Rotina saudável de estudos: 5 dicas alimentares para estudar mais e melhor

Rotina saudável de estudos: 5 dicas alimentares para estudar mais e melhor

Entenda como a nutrição e estudos devem andar de mãos dadas

É comum que, quando precisamos nos debruçar sobre os livros, pensemos em uma rotina saudável de estudos. Ela deve envolver, antes de qualquer coisa, muito tempo disponível para entrar a fundo no conteúdo, afastar distrações e manter a constância. Mas não são só as horas estudadas que remetem a bons resultados finais: nutrição e estudos têm muito mais em comum do que muitos imaginam. 

Vale lembrar que, para se alcançar a excelência, é preciso antes de tudo manter uma rotina saudável de estudos, e isso deve incluir, entre outras coisas, boas horas de sono, momentos de descanso, exercícios físicos diários e também uma boa alimentação. É entendendo a conexão entre nutrição e estudos que separamos aqui no blog algumas dicas. 

Para listar essas dicas, contamos com o apoio da nutricionista e coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário UniBRASÍLIA de Goiás, Lionora Francisca. Ela explica que a relação entre a nutrição e estudos são acompanhados de perto por vários especialistas da área. “Grandes nomes da Nutrição evidenciam a importância de hábitos alimentares saudáveis para o pleno funcionamento cognitivo. Uma alimentação adequada desempenha um papel crucial na manutenção da concentração, na memória e na capacidade de aprendizado”, revela.

  1. Ômega-3

Investir em uma rotina saudável de estudos também é estar atento ao pleno funcionamento cognitivo e do cérebro em geral. Por isso, a docente explica que alimentos ricos em Ômega-3 são fundamentais para a saúde cerebral. 

“Esses alimentos contribuem para a formação de neurônios e a transmissão eficiente de impulsos nervosos, essenciais para absorver e reter informações”, argumenta Lionora.

Entre os alimentos que são ricos nesses ácidos graxos estão as nozes, os peixes e a semente de linhaça.

  1. Alimentação equilibrada em nutrientes

Se para muitos a relação entre nutrição e estudos não está tão clara, é imprescindível observar o devido equilíbrio e variedade de nutrientes para que se obtenha bons resultados. 

Uma dieta balanceada, repleta de frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras deve fazer parte de qualquer rotina saudável de estudos. Esses alimentos fornecem os nutrientes essenciais para a manutenção da energia ao longo do dia, evitando picos de açúcar no sangue que poderiam levar a quedas de concentração.

  1. Atenção aos hábitos alimentares

Não é só sobre o que se come, mas também da maneira que esses alimentos são ingeridos. Lionora explica que fazer pequenas refeições ao longo do dia, em intervalos regulares, também é importante numa rotina saudável de estudos.

“Esse hábito mantém o nível de glicose estável no sangue, garantindo um fornecimento constante de energia ao cérebro”.

  1. Fuja dos ultraprocessados

No âmbito da ligação entre nutrição e estudos, é fundamental entender que os ultraprocessados não prejudicam somente a saúde física, como também a mental e cognitiva. “Evitar alimentos altamente processados e ricos em açúcar é uma recomendação unânime entre os especialistas”,revela a educadora.

A explicação é que esses alimentos tendem a causar flutuações drásticas nos níveis de açúcar, afetando negativamente a concentração e a produtividade, tudo que quem deseja uma rotina saudável de estudos não pode ter.

Estão na lista desses alimentos grande parte dos produtos industrializados, refrigerantes e ainda alimentos de redes de fast-food. 

  1. Mantenha-se hidratado 

Parece óbvio, mas não há como manter uma rotina saudável de estudos sem a devida ingestão de água. É que o bom funcionamento do corpo depende fortemente do consumo adequado dela, e isso se reflete fortemente nas funções cognitivas do estudante.

“A hidratação adequada não deve ser subestimada. Estudos demonstram que a desidratação pode prejudicar a função cognitiva, diminuindo a capacidade de foco e memória. Portanto, manter-se bem hidratado é tão importante quanto escolher os alimentos certos”. 

(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação do Ecossistema BRAS Educacional)

Vantagem no currículo: o diferencial de um idioma estrangeiro

Vantagem no currículo: o diferencial de um idioma estrangeiro

Ser fluente em algum idioma estrangeiro é forte diferencial em processos seletivos, de acordo com especialistas de recursos humanos 

Em um mundo profundamente conectado, é difícil não ser impactado diariamente pela presença de algum idioma estrangeiro. Em músicas e séries, conteúdos jornalísticos, conversas com amigos e familiares que vivem no exterior, e também nas relações profissionais. É muito difícil hoje encontrar alguma profissão em que a presença do inglês, espanhol ou outro idioma não tenha uma forte importância. 

É pensando ainda no ponto de vista profissional que a fluência em idioma estrangeiro torna-se um diferencial. Isso porque, para muitas empresas, é fundamental que seus colaboradores tenham conhecimentos para além de sua língua materna. Assim, profissionais fluentes – ou ao menos com nível avançado – passam na frente quando estão participando de processos seletivos. 

Além de ser um forte atrativo em processos seletivos, os especialistas também apontam que ter conhecimento em idioma estrangeiro também dá ao profissional outras vantagens, como a possibilidade em buscar vagas com salários melhores, poder ter experiências profissionais em outros países, ter facilidade em educação e profissionalização e ainda maior possibilidade de comunicação com profissionais internacionais, estimulando a rede de contatos. 

De acordo com uma pesquisa realizada pelo site recrutador Catho, ter fluência em um idioma estrangeiro pode elevar em até 52% o salário dos profissionais em comparação com outros colegas de profissão e mesmo nível hierárquico que não tem essa habilidade. Um outro levantamento do British Council revelou que apenas 1% da população brasileira é fluente em língua inglesa. 

Saindo na frente

A analista de Gestão de Pessoas do Centro Universitário UniBRAS Rio Verde, Cassia Garcia Cabral é unânime em reforçar a presença do idioma estrangeiro no currículo. Atuante na seleção de pessoas, ela entende que aqueles que já possuem fluência em alguma língua além do português estão na frente nos processos seletivos.

“O inglês avançado já é fundamental, e não só o básico. Muitos candidatos possuem um nível avançado em conhecimentos da área, mas acabam não sendo selecionados por não terem conhecimento em língua estrangeira”, aponta. 

A profissional explica que o avanço de multinacionais na economia brasileira, inclusive com a forte presença de investimentos chineses no país, tem promovido uma verdadeira busca a profissionais com fluência em língua estrangeira, que não se resume só ao inglês, nem só aos grandes centro urbanos – há forte busca em cidades do interior também.

“Praticamente em todas as áreas hoje o idioma estrangeiro é exigência, mas serviços na área de tecnologia e no campo do agronegócio têm sido fortemente impactados por essas exigências”.

Entre os idiomas mais buscados, Cássia explica que o inglês e o espanhol são predominantes, mas o francês, alemão e até o mandarim têm tido forte busca. Demonstrando isso, ela diz que recentemente, na cidade vizinha de Itumbiara (GO), uma gigante chinesa da área da energia limpa se instaurou, abrindo muitas vagas, e todas tinham exigência de inglês fluente. 

Novas possibilidades 

Se antes, para alcançar a fluência em um idioma estrangeiro, os profissionais precisavam se deslocar até um curso com frequência semanal e horários pré-determinados, hoje isso não é mais obrigatoriedade. É que as novas tecnologias abriram também novas possibilidades, como aulas on-line, e com frequência e horários flexíveis, se adaptando à rotina do profissional. 

Há inclusive a disponibilidade de cursos gratuitos, ou mesmo a possibilidade de se treinar com nativos, favorecendo o desenvolvimento da conversação. 

Mas se você já venceu os processos seletivos, e ainda busca a fluência no idioma estrangeiro para incrementar seu currículo e melhorar seu desempenho profissional, muitas empresas disponibilizam plataformas de ensino para seus colaboradores, e vale a pena estar atento! O que não vale mais é perder oportunidades por falta de conhecimento. 

(Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação do Ecossistema BRAS Educacional)

Abuso de medicamentos psicotrópicos: entenda os riscos

Abuso de medicamentos psicotrópicos: entenda os riscos

Largamente difundidos na comunidade acadêmica, medicações psicoestimulantes não devem ser utilizadas sem acompanhamento médico

Estudar nem sempre é fácil. São muitos os obstáculos para que se mantenha uma rotina de estudos ordenada, eficaz e que traga resultados. Com o maior uso de dispositivos eletrônicos que roubam nosso foco cotidianamente, a tarefa fica ainda mais difícil. Por outro lado, conforme já mencionamos aqui no blog, a comunidade acadêmica tem passado por outros desafios no campo da saúde mental. É nesse cenário que o abuso de medicamentos psicotrópicos tem se tornado tema de atenção entre especialistas

Medicamentos como Venvanse e Ritalina – tradicionalmente indicados para melhorar a cognição de pacientes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) – têm sido defendidos na internet como eficientes na melhora de resultados, com aumento indiscriminado nas vendas.

Já os antidepressivos, ansiolíticos – como o famoso Rivotril – e estabilizantes de humor têm tido um papel chave no cotidiano de estudantes e docentes que convivem com quadros de adoecimento mental em uma comunidade acadêmica estressada. Com a pandemia, o abuso de medicamentos psicotrópicos disparou. De acordo com dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF), a venda desses medicamentos aumentou em 36% no período entre 2019 – antes da pandemia – e 2022.

Mas o abuso de medicamentos psicotrópicos é perigoso, e pode trazer graves consequências quando administrado sem acompanhamento médico. Além disso, é sempre importante investigar as causas dos desconfortos mentais antes de recorrer de forma direta à medicação, sendo a psicoterapia um acompanhamento de peso no tratamento.

Risco de dependência

Antes de optar por fazer o uso de medicamentos desta natureza, é sempre importante entender que seu uso indiscriminado traz graves riscos à saúde. No caso dos psicoestimulantes e muitos ansiolíticos, há já na caixa do medicamento a chamada “tarja preta”, indicativo de que a substância deve ser utilizada com cuidado, pois apresenta o risco de dependência física e psíquica.

De acordo com a farmacêutica e docente do curso de Farmácia do Centro Universitário UniBRASÍLIA de Goiás, Elaine Cristina dos Santos, é preciso estar atento ao uso dos medicamentos tarja preta. “São fármacos que atingem diretamente o sistema neurocentral, e por isso podem causar dependência. Para comprá-los, é necessário a prescrição médica e controle da receita, e seu acesso não deveria ser facilitado a qualquer pessoa”.

De acordo com a docente, farmacêuticos que fazem a venda irregular desses medicamentos podem ser penalizados, já que todas as vendas devem passar pelo Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), podendo o profissional, em casos extremos, até ser preso. Essas medidas visam evitar o abuso de medicamentos psicotrópicos.

“Com as pesquisas que temos, o abuso de medicamentos psicotrópicos pode acarretar em diversos tipos de sintomas, como irritabilidade, ansiedade, alteração de humor, convulsões, arritmias, e risco de dependência física e psicológica”, alerta.

A docente também expõe o crescimento no consumo das “smart drugs”, substâncias que têm efeito direto sobre a cognição dos usuários, dando uma acelerada nos resultados e sendo amplamente utilizadas por executivos, médicos e também estudantes. Entre eles está a flibanserina, um tipo de antidepressivo utilizado no tratamento de síndrome de desejo sexual hipoativo em mulheres, mas que vem se popularizando na comunidade acadêmica.

Como farmacêutica, Elaine faz um alerta para quem faz o abuso de medicamentos psicotrópicos. “É importante procurar o profissional competente para orientação desse paciente, para que se faça a investigação clínica, sabendo realmente a necessidade do uso desse fármaco, a dosagem correta e seu devido acompanhamento médico”, argumenta.

Ela também explica que o acompanhamento é importante para entender se o fármaco está fazendo o efeito desejado, e se está tendo efeitos adversos. “É necessário ainda o acompanhamento do psicólogo e psiquiatra para que se obtenha sucesso no tratamento. Nós temos comprovação científica do sucesso desses fármacos, mas com o devido acompanhamento multiprofissional”.

femininas maos segurando pilula e vidro agua vista closeup scaled - Abuso de medicamentos psicotrópicos: entenda os riscos

Female hands holding pill and glass of water, woman taking supplements or antibiotic antidepressant painkiller medication to relieve pain headache, contraception side effects concept, close up view

(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação do Ecossistema Brasília Educacional)

UniBRASÍLIA de Goiás inicia aulas de ENEM em parceria com a CRE de SLMB

UniBRASÍLIA de Goiás inicia aulas de ENEM em parceria com a CRE de SLMB

No último sábado, dia 19 de agosto, o Centro Universitário UniBRASÍLIA de Goiás deu um grande passo ao iniciar as aulas de preparação para o ENEM em parceria com a CRE (Coordenação Regional de Ensino) de São Luís de Montes Belos. O evento aconteceu no auditório da instituição e contou com a participação de algumas estrelas do nosso corpo docente.

A jornada começou com a calorosa apresentação do nosso Reitor, o Professor Antônio Florentino. Suas palavras foram repletas de boas-vindas e incentivo, marcando o tom inspirador do evento. Em seguida, tivemos a honra de receber o Professor Gisley Brito, renomado no grupo de docentes da instituição, para uma aula de Física repleta de conteúdo e aprendizado.

O impacto foi notável, já que recebemos um total de 188 estudantes provenientes tanto da rede pública quanto da privada de São Luís de Montes Belos e das cidades circunvizinhas. Essa parceria com a CRE visa não apenas preparar esses jovens para um dos momentos mais importantes de suas trajetórias educacionais, mas também reforçar o compromisso do UniBRASÍLIA em contribuir com a educação e desenvolvimento da região.

O evento foi marcado por entusiasmo, participação ativa e a busca pelo conhecimento. A união de esforços entre a instituição e a CRE reflete nosso desejo de promover a educação de qualidade e de ampliar oportunidades para os alunos da região.

O Centro Universitário UniBRASÍLIA de Goiás reitera seu compromisso com o desenvolvimento educacional e continuará a colaborar de forma significativa com a formação acadêmica e cidadã dos estudantes da região.

 

Promovendo bem-estar: parcerias do UniBRASÍLIA de Goiás levam informações à comunidade

Promovendo bem-estar: parcerias do UniBRASÍLIA de Goiás levam informações à comunidade

O Centro Universitário UniBRASÍLIA de Goiás tem se destacado na busca por promover o bem-estar e a qualidade de vida da comunidade local por meio de parcerias municipais. Recentemente, em uma iniciativa de grande sucesso, a instituição participou da 1ª edição da SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho) na Policlínica Ismael Alexandrino Pinto, com uma palestra ministrada pela Psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UniBRASÍLIA, Profª Me. Carolina Almeida Alves Ferreira.

A participação em eventos como a SIPAT é uma oportunidade ímpar para levar informações importantes à comunidade, visando melhorar a qualidade de vida dos colaboradores e, por extensão, de seus familiares e da população em geral. A palestra abordou temas relevantes relacionados ao bem-estar mental, saúde emocional e estratégias para lidar com desafios cotidianos.

Através de uma abordagem empática e embasada em conhecimentos científicos, a Profª Carolina Alves Ferreira enfatizou a importância de cuidar da saúde mental, especialmente em tempos de mudanças e incertezas. A palestra ressaltou a relevância do acolhimento emocional, identificando sinais de estresse e ansiedade, e apresentou técnicas práticas para o enfrentamento de situações adversas.

Essa parceria com a Policlínica Ismael Alexandrino Pinto demonstra o compromisso do UniBRASÍLIA em ser um agente transformador na comunidade, atuando além dos limites acadêmicos. Através do compartilhamento de conhecimento e expertise, a instituição reafirma seu papel como promotor do bem-estar e da saúde integral.

A presença do UniBRASÍLIA de Goiás em eventos como a SIPAT é parte integrante de uma abordagem mais ampla e inclusiva da educação, que não se limita apenas às salas de aula. Através dessas parcerias, a instituição se torna uma aliada na busca por uma sociedade mais informada, consciente e equilibrada.

Parabenizamos a Psicóloga e coordenadora Profª Me. Carolina Alves Almeida Ferreira pelo engajamento e dedicação em levar informações valiosas à comunidade. O UniBRASÍLIA segue comprometido em continuar contribuindo para o desenvolvimento e bem-estar de todos.

Mulheres: quando o assunto é equidade, onde estamos?

Mulheres: quando o assunto é equidade, onde estamos?

Números colocam em cheque visão de que estamos avançados em garantir os direitos femininos 

Parece não ser muito palatável hoje, do ponto de vista da percepção social majoritária, elencar discursos de superioridade masculina de forma aberta e irrestrita. Embora o sexismo ainda exista – e incomode muita gente, séculos de luta feminista parecem ter cooptado a opinião pública o bastante para derreter argumentos assumidamente machistas e contra os direitos das mulheres. De forma direta, se levantar contra os direitos femininos parece retrógrado, e por isso, sujeito a desprezo e rejeição.

Mas se a visão for ampliada, não é difícil perceber claras exceções à regra. Todos os dias, mulheres de todas as partes do mundo, mesmo das regiões mais progressistas, estão sujeitas ao preconceito, à discriminação e à discursos de ódio. Para além dos exemplos absurdos de exploração, assédio e abusos, e de forma mais contida, dos malefícios do preconceito velado, baseado em suposições infundadas, que precisam ser desconstruídas; não é difícil perceber que, por trás de discursos aparentemente avançados, existe ainda um abismo quando o assunto é equidade entre homens e mulheres.

No debate sobre a situação das mulheres, a Organização das Nações Unidas (ONU) provocou espanto há algumas semanas ao apontar que, para um perfeito equilíbrio entre homens e mulheres no planeta, no ritmo empregado atualmente, serão necessários cerca de 300 anos. A conclusão da instituição vem na esteira de novos estudos que apontam desigualdades estrondosas, falta de acesso à educação e meios de comunicação, como a internet; além de hábitos sexistas, abusivos e excludentes e políticas públicas discriminatórias, muitas vezes reforçadas pelo fundamentalismo religioso. 

Os estudos da ONU apontam uma desaceleração na implementação de equidade de gênero, sobrepondo os saltos da segunda metade do século 20 à uma leniência desses mesmos avanços nas primeiras décadas do século 21. A conclusão é que estamos retrocedendo, e isso é o inverso da percepção social e da ideia vendida pelos setores público e privado.

 

Números 

Detalhando melhor seu estudo, o documento da ONU aponta fatores que travam o avanços em relação ao equilíbrio entre os gêneros. Cita explicitamente a situação das mulheres no Afeganistão, sob o regime do talibã; o retrocesso de direitos reprodutivos e sexuais, e a fraca inclusão de mulheres no mercado de trabalho, inclusive em áreas muito importantes para a inovação tecnológica.

Olhando de forma mais específica para o Brasil, a equidade também é uma pauta espinhosa. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio Contínua (PNAD) de 2019, as mulheres formam 51,8% da população brasileira. No entanto, de acordo com estudo da FGV, em 2021, a taxa de ocupação feminina no mercado de trabalho era cerca de 20% inferior que a masculina.  

O mesmo acontece no espectro político: enquanto as mulheres brasileiras formaram cerca 53% do eleitorado no pleito de 2022, elas representaram somente 33% dos candidatos, e  18% dos parlamentares eleitos. Sendo maioria dos eleitores desde os anos 1990, e apresentando crescimento de 2,2% no número de candidaturas femininas em 2022, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), essa alta está apresentando sinais de enfraquecimento, considerando que o crescimento foi de 13,3% de 2014 a 2018, e de mais de 60% no período entre 2010 e 2014. 

No poder executivo, a gestão atual apresenta o recorde de 11 ministras, mas longe das 19 que seriam necessárias para ter igualdade aos homens num universo de 38 ministérios. Dos 38 chefes de Estado do Brasil até hoje, entre eleitos democraticamente ou empossados por movimentos revolucionários, golpes ou ditaduras, houve somente uma mulher. No Judiciário, o Superior Tribunal Federal tem somente 2 ministras, com outros 9 ministros homens. 

Mesmo sendo maioria na educação, com a virada verificada na década de 1990, elas ainda se destacam menos que os homens, ainda que mais qualificadas. Em 2020, quase 668 mil mulheres concluíram uma graduação no ensino superior no país, contra cerca de 260 mil homens, de acordo com o Ministério da Educação. Porém, segundo o IBGE, somente 23% dos cargos de diretoria e gerência no país são ocupados por elas. 

Ainda de acordo com estudos da consultoria IDados, com base nos estudos do IBGE, mulheres ganham cerca de 20% menos que os homens no país. Para efeito de comparação, é como se, todos os anos, as mulheres trabalhassem cerca de 74 dias de graça, exercendo o mesmo cargo e as mesmas funções que os funcionários masculinos. Segundo o relatório Global Gender Gap Report 2020, do Fundo Monetário Internacional, o Brasil ficou na 130ª posição dentre 153 países quando o assunto foi igualdade salarial entre homens e mulheres. 

 

Desigualdade como regra

Interpretar os números pode parecer difícil, mas é importante entender também o histórico de desigualdades que as mulheres enfrentaram. Desde o início da humanidade, a maioria das civilizações trataram as mulheres com inferioridade. E foi assim também nas sociedades ocidentais. Desde a antiguidade, por exemplo, nas primeiras democracias, sejam a grega ou a romana, as mulheres não eram consideradas cidadãs. Nas idades média e moderna o quadro não foi diferente. 

“Desde as primeiras revoluções burguesas, seja a Revolução Francesa, a Industrial na Inglaterra e a guerra civil americana, em que começaram a surgir o conceito de que todos são iguais perante a lei, esse todos não incluía as mulheres”, explica Fernanda Ferreira Carvalho, mestre em Direito e professora na disciplina de Direito Processual Civil na UniBRAS Santa Inês. De acordo com ela, mesmo dentro do conceito de igualdade, existia um recorte que não incluía mulheres, e muitas vezes também havia recortes de raça, sendo considerados como cidadãos somente homens brancos e proprietários de terra. 

Exemplificando essa exclusão histórica, a professora cita o caso da revolucionária francesa Olympe de Gouges. Apesar das mulheres das camadas mais populares terem puxado a multidão ensandecida da capital francesa até o Palácio de Versalhes, residência oficial do monarca francês, invadindo seus aposentos e obrigando que ele assinasse a chamada “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, que dava à todos os direitos sociais e políticos igualitários, as mulheres não foram formalmente agraciadas pela “liberdade, igualdade e fraternidade” pregados como ideais do movimento. 

Todos esses direitos na verdade abrangiam somente os cidadãos do sexo masculino, e as mulheres revolucionárias foram duramente reprimidas, inclusive suas organizações políticas, e empurradas para atividades domésticas. Olympe de Gouges, no entanto, questionou fortemente essa incoerência, publicando a “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”, um manifesto que expunha fortemente o esquecimento e desprezo da socidade em reação às pessoas do sexo feminino. 

Mesmo apesar da posição social privilegiada, de Gouges não conseguiu levar o ativismo adiante. “Quando ela exigiu da Assembleia Nacional que os mesmos direitos dos homens também deveriam se estender às mulheres, ela foi guilhotinada”, conta a professora. Para ela, essa não foi a única vez que os avanços sociais não reconheceram as mulheres como cidadãs, apontando que os direitos das mulheres sempre são reconhecidos de forma tardia. 

“Quando as mulheres puderam votar no Brasil, elas precisavam de autorização dos pais ou maridos e sua solicitação era apreciada por um juiz, quem decidia se ela poderia mesmo votar”. Assim, só quando a mulher provasse que era, de fato, estudada e influente, seu direito era permitido. “Isso expôs um recorte em que mulheres não educadas, de famílias pobres e não brancas não tinham o direito ao voto”, explica Fernanda.

Esse universo em que homens e mulheres não compartilham de igualdade também diz respeito ao espaço que a sociedade coloca os papéis de gênero, de acordo com a professora Carolina Almeida, psicanalista e docente da UniBRASÍLIA Goiás, em São Luís dos Montes Belos. Trazendo o olhar de Freud, ela explica que o teórico não falava em gênero, mas baseava seus estudos na sexualidade humana, que considerava complexa e não limitante à anatomia do corpo. “Ser homem ou ser mulher é uma construção. A sociedade cria uma identidade baseada em estereótipos”, argumenta.

“Com base em dualidades normativas, se eu sou mulher, de acordo com a sociedade, preciso ser o sexo frágil, passiva, emotiva, e honrar o homem”. Por outro lado, ela explica que o homem é visto como mais racional, mais forte. “Essas identidades normativas causam uma série de sofrimentos no sujeito, incluindo essa desigualdade de direitos. No caso das mulheres, é como se, por elas passarem pela gestação, fossem sinônimos de atraso nos locais em que ocupam”. 

Nesse cenário normativo, a solução vista pela psicanálise é evidenciar que homens e mulheres conseguem ocupar os mesmos espaços, apesar das diferenças anatômicas, abrindo assim eventuais fronteiras que impedem que os gêneros possam alcançar a equidade. “Por vivermos em uma sociedade cristã, burguesa e misógina, a própria religião barra essa discussão”, conta. 

“O caminho pela igualdade passa por trazer um convívio entre as pessoas, independente do gênero delas, onde todas possam não fundamentar suas vidas em torno de um poder central, de uma sociedade tirânica que oprime nossos desejos, mas sim discutir e organizar espaços de igualdade de direito e escolhas. Dessa forma, podemos estabelecer vivências singulares e subjetivas, onde todos podem viver de acordo com suas próprias escolhas, não se submetendo às escolhas alheias”. 

 

(Texto: Bruno Corrêa/ Revisão: Maria Carolina Santana – Assessoria de Comunicação do Ecossistema Brasília Educacional)

360_F_573438895_TLXWmRGWverTggb5DGxdff9qPJxx6zzy

O Centro Universitário UniBRAS Montes Belos utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Com esta autorização estamos aptos para coletar tais informações e utilizá-las para tais finalidades. Você pode consultar nossa política de privacidade e política de cookies.