontecendo no cotidiano. Ao se recusar em considerar a Educação como um fator isolado e confinado à instituição, Bruno destaca que em seu plano de ensino sempre relaciona os conteúdos estudados com o que está acontecendo na atualidade, seja de caráter cultural, econômico, político ou social em geral – priorizando a atuação social em todas as áreas de formação. “Como se promove uma formação educacional sem estar vinculada ao que está acontecendo na sociedade? Simplesmente não tem como. Quando o objetivo é uma formação integral do indivíduo, é preciso ter como princípio formar o profissional para que ele possa atuar em sociedade”, argumenta. Dessa maneira, o educador prioriza em suas aulas o ensino do conteúdo básico de cada formação profissional, adicionando ao debate questões sociais relevantes, acontecimentos da atualidade e interpretações críticas da realidade. A função da instituição de ensino O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, está mais reflexivo sobre o papel das instituições de ensino em si. Para ele, no pós-pandemia, a Educação teve um enfoque maior no fator emocional de alunos e docentes, e houve protagonismo da educação emocional nesse processo. Mas agora ele alerta que a sociedade e o campo educacional como um todo estão com os olhos voltados para a escola. Falando de Educação em todos os níveis de ensino, Rafael explica que hoje há uma preocupação maior em avaliar se a instituição está cumprindo seu objetivo de ensinar, com destaque para os métodos de ensino e suas efetividades. O educador aponta que as novas tecnologias também se inserem nesse contexto, mas que hoje o próprio Ministério da Educação está de olho nas avaliações de alunos e docentes. “Eu penso que o desafio hoje é o aprendizado. Será que os alunos realmente estão aprendendo? Será que estamos entendendo qual a melhor forma de ensino? Há um desafio sobre a avaliação, os novos conceitos e os novos marcos regulatórios do MEC para entender como estão esses alunos. Vimos recentemente as notas do ENAD e do EnaMed”, aponta. Rafael acredita que é momento de pensar sobre o que as instituições de ensino podem agregar de diferente, e o que elas estão fazendo no sentido de formação desses estudantes. Ele também chama a atenção para a necessidade de verificação da eficácia na formação profissional dos educadores, inserindo esse tema no contexto atual de autorreflexão do campo educacional. A relevância do docente versus a tecnologia Enquanto a inteligência artificial assusta alguns docentes e os prende na direção contrária a essas plataformas, o pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Campos, já se vê mais a frente nesse debate. Ele destaca que as novas tecnologias não só não ameaçam os docentes, mas reafirmam sua importância, considerando o professor como ponte entre os dados apontados e os problemas reais. Para ele, um dos maiores temas da Educação em 2026 é entender como as políticas educacionais podem moldar o desenvolvimento humano. “A IA que cria conteúdo e ferramentas que se adaptam já é comum. O desafio agora não é somente usá-la bem tecnicamente, mas integrá-la ao ensino. O foco muda da ferramenta em si para o seu objetivo educacional”, argumenta. Direcionando para o ensino de adultos, o especialista defende que com o maior escalonamento de tarefas repetitivas à IA, surge mais tempo para as interações humanas insubstituíveis. Por isso a formação docente deve mudar o foco para outras funções, como o uso criativo dessas ferramentas, o combate a barreiras digitais e a garantia de que a tecnologia seja empregada como um meio de inclusão. Nesse raciocínio, Roberto aponta que o docente deve desempenhar funções de orientação para o senso crítico, incentivar pensamentos complexos, ajudar em questões éticas e emocionais, e apontar experiências de valor. Logo, ele entende como essencial uma formação docente adaptada a essa nova realidade. “É preciso entender como formar professores para que eles possam criar experiências de aprendizado importantes em parceria com a inteligência artificial, e não apenas para utilizá-la de forma impulsiva”. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
COP 30: 5 pontos que marcaram o evento do clima
Trigésima edição da conferência teve apelo para ações concretas em contexto de metas não cumpridas e tempo se esgotando
Entre os dias 10 e 21 de novembro, todo o planeta se voltou para o Brasil – mais especificamente para Belém (PA) – para a realização da COP 30, a Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas. Iniciada em um contexto internacional conturbado, essa foi a primeira vez que o país sediou o evento, que foi realizado propositalmente na floresta amazônica e fora do eixo Rio-São Paulo.
O evento contou com a presença de 129 delegações nacionais, e reuniu mais de 31 chefes de Estado, com a notável não participação dos Estados Unidos. Em um contexto de escalada de discursos negacionistas, ao mesmo tempo em que colapso climático se faz cada vez mais evidente, o foco maior do evento foi traçar estratégias para que as mudanças e metas sejam de fato tangíveis.
Esse afunilamento entre a maior percepção das mudanças climáticas e o ressurgimento de correntes ideológicas antiambientalistas – em um cenário geopolítico fortemente fragmentado – trouxe desafios extras para o evento, que é realizado anualmente desde 1995, e que tem um histórico de comprometimento tímido por parte dos governos, e notável ineficácia para o contexto climático atual.
O docente do curso de Medicina e Coordenador Nacional dos Laboratórios UniBRAS, Gildemar Crispim, explica que o fato da COP 30 ser realizada no Brasil é uma maneira de trazer protagonismo ao país. Ele também explica que ter a COP no ambiente doméstico nos ajuda a perceber a complexidade que existe em negociações de conferências como essa.
“Apesar das divergências que existem hoje, há uma crescente em relação aos não-retrocessos. É muito evidente a temática da Amazônia, da justiça climática, e a responsabilidade entre as nações. Ainda faltam acordos mais sólidos em relação aos combustíveis fósseis, mas existe um claro apelo ao consenso”, explica.
O professor cita como temas centrais a necessidade dos países em desenvolvimento de crescerem já implementando medidas ambientais, a resistência dos países produtores de petróleo e alguns outros países ricos no sentido de debater sobre os combustíveis fósseis; além da percepção de urgência na transformação de discursos em políticas concretas.
Abaixo deixamos alguns pontos-chave que marcaram as negociações da COP 30. Esses aspectos de maior destaque devem influenciar as discussões para a próxima conferência em 2026, que será realizada na Turquia .
1. A primeira COP na Amazônia
Parece óbvio, mas até hoje nenhuma das edições da COP tinha se instalado diretamente na floresta amazônica, apontada por especialistas de todo o mundo como um dos mais importantes ecossistemas para garantir o equilíbrio ambiental do planeta.
A escolha da cidade de Belém também apontou para outros aspectos importantes na sustentabilidade, como a presença de povos originários e ribeirinhos, a necessidade de adaptação e exploração sustentável da floresta para a desenvolvimento econômico de moradores locais, além da integração de espaços urbanos com a natureza.
Todos esses temas se tornaram mais tangíveis com a realização desse tipo evento na capital paraense, já que os líderes mundiais puderam desenvolver uma maior consciência ao se deparar com essas questões de forma imediata.
2. Redução do uso de combustíveis fósseis
Tema central há várias edições do evento, a eliminação completa dos combustíveis fósseis das matrizes energéticas nacionais é um dos temas mais espinhosos.
Alguns países já se adiantaram e apontaram soluções definitivas para a completa eliminação da emissão dos poluentes, enquanto outros ainda se negam a se comprometer com metas menos robustas. Há também os países que tentam “limpar” suas metas descumpridas.
O fato é que sem a devida redução dos gases de efeito estufa, não haverá outro caminho para segurar o aumento da temperatura média global – que hoje está como meta um aumento de 1,5°C. De acordo com cientistas climáticos, esse é o valor suficiente para que o planeta não entre em colapso.
Infelizmente a falta de clareza e definição seguiram nessa edição, com o documento final não mencionando os combustíveis fósseis. A pressão dos países produtores de petróleo impediu avanços nesse sentido, inclusive com muitos especialistas apontando essa edição da COP como a de maior presença de agentes do setor petrolífero.
Mas houve um avanço inédito no sentido da adaptação, já que pela primeira vez os países terão um conjunto de metas em comum para a preparação de eventos meteorológicos extremos, com indicadores mais claros. O objetivo é a padronização dessas metas em dois anos, facilitando a cooperação em situações extremas.
3. Financiamento climático
A transição energética não apresenta desafios somente de valor administrativo, mas também econômico. Além de não poderem representar retrocesso nas economias nacionais, num mundo de forte desigualdade e altos índices de pobreza e fome, implementar novas tecnologias também exige investimento financeiro pesado.
É justamente com esse foco que se busca financiar a transição energética, especialmente em países pobres. Além disso, busca-se também garantir que países em desenvolvimento possam ter suporte necessário para as mudanças, sem sofrerem grandes prejuízos.
Outro ponto de especial interesse está nas medidas para a mitigação dos prejuízos climáticos, como investimentos em infraestrutura e tecnologia, educação, cultura, desenvolvimento de mercados de trabalho sustentáveis e capacitação profissional. Também há forte preocupação com a sustentabilidade alimentar.
Entre os fundos de financiamento discutidos na COP 30 estiveram o “Roteiro de Baku a Belém” – uma meta de investimento de 1,3 trilhões de dólares por ano. Também estava previsto triplicar o fundo de adaptação às mudanças climáticas para cerca de 120 bilhões de dólares, além de estabelecer o novo Fundo Florestas Tropicais para Sempre, ferramenta de incentivo para países em desenvolvimento frearem o desmatamento.
Nesta edição, os estados se comprometeram a triplicar essa meta financeira para os próximos 10 anos. No entanto, o documento não especifica as quantias que cada país deve destinar, sem as fontes de financiamento adicional.
Outro avanço notável se deu no Fundo das Florestas, que arrecadou 6 bilhões de dólares, com contribuições da Alemanha, Noruega, França, entre outros. Com isso, o fundo ganhou mais visibilidade, e há forte expectativa para maiores aportes na próxima edição.
4. Proteção de populações vulneráveis
Para manter os ecossistemas de pé, é fundamental que os habitantes desses locais tenham seu direito a permanência e subsistência respeitados. No Brasil, assim como muitas outras regiões do mundo, isso significa preservar e valorizar a cultura dos povos originários, quilombolas e ribeirinhos.
Para além dessa pauta, discutiu-se também a desigualdade com a qual o colapso climático afeta as populações, com pessoas pobres e sem habitação adequada sendo fortemente mais prejudicadas que os mais ricos. Países pobres e faixas demográficas de minorias sociais e raciais também são mais vulneráveis.
A ideia foi levantar a consciência para ações de preservação desses povos, além da implementação de políticas públicas para a maior equidade e mitigação em casos de desequilíbrio ambiental ou mesmo em catástrofes.
Como resultado, a COP 30 reconheceu pela primeira vez o direito povos originários de forma explícita. Além de citar essas populações em vários pontos do documento, foi a primeira vez também que se destacou o papel de mulheres e meninas na luta climática, com o objetivo de reconhecer o direito feminino nas decisões sobre o tema.
5. Transparência
Com tantas metas e valores exorbitantes envolvidos, é fundamental implementar ferramentas e procedimentos para a maior transparência pública. Isso em um momento em que as mudanças climáticas se tornam cada vez mais perceptíveis, e a pressão por resultados reais cresce em relação aos governos.
Essa busca pela transparência passou pelo ideal da COP 30 como a “COP da implementação”, em que depois de muitas edições sem resultados concretos, os projetos realmente saíssem do papel.
Respondendo a esses anseios, foi criada a Belem Action Mechanism, ou BAM. Apontada como a principal entrega dessa edição, a BAM estabelece mecanismos claros para que países em desenvolvimento possa adotar medidas para a transição energética sem prejudicar suas economias e mercado de trabalho. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
IA na educação: o que dizem os professores
Inteligência artificial já é realidade em salas de aula, e docentes relatam suas primeiras impressões
Uma nova fronteira tecnológica vem marcando pesado o processo de aprendizagem, e colocando docentes e alunos a prova. A inteligência artificial é uma nova ferramenta que não se pode mais ignorar, e enquanto inicialmente professores verificaram o uso indevido de ferramentas como Chat GPT por alunos, hoje o uso da IA na Educação é um assunto bem mais amplo.
As ferramentas da IA na Educação são variadas, e quando bem utilizadas podem beneficiar o aprendizado de inúmeras maneiras. Para além da ideia de que a inteligência artificial é inimiga, as novas tecnologias podem ser aliadas em salas de aula. E quem é muito resistente às inovações pode ficar para trás, algo muito prejudicial tanto no mundo acadêmico quanto no profissional.
É pensando nesse novo horizonte de possibilidades e riscos que especialistas em Educação convidam docentes de todos os níveis a se ambientarem melhor com a IA. No Brasil, o MEC já tem iniciativas para incluir a inteligência artificial na Base Nacional Curricular Comum (BNCC), e em 2024 lançou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), já de olho em metas para a inclusão das novas tecnologias.
Nacionalmente, o Piauí foi o primeiro estado a sair na frente, introduzindo a disciplina de Inteligência Artificial a partir do último ano do ensino fundamental e nos 3 anos do ensino médio. A iniciativa já é realidade em todas as escolas do estado desde o início de 2024, sendo o Piauí reconhecido pela Unesco como a primeira legislação do continente americano a incluir a IA como disciplina obrigatória e universal.
Especialistas indicam que a presença da IA na Educação pode atrair uma série de facilitadores na gestão das instituições de ensino, auxiliar na diminuição da evasão escolar e introduzir novas variantes e possibilidades à aprendizagem e qualificação profissional. No entanto, nada disso é possível de forma igualitária aos estudantes brasileiros se houver barreiras geográficas e financeiras à conectividade.
Para entender um pouco mais sobre essa nova perspectiva, conversamos com docentes do Ecossistema para compreender suas percepções sobre a correta introdução da IA na Educação, seus riscos e possibilidades.
O que queremos com a IA?
O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, defende que antes de apontar se a inteligência artificial é boa ou ruim para a área educacional, é preciso antes conhecê-la e entender seus mecanismos. Para ele, não compete necessariamente ao docente indicar como positiva ou negativa a efetividade da IA, mas sim se aprofundar na temática e compreender as possibilidades pedagógicas.
“Tem que se fazer uma vivência real no tema, uma imersão, para que o aluno entenda o que é aquela tecnologia. O professor não pode pensar que a inteligência artificial vai salvar o mundo. Nós precisamos saber sobre a intencionalidade, como funciona um aplicativo confiável e o que a IA pode demandar”, explica.
O especialista frisa que não se pode acreditar que a IA na Educação vai resolver os problemas que não foram resolvidos pelos “humanos”, mesmo porque, segundo ele, não se pode acreditar que a inteligência artificial está “pensando mais que nós”. É necessário refletir sobre as estratégias e os objetivos que se querem alcançar como um todo.
“Na verdade, a tecnologia está sendo programada para resolver coisas que nós estamos demandando. E a partir daí, nós precisamos ter essa relação muito proximal entre teoria, prática e a tecnologia. Hoje há quem entenda mais e outros menos sobre a IA, e isso estimula a criação de verdades e mitos sobre o tema”.
Ferramenta incomparável
Criar planos de aprendizagem personalizados, sugerir cronogramas, resumir tópicos complexos e até recomendar rotas de estudo a partir das dificuldades identificas pelo aluno. Essas são algumas das funcionalidades possíveis com o uso da IA na Educação, de acordo com o docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Duarte. Mas eles explicam que o uso dessas plataformas merece também cautela.
“Como organizadora de estudos, a IA é incomparável. Também é uma excelente fonte de primeiras referências em pesquisa sobre temas desconhecidos, com apresentação de conceitos-chave e direcionamento para investigação em fontes especializadas. Mas não é uma fonte definitiva de conhecimento, já que retira suas informações da internet, ecossistema em que o verificável e o falso coexistem”.
O docente explica que as chamadas “alucinações”- situações em que informações falsas soam fortemente convincentes – são um risco real. Ele aponta, no entanto, que o maior risco percebido no uso incorreto da IA está em utilizar essas ferramentas para a resolução de exercícios e tarefas.
“A facilidade imediata é tentadora, mas o resultado é nefasto, porque o verdadeiro valor desses exercícios não está na resposta final, mas sim no processo mental para chegar até ela”, defende. Para Roberto, é justamente nesse processo de resolver exercícios tidos como “difíceis”, de tentativa e erro, que acontecem as conexões neurais para se desenvolver o profundo conhecimento sobre a matéria.
O professor argumenta que o aluno que utiliza dessa manobra está abrindo mão da oportunidade de aprender. “Essas conexões neurais são a razão fundamental do estudante frequentar a instituição. O ambiente acadêmico existe para desafiar o raciocínio lógico, criar resiliência intelectual e desenvolver a capacidade de resolver problemas complexos”.
Sendo assim, Roberto considera que a relevância da IA na Educação está em libertar o aluno de tarefas mecânicas organizacionais e de síntese inicial. Do contrário, o uso indevido dessas ferramentas desestimula o desenvolvimento do espírito crítico, base no pensamento científico.
“A função da IA é ser um ponto de partida, um guia inicial que deve ser incessantemente confrontado com fontes primárias e autorizadas”, diz.
Preocupação na educação básica
O pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Bruno Pires, vê com bons olhos o uso de IA na Educação como ferramenta de pesquisa, desde que alunos e professores a utilizam com consciência e equilíbrio. Mas como docente também fora do ensino superior, ele tem uma especial preocupação com as consequências da inteligência artificial na educação básica.
“São crianças e adolescentes em processo de construção de identidade, como novos seres culturais. Nessa etapa é crucial o desenvolvimento da imaginação, criatividade e raciocínio crítico. Se essas ferramentas forem utilizadas excessivamente, ou mesmo de maneira indiscriminada, como já estamos verificando, esses estudantes podem deixar de exercitar suas próprias capacidades e se tornarem dependentes dessas tecnologias”.
O especialista acredita que caso não haja um bom direcionamento da IA na educação básica, haverá consequências no futuro. Por isso ele defende uma maior reflexão pedagógica, para que o professor possa desenvolver essas habilidades nos estudantes, fazendo com que eles percebam que pensar com autonomia é muito importante para o próprio desenvolvimento deles.
“As novas tecnologias podem ser aliadas, mas jamais devem substituir o processo de construção ativa para o desenvolvimento integral dos estudantes. Então seu uso precisar ser mediado e dosado pelo professor”. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
5 dicas para manter o foco no EaD
Modelo remoto possibilita maior flexibilidade, mas foco é indispensável para um resultado de excelência
Estudar a distância deixou de ser uma particularidade e se tornou algo comum. Se antes havia preconceito com a modalidade, a pandemia a transformou na única maneira viável de estudo por certo tempo, e seguiu em alta mesmo depois. Mas apesar das vantagens, manter o foco no EaD exige disciplina extra e hábitos que vão além dos já exigidos no presencial.
Os números mais recentes divulgados pelo Semesp – entidade que representa mantenedoras de ensino superior no Brasil – mostram que as matrículas no ensino remoto dispararam 326% no período entre 2013 e 2023, enquanto a modalidade presencial teve uma queda de 29,1%. Ao todo são quase 5 milhões de estudantes de EaD em todo o país, o que corresponde a quase metade das matrículas entre 2022 e 2023.
Porém, enquanto no ensino remoto as barreiras da distância e do tempo podem ser mais facilmente dribladas, por outro lado há um forte desafio para conseguir se adequar às exigências que a modalidade impõe, e principalmente não se deixar levar pela procrastinação. São comuns na comunidade acadêmica relatos de pessoas que sofrem para manter o foco no EaD, e não se adaptam da maneira necessária.
O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, entende que o ensino a distância ainda está em processo de adaptação. Para além da inovação no formato, o especialista explica que uma das maiores novidades no EaD é justamente o protagonismo do aluno, que precisa manejar bem essa centralidade para se organizar e ter disciplina adequada ao formato, inclusive com rotina de estudos.
“Quando quer ingressar no ensino superior, o aluno já precisa entender algumas questões. Uma delas é que é preciso desconstruir a ideia de que estudar à distância é mais fácil por ser mais barato e ainda por supostamente não existir controle. Além da correta orientação vocacional e o maior domínio da escrita e das tecnologias, a modalidade também exige maior pontualidade no cumprimento de prazos”, explica.
Nesse sentido, o pedagogo explica as diferenças do aluno nas duas modalidades, presencial e remoto. Enquanto na primeira o estudante está acostumado a ter a presença do professor, no ensino remoto é importante revisar esse entendimento, já que a plataforma está lá para registrar o ensino, mas não substitui o professor. Por isso é preciso ter menor dependência do docente.
Considerando os riscos acadêmicos de não se manter o foco no EaD, listamos algumas habilidades e hábitos cruciais ao estudante que opta por estudar remotamente.
1. Ter um ambiente de estudos adequado
É comum que pessoas que desejam estudar à distância imaginarem que a maior flexibilidade da modalidade possa permitir uma total ausência de controles com relação à disciplina no ensino. Mas estudar em qualquer lugar não significa estudar em qualquer ambiente.
Salvo exceções, o aluno que opta por essa modalidade precisa se organizar e providenciar um ambiente de estudos, com todas as características necessárias para se manter o foco no EaD. Isso inclui ambiente calmo, silencioso e confortável.
É importante selecionar um ambiente adequado em casa ou no trabalho, com equipamentos corretos, poltrona confortável, iluminação adequada e bem arejado. Um ambiente mais em contato com a natureza, se possível, também colabora para o melhor rendimento acadêmico.
2. Estar atento à conectividade e dispositivos eletrônicos
Parece básico, mas os equipamentos adequados podem fazer toda a diferença quando o objetivo é manter o foco no EaD. Isso porque um dispositivo eletrônico como um computador – seja de mesa ou notebook – ou um tablet, quando não bem configurado, desatualizado, ou com defeito pode facilmente minguar qualquer rotina de estudos.
O importante manter dispositivo adequado, com boas configurações, navegação fácil e rápida, softwares de apoio e câmera de qualidade. Além disso, esse dispositivo deve estar sempre à disposição imediata do acadêmico, com o cuidado ao utilizá-lo também para fins não educativos.
Em casos de uso de telefones celulares, é preciso estar atento para que seu manuseio não atrapalhe a rotina de estudos com distrações de redes sociais e notificações diversas, sendo recomendado silenciar esses aplicativos durante o período. Para algumas pessoas a melhor opção poder ser mesmo evitar seu uso como um todo.
Outra questão importante é a conexão à internet, que deve ser de velocidade e estabilidade adequados. Qualquer problema de conectividade pode trazer fortes prejuízos à rotina acadêmica.
3. Criar uma rotina
Se a flexibilidade é uma das vantagens do ensino a distância, a previsibilidade é amiga do bom rendimento acadêmico, ao menos em relação à rotina. Para manter o foco no EaD é crucial ter uma rotina de estudos adequada às necessidades acadêmicas, pessoais e profissionais do estudante.
Por isso, reservar um horário específico dentro de uma rotina bem estruturada é essencial para se conseguir cumprir os requisitos acadêmicos, além de adaptar-se às necessidades do dia a dia. Isso se torna ainda mais relevante quando se nota a exigência da maior disciplina na modalidade remota, já que não há a imposição da presencialidade.
4. Acompanhar a grade de aulas e trabalhos
Manter uma rotina de estudos e revisões da matéria é fundamental, mas acompanhar a grade de aulas é imprescindível. Se houver possibilidade de acompanhar as aulas ao vivo, mesmo quando não obrigatório, os resultados podem ser ainda melhores. Além disso, estar atento ao cronograma de aulas é crucial para o devido acompanhamento das matérias.
A interação durante as aulas, que já é muito importante na modalidade presencial, torna-se ainda mais relevante no EaD, pois ajuda no foco e nas dinâmicas de aprendizagem, e demonstra ao professor o interesse e a atenção pelo conteúdo.
O mesmo vale para os trabalhos e outras atividades, que precisam ser entregues nas datas estipuladas, assim como provas e avaliações. Participar de fóruns e monitorias, e buscar tutoriais também fazem a diferença.
5. Reunir as dúvidas
Ao contrário da modalidade presencial, em que as dúvidas que surgem em sala podem ser diretamente resolvidas pelo docente, no ensino remoto isso nem sempre é uma realidade. Além da distância do professor, nesse modelo de ensino as atividades e trabalhos fora das aulas ganham ainda mais protagonismo.
Por isso, para manter o foco no EaD, é essencial que o estudante anote suas dúvidas que surgirem, e esteja em contato com o docente sempre que possível. Esse hábito auxilia bastante no aprendizado, e ajuda a não acumular problemas que podem se tornar bolas de neve no futuro. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
5 dicas para elaborar seu currículo para estágio
O pontapé inicial para uma carreira de sucesso passa por um currículo que apresente o estudante de forma coesa e fisgue a atenção das empresas
Parte fundamental da graduação universitária passa pelo estágio, a primeira experiência do estudante no ambiente profissional. Lá o aluno tem espaço aberto e seguro para aprender na prática, errar e questionar. Mas para ter acesso a esse ambiente é preciso antes ser selecionado por uma empresa. Por se tratar de uma experiência nova, muitos universitários se sentem inseguros e não sabem como fazer um currículo para estágio.
Não é tarefa simples se apresentar para o mercado profissional, e os processos seletivos podem ser complexos e concorridos. No entanto, com o currículo para estágio bem preenchido, as chances de ser efetivado são consideravelmente mais altas. Isso demonstra o poder que um bom currículo tem no processo seletivo.
A coordenadora de Gente e Gestão do Ecossistema BRAS Educacional, Thais de Paula, explica que há regras básicas e diferenciais que destacam o candidato no processo seletivo. “Há os dados básicos de praxe, a formação acadêmica e os cursos complementares. Outra informação muito válida é se houve participação em algum projeto da instituição que cursa. Isso pode ser um diferencial competitivo”, revela.
Considerando o início de semestre como um dos melhores momentos para buscar uma nova oportunidade, deixamos abaixo 5 dicas para elaborar um bom currículo para estágio. Como existem regras básicas a todos os currículos – cabeçalho, fontes legíveis, informações mais recentes primeiro e agrupar tudo em apenas uma página – vamos focar aqui no conteúdo desse material.
- Evidencie seu objetivo
Seu cartão de visitas para o recrutador, o objetivo profissional tem a responsabilidade de descrever quem você é e deixar claro o que você busca. A finalidade é que a empresa já saiba de início seu perfil e o que procura.
Uma boa dica é se descrever como estudante universitário, colocar seu curso e os seus objetivos com o estágio, que passam pelas áreas que deseja atuar e objetivo de aprender e se desenvolver profissionalmente – a grande finalidade do estágio.
Mas isso tudo de forma resumida, sem textos enormes, e de preferência que não ultrapasse duas linhas. É como se fosse a descrição que você coloca no seu perfil de redes sociais, só que com perfil profissional.
- Destaque sua formação
Se você busca um estágio, é óbvio que está em formação. Por isso, é extremamente importante deixar clara sua formação universitária, com o nome da instituição, curso, início e previsão de encerramento da graduação.
Outros cursos, como possíveis formações anteriores, também são muito relevantes. Além disso, os cursos técnicos e complementares são fortes atrativos. Sua formação no ensino médio também pode ser válida.
- Invista nas suas habilidades
Nem só de cursos relativos à sua área de formação se trata o currículo para estágio. Existem habilidades universais que todas as empresas buscam. Um nível avançado de Excel, por exemplo, é um bom destaque.
Outra habilidade que pode fazer brilhar os olhos do seu recrutador são os idiomas estrangeiros. Inglês e espanhol são os mais comuns, mas outros idiomas também são forte diferencial, por isso vale destacá-los.
Com sua experiência na área de seleção, Thais de Paula argumenta que hoje são extensas as possibilidades de se expandir as atividades profissionais por meio de plataformas digitais. “Pode-se investir em cursos de curta duração, porque hoje há várias formações gratuitas e que agregam conhecimento”, explica a profissional.
- Atividades extracurriculares e outras experiências profissionais
Lembre-se que outras experiências profissionais podem ser forte diferencial no processo seletivo. Se você já teve uma experiência anterior com estágio, não deixe de destacá-la. Outras atividades profissionais desempenhadas fora da área de formação também são importantes, já que demonstram possível amadurecimento profissional.
Mas tendo experiências profissionais ou não, as atividades extracurriculares desempenham um papel extremamente relevante para destacar você na seleção. Elas demonstram que você se dispôs a participar de uma atividade de formação voluntariamente, sem obrigações de cumpri-las.
Thaís explica que essas atividades agregam forte valor ao currículo para estágio. “Valorizo muito, durante o processo de triagem, as formações extracurriculares, e se houver algum envolvimento em projetos acadêmicos. Isso demonstra que estudante tem pró-atividade”.
- Revisar antes de enviar
Parece básico, mas revisar o currículo para estágio é extremamente importante. Além de ser um material crucial no processo de seleção, que funciona como apresentação pessoal, o currículo também agrega muitas informações, o que pode induzir a erros.
Os erros gramaticais são muito comuns de serem encontrados em currículos, muitas vezes não por falta de conhecimento, mas justamente por desatenção ou erros de digitação. Outro erro comum são os de formatação, que podem desconfigurar os textos. Erros como esses geralmente são fatais nas seleções.
Outras informações que merecem atenção são as datas e outros dados de formação e experiências profissionais. Lembre-se que o recrutador estará atento a tudo que você fornecer como informação, e caso não haja clareza, ou mesmo existam inconsistências, ele não deve classificar seu currículo de estágio para etapas de posteriores.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)