Saúde mental e produtividade: entenda essa conexão em 5 pontos 

Saúde mental e produtividade: entenda essa conexão em 5 pontos 

Como ter uma mente saudável te ajuda a estudar melhor 

Pensar em bem-estar mental como algo essencial para a saúde e qualidade de vida é um fator por si só muito importante para qualquer indivíduo. Mas para aqueles que tem uma vida acadêmica ou profissional agitada, as conexões entre saúde mental e produtividade são um motivo a mais para o cuidado da mente, alertam especialistas em centenas de estudos recentes.  

O sofrimento mental acompanha a rotina de cerca de 1 bilhão de pessoal no mundo todo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A mesma instituição, junto à Organização Mundial do Trabalho (OIT), faz um alerta quanto às ligações entre saúde mental e produtividade, já que afastamentos no trabalho por ansiedade e depressão trazem prejuízos de mais de 1 trilhão de dólares por ano.  

Fatores de adoecimento mental e estresse, quando comparados ao desempenho acadêmico e profissional, traçam uma clara relação entre saúde mental e produtividade. Por isso especialistas enfatizam que quanto melhor o estado de saúde – física e psicológica – melhores os resultados de produtividade, afetando diretamente a satisfação pessoal, a carreira, a sustentabilidade financeira e a autoestima. 

A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UniBRAS Quatro Marcos, Aline Ester, explica que a saúde mental é responsável pela organização da nossa existência e personalidade, e é base para o desenvolvimento, aprendizagem, personalidade e comportamento do indivíduo. Nesse sentido, quando a saúde mental está prejudicada, toda a estrutura também se vê prejudicada.  

“Quando a saúde mental está comprometida, as habilidades, comportamentos, a personalidade e a capacidade de aprender e se desenvolver também estão em risco. Assim, a pessoa pode ter dificuldades no trabalho, no estudo, nos relacionamentos e até no autocuidado. Também pode afetar diretamente em habilidades cognitivas, como atenção, foco, concentração e até na memória”, argumenta.  

A também psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UniBRAS Rio Verde, Simone Pereira, coincide sobre a relação entre saúde mental e produtividade. Ela argumenta que as alterações mentais e emocionais afetam a cognição de maneira direta, e não só o humor do indivíduo.  

“São respostas químicas, neurológicas. Quando há o adoecimento mental, ocorrem alterações sinápticas, afetando a cognição. Isso gera prejuízos no funcionamento do pensamento, na atenção, concentração e no foco. Há lentidão no processamento de informações”, relata a profissional. 

Para entender melhor como saúde mental e produtividade estão diretamente conectadas, separamos abaixo 5 pontos de atenção entre os dois temas.  

Depressão, ansiedade e reserva cognitiva 

Para além de todos os sintomas desagradáveis do adoecimento mental, há um elo ainda mais profundo entre a saúde mental e a produtividade que é fortemente prejudicada com doenças como ansiedade e depressão: a capacidade cognitiva.  

Pesquisas tem mostrado que pacientes com doenças mentais são afetados em sua capacidade de aprendizado, entendimento e processamento de dados e informações. Isso significa que o bem-estar psicológico está diretamente ligado à capacidade de aprender e estudar melhor, afetando diretamente nossa produtividade.  

Além disso, especialistas notam que a depressão tem o potencial de afetar diretamente a memória, a capacidade reflexiva e a tomada de decisões de pacientes. Pessoas com transtornos de humor podem ter o que os médicos chamarem de brain frog – do inglês “névoa mental”- um estado em que a pessoa tem dificuldades generalizadas no desempenho cognitivo. 

De acordo com estudos publicados no National Institutes of Health – órgão do governo americano para divulgação de pesquisas na área da saúde – até 94% dos pacientes com depressão apresentavam comprometimento cognitivo em episódios de crise, e até 44% deles continuavam com esse comprometimento mesmo quando a doença estava em remissão.  

Não é difícil imaginar que esses sintomas cognitivos afetam diretamente a rotina acadêmica e profissional. Somente em 2025, o Brasil teve mais de 500 mil casos de afastamento do trabalho por causas de adoecimento mental, de acordo com dados do Ministério da Previdência Social.  

Estresse e cortisol 

Se engana quem pensa que somente o diagnóstico de doenças como depressão ou transtornos de ansiedade são capazes de prejudicar sua produtividade: o estresse, mesmo não fechando um diagnóstico, já traz prejuízos à cognição. E a chave está no cortisol, hormônio liberado em situações de estresse.  

A manutenção elevada dos índices de cortisol no corpo tem o efeito de reduzir o hipocampo cerebral, prejudicando funções de memória, tomada de decisões, autocontrole do estresse e na concentração. Em outras palavras, quem se mantém estressado rende menos. Além disso, o estresse crônico pode ser uma antessala para o adoecimento mental. 

Para chegar a essa constatação, pesquisadores do mundo todo investigaram de perto pessoas com elevados índices de estresse e cortisol, e compararam com outras pessoas com rotinas mais calmas. Um desses estudos foi publicado pela Revista Americana de Neurologia, com aproximadamente 2.200 participantes, em que os pesquisadores checavam os níveis matinais de cortisol e os relacionavam à cognição. 

O estudo chegou à conclusão de que quanto maior o nível de cortisol da pessoa, mais afetados eram seus resultados na área da cognição. Uma outra revisão de vários estudos realizados nessa temático e publicado na revista americana Learning & Memory mostrou que a presença de elevados níveis de cortisol danificava a estrutura cerebral e prejudicava funções cognitivas. 

O sono como reconstrutor 

Muitos estudantes têm o hábito de virar noites se dedicando a leituras, produção de trabalhos e estudando para provas. Nesse sentido, se privar de sono parece aumentar a produtividade. No entanto, estudos mostram que o efeito pode ser exatamente o contrário, com a privação de sono afetando justamente na conexão entre a saúde mental e produtividade.  

A falta de uma boa noite de sono já prejudica por si só a produtividade, já que a ausência de horas de sono adequadas – no mínimo 7 horas por noite – afeta diretamente a capacidade de memória e concentração, fatores fundamentais para estudos e trabalho. No entanto há outros dois pontos de destaque: não dormir bem gera estresse, que como vimos acima está diretamente ligado ao aumento do cortisol. 

Se estar estressado já implica diretamente na capacidade cognitiva, o estresse também é um fator direto na manutenção de uma boa saúde mental, que por sua vez também é um fator chave para uma boa cognição. Sendo assim, não ter uma boa higiene do sono gera um fator cumulativo no bem-estar mental e físico. 

Dormir bem ajuda na regulação dos níveis de cortisol no corpo, e auxilia na restauração e manutenção da boa memória, atenção e concentração. Além disso, aumenta os níveis de ocitocina e serotonina no corpo, que estão diretamente ligados ao bem-estar e menor fator de risco de sintomas ansiosos e depressivos.  

Ter horas regulares e suficientes de repouso ajuda na saúde neurológica também, sendo um fator de proteção dos neurônios e processos químicos cerebrais, e tem um papel fundamental na prevenção de demências a longo prazo. Em outras palavras, o sono é restaurador e indispensável para a cognição, saúde física e mental.  

 

Os impactos na memória 

A conexão entre saúde mental e produtividade passa também pela memória, outra área chave da cognição. Pessoas que sofrem com doenças mentais ou estresse se veem prejudicadas na memória de maneira sistemática, com dificuldade em registrar e reter informações, mesmo as mais simples, e também processar informações complexas.  

Isso acontece porque quem sofre de sintomas depressivos ou ansiosos tem o cérebro hiperfocado em sinais de ameaça, o que impede a fixação de informações cotidianas e neutras. Além disso, a sobrecarga de informações de uma pessoa nessa condição atrapalha na retenção de memórias cotidianas.  

A maior concentração de cortisol, o hormônio do estresse, diminui em volume a região do hipocampo, responsável pelo processamento de informações nas memórias episódica e de trabalho. A atenção também é prejudicada pela menor ativação do córtex pré-frontal, enquanto a dinâmica do adoecimento mental tem um viés de foco em memórias estressantes.  

Essa dinâmica toda sobrecarrega o cérebro já alterado, o que também dificulta o registro de novas memórias. Em resumo, a rotina acadêmica e profissional é fortemente afetada, já que a memória é vital para o bom desempenho intelectual. 

Atenção à demanda por produtividade 

Ter uma rotina e hábitos que podem maximizar a produtividade é comum e saudável do ponto de vista da organização de trabalho. No entanto, se exigir ou ser exigido por terceiros constantemente, de maneira exagerada e desproporcional, além de traçar objetivos irrealistas – que não acompanham a real capacidade pessoal – também pode prejudicar a saúde mental e sabotar a produtividade.  

A pressão por alto desempenho pode ter um efeito devastador na saúde mental, com diversos estudos demonstrando altos índices de adoecimento mental em estudantes universitários, principalmente de mestrado e doutorado. No mundo corporativo, casos de burnout e esgotamento tem sido registrados em números recordes, inclusive gerando afastamentos por saúde, como mencionado acima.  

Essa constante relação entre saúde mental e produtividade em ambientes de muita cobrança e excesso de demandas exige um processo de amadurecimento pessoal e institucional. Aqui no blog já falamos de situações de esgotamento no ambiente acadêmico e como evitá-las, na matéria 5 medidas simples para evitar um burnout acadêmico 

Muitas empresas e instituições de ensino têm cobrado de seus líderes maior atenção a exigências irrealistas e perfeccionismo, além de exigirem comportamentos mais éticos – evitando casos de assédio moral. Em ambientes em que as demandas são excessivas e que não há espaço para trocas pessoais e compreensão mútua, a situação pode se tornar insustentável e a produtividade cair drasticamente. 

Já na esfera pessoal, é preciso estar atento às demandas excessivas, com o estabelecimento de metas realistas, e um filtro para diferenciar o que é apropriado do que não é. Isso porque nem sempre professores ou chefes atuam de maneira adequada, e os limites pessoais precisam ser estabelecidos pontualmente.  

Em sentido amplo, é importante ter o amadurecimento psicológico para filtrar essas demandas, diferenciá-las e classificá-las, e principalmente estabelecer limites quando necessário. Assim, é fundamental estar atento ao cenário acadêmico e profissional, e buscar ajuda de um profissional de saúde mental quando necessário. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional).  

Riqueza cultural: coisas que você talvez não saiba sobre o português 

Riqueza cultural: coisas que você talvez não saiba sobre o português 

Com forte influência mundial, língua portuguesa se destaca pela diversidade e relação com diferentes povos  Que o português é uma identidade nacional brasileira, isso você já sabe. Você também deve saber que o português não é um idioma fácil de se aprender para quem não é nativo. Mas com tanta diversidade, e uma comunidade de mais de 300 milhões de falantes, com certeza há coisas que você talvez não saiba sobre o português.   Um idioma latino, como seus vizinhos espanhol, o francês e o italiano, o português surgiu na península ibérica assim como o espanhol, e isso explica por que tanta similaridade. Mas o processo de colonização dos portugueses no Brasil e várias outras regiões do globo fizeram com que ele tomasse nuances únicas, com variações que podem não ser conhecidas por todos os lusófonos.  A letróloga e docente da UniBRAS Santa Inês, Thaís Alves, explica que a língua portuguesa é um dos vários idiomas surgidos na Europa a partir do latim, mais especificamente do latim vulgar, que era utilizado no dia a dia do antigo Império Romano, ao contrário do latim formal, que era padronizado e culto. A região que hoje está Portugal fez parte desse império. “O latim tinha duas ramificações, o clássico e o vulgar. Assim como outras línguas neolatinas, o português se deriva da variante vulgar do latim. Depois disso, o idioma foi trazido pelos europeus ao território nacional na colonização, e o hoje o Brasil faz parte da comunidade dos países lusófonos, que é o termo utilizado para se referir aos países em que o português é idioma nativo”, argumenta.   Para celebrar nosso idioma, deixamos abaixo algumas curiosidades e coisas que você talvez não saiba sobre o português, e também fatos e características linguísticas e históricas relacionadas à nossa língua.
  1. Presença na África e Ásia 
Muito além de Portugal e Brasil, a língua portuguesa é o idioma oficial em mais de sete países: Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Guiné-Equatorial na África, além de Timor-Leste, na Ásia. Além disso, por causa da colonização portuguesa, as regiões de Goa na Índia, e Macau, na China, também tem comunidades lusófonas. Ao todo, são nove países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), totalizando cerca de 300 milhões de falantes mundiais, sendo cerca de 260 milhões de falantes nativos.  É a quinta língua mais falada no mundo, e mais de 80% dos falantes de português são brasileiros, sendo os países africanos com rápido crescimento de falantes devido ao acelerado aumento demográfico. Os portugueses formam pouco menos de 4% dos falantes do idioma mundialmente.
  1. Mais de 30 dialetos
Com centenas de milhões de falantes nativos, não é surpresa que as variações sejam diversas. Ao todo, os linguistas contabilizam mais de 30 dialetos da língua portuguesa diferentes, sendo 16 no Brasil e 10 em Portugal.   Os dialetos mais destacados no Brasil são o mineiro, o gaúcho, o sertanejo, caipira, baiano, nortista, nordestino, carioca e o paulistano.
  1. A similaridade com o galego
Na região autônoma da Galícia, no noroeste da Espanha, o espanhol divide espaço com o idioma galego, ambos cooficiais nesse território. Apesar do espanhol – ou castelhano – ter fortes semelhanças com o português, por razões históricas e geográficas, o galego é quase idêntico ao português, inclusive fortemente próximo ao português falado no norte de Portugal.  A semelhança é tanta, que muitos linguistas consideram os dois idiomas como um só, mas com variantes diferentes. Estudos mostram que o grau de inteligibilidade – compreensão – entre os dois idiomas chega até a 90%, inclusive com falantes brasileiros.  A razão é a origem comum, já que ambos os idiomas surgiram no galaico-português, antigo idioma falado na região antes da formação do Estado de Portugal. No entanto, o português foi difundido pelos continentes com a colonização portuguesa, enquanto o galego ficou restrito à região da Galícia e sofreu repressão e proibições da ditadura franquista na Espanha.
  1. O gerúndio quase ausente em Portugal
Uma das maiores diferenças entre o português europeu e o brasileiro é quando nos referimos a uma ação que ainda está acontecendo. Enquanto no Brasil usamos o gerúndio, em expressões como “estou fazendo” e “estou comendo”, em Portugal é mais comum que se fale “estou a fazer” ou “estou a comer”.  Embora essa não seja uma regra geral, já que alguns dialetos europeus ainda usam o gerúndio, e também devido ao fato de que a imigração e influência cultural brasileira – por meio de músicas, livros, filmes – estão mudando alguns hábitos linguísticos portugueses, o gerúndio em Portugal costuma ser secundário ou formal.
  1. O fronteiriço uruguaio
Séculos de contato e trocas entre brasileiros e uruguaios na fronteira dos dois países criaram um dialeto muito curioso: o Fronteiriço. Nele, há uma mistura de palavras e sotaques do português gaúcho e do espanhol uruguaio (rioplatense), numa espécie de “portunhol”, mas com características específicas dos dialetos dos dois idiomas falados na região.  Também chamado no Brasil de Misturado, e no Uruguai de Fronterizo, ou português uruguaio por alguns linguistas, o dialeto cria expressões e palavras únicas na região, e é uma ponte entre lusófonos e hispanofalantes. O Fronteiriço não tem estatuto oficial, nem regras ortográficas, e seus falantes relatam sofrer preconceito linguístico e pressão estatal em alguns setores sociais, como em instituições de ensino.
  1. Tu X Você
Enquanto em Portugal o “você” caiu em desuso, usando-se “tu”, no Brasil o “você” é predominante, enquanto o “tu” é mais comum em algumas regiões do sul, nordeste e norte do país, além do Rio de Janeiro. Mas no Brasil, na maioria das vezes em que o “tu” é utilizado, de maneira informal, se utiliza a conjugação da 3ª pessoa, e não da 2ª, como seria o correto.  Dessa forma, é comum dizer “tu come” ao invés de “tu comes”, com exceção de algumas comunidades em Santa Catarina e no Rio grande do Sul, onde predomina o emprego do verbo corretamente.  Já nos dialetos africanos há variações regionais e de tratamento (formal ou informal) entre o “tu” e o “você”, mas também é comum que em algumas regiões se faça o contrário: usar o pronome “você” conjugando o verbo na 2ª pessoa. Logo “você come” pode ser “você comes”.
  1. A morte da língua geral
Por mais de 300 anos da colonização portuguesa em território brasileiro, a língua portuguesa não era a utilizada no dia a dia. O contato dos colonizadores europeus com as línguas indígenas e idiomas dos escravizados trazidos da África deu origem a uma língua crioula brasileira, assim como aconteceu em Cabo Verde. Mas ao contrário do arquipélago africano, por aqui o idioma totalmente brasileiro caiu em desuso.   Dividido entre duas variantes, uma mais falada no sul, chamada de paulista ou tupi-guarani, e outra mais falada no norte, conhecida como amazônica, esse idioma tinha o nome de “língua geral”. Os padres jesuítas e seu processo de evangelização dos nativos foram fundamentais na criação dela, com forte influência tanto do português quanto do tupi antigos.   O início do seu declínio aconteceu em 1758 e 1759, quando o Marquês de Pombal oficializou o português como único idioma oficial do país. No entanto, a língua geral continuou predominando em grande parte do território nacional até o fim do século 19 e início do século 20, período em que o português enfim se estabeleceu.   Muitas palavras da língua geral ainda resistem no português brasileiro, algumas inclusive foram incorporadas oficialmente. A variante amazônica deu origem ao nheengatu, também conhecido como tupi moderno, que ainda resiste em algumas cidades no noroeste do Amazonas, sendo idioma cooficial do estado.
  1. O decreto de Getúlio Vargas
A língua geral e os idiomas nativos não foram os únicos falados no Brasil, além do português. A imigração europeia aberta no final do século 19 trouxe um influxo de milhões de pessoas de vários países, com costumes, cultura e idiomas diferentes. Por isso, vários municípios do país tinham falantes de diversos idiomas “estrangeiros”, como o alemão, o ucraniano, italiano – e suas dezenas de dialetos – e o japonês.  No entanto, esses hábitos sofreram forte resistência política de Getúlio Vargas. Seu governo coincidiu com a segunda guerra mundial, e havia o temor de que esses imigrantes e seus decendentes – especialmente da Alemanha, Itália e Japão, países que formavam o eixo – se alinhassem na defensa de seus países de origem, colocando em risco a unidade nacional.  Assim, Getúlio Vargas começou uma campanha de nacionalização, fechando as portas para a imigração e proibindo o uso público de qualquer idioma que não fosse o português. Quem se descumprisse a lei poderia pagar multas ou mesmo ir preso.
  1. Nós entendemos espanhol, mas os hispânicos não nos entendem bem
Falantes de português frequentemente tem facilidade em entender o espanhol escrito e falado, mas os hispanofalantes não compartilham dessa facilidade na fala, somente na escrita. Isso é o que os linguistas chamam de “inteligibilidade assimétrica”, que é quando falantes de um idioma conseguem compreender outro idioma, mas os nativos dessa outra língua não tem o mesmo nível de compreensão.   No caso do espanhol, a dificuldade dos falantes em entender o português está nos fonemas e vogais nasais, já que o português tem muito mais diversidade desses sons que no espanhol. Um exemplo clássico está na inexistência de diferenças entre vogais abertas e fechadas no espanhol, enquanto no português coexistem “e”, “ê” e “é”, “o”, “ô” e “ó”.  Na prática, os hispanofalantes não conseguem entender a diferença de “avô” e “avó”, por exemplo, já que nunca tiveram contanto com essas variantes nasais. Por isso os lusófonos entendem cerca de 70% a 80% do espanhol, enquanto os hispânicos entendem algo entre 50% e 60% de português, não sendo raro uma taxa de compreensão abaixo desses níveis.
  1. O crescente interesse pelo português no mundo
A crescente presença econômica, geopolítica e cultural dos países de língua portuguesa no mundo tem aumentado o interesse de falantes de outros idiomas pelo português. Esse aumento acontece tanto em países com fronteiras com países da CPLP, como Senegal, Uruguai, Argentina e Paraguai, como em outros países sem proximidade linguística.   No Uruguai, o português já foi institucionalizado como ensino obrigatório nas escolas. Já na China e Índia, a constante de negócio com o Brasil e países africanos lusófonos aumentou bastante o interesse pelo idioma. Nos últimos anos, os relatórios da plataforma Duolingo mostram que depois do inglês e o espanhol, o português tem crescido como um dos principais idiomas no mundo, assim como o chinês e o coreano. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação BRAS Educacional)
Guia básico de possibilidades depois da graduação

Guia básico de possibilidades depois da graduação

Terminar uma graduação não é o ponto final, apenas o começo de uma carreira de sucesso 

Quem se forma na graduação tende a estar ansioso para entrar no mercado de trabalho. Para alguns, o próprio estágio já os insere no mundo profissional. Mas há outras pessoas que gostam tanto do ambiente acadêmico que desejam seguir estudando mesmo depois da graduação. Outros preferem um caminho diferente, com experiências que enriquecem o currículo.  

Seja qual for o caminho que desejam seguir, é sempre importante que os formandos conheçam as possibilidades depois da graduação, para que tomem a melhor decisão de acordo com seu perfil. Há quem queira seguir na academia como professor e pesquisador, outros desejam ir para o mercado de trabalho, mas pensam em se especializar antes.  

Para o pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, a graduação é apenas como um dos processos do conhecimento. Isso porque o especialista é enfático em sua visão de que o conhecimento é uma missão continua e vitalícia. Para ele, além de se graduar, o novo profissional precisa estar sempre em busca de atualização, e a graduação está longe de ser a etapa final nesse sentido.  

O docente argumenta que o recém graduado precisa entender quais são seus objetivos pessoais e profissionais, já que em sua visão muitos acadêmicos se perdem ao longo da formação. No caso de cursos livres, ele recomenta entender o cenário atual e ter autoconhecimento, inclusive com testes vocacionais. 

“Se for continuar no meio acadêmico, é primordial saber que muita vezes o direcionamento vai para uma sala de aula, e nem sempre as competências técnicas estarão diretamente ligadas com as didáticas pedagógicas necessárias para se atuar. É importante ter clareza no que se deseja para os próximos anos, inclusive no pequeno prazo, porque estamos em momentos de muitas transformações profissionais”. 

Com objetivo de ajudar muitos recém graduados, e também aqueles que já estão próximos de completar essa etapa, deixamos abaixo um guia básico de possibilidades depois da graduação.  

Pós-graduação lato sensu 

Pensada para quem deseja ir para o mercado de trabalho, mas sente a necessidade em se especializar, em busca de conhecimento e salários melhores. Também é orientada àqueles que já tem experiência profissional e buscam se apronfundar em determinada área. São as famosas pós-graduações, especializações ou MBAs 

Geralmente com no mínimo 360 horas, essas formações costumam durar entre 6 meses a dois anos de estudos. A ideia dessa modalidade é fazer com o que o estudante tenha contato com situações e necessidades específicas do mundo profissional, e saia do curso com certificado de especialização para determinado nicho. 

Uma das grandes vantagens dessa modalidade entre as outras possibilidades depois da graduação é que, para além do foco no mercado de trabalho e melhor possibilidade de salários, aqui o estudante desenvolve networking, além do aperfeiçoamento profissional. 

Pós-graduação stricto sensu 

É voltada para quem deseja seguir na academia, como docente e pesquisador. Aqui o foco é justamente produzir mais conhecimento na área escolhida, com publicação de artigos e estudos inéditos. Quem opta por esses estudos recebe um diploma de grau acadêmico, seja um mestrado, e para quem segue adiante, um doutorado.  

No mestrado o estudante se envolve com a produção de uma dissertação, onde ele aponta um problema específico daquela área do conhecimento e busca soluções para ele. Os mestrados geralmente duram entre 1 e 2 anos, e após isso o acadêmico pode se tornar docente do ensino superior, inclusive está habilitado à concursos públicos para professor universitário. 

Já no doutorado, o tempo de estudo é maior, entre 3 e 4 anos. Aqui o indivíduo que já é mestre demonstra que além de dominar o conhecimento científico, ele também é capaz de produzi-lo, por meio da tese de doutorado. Depois de um período de capacitação e profundidade teórica, ele vai buscar resolver um problema inédito, ou analisar uma questão antiga de acordo com uma nova perspectiva acadêmica.  

Em ambas as formações, o formando ganha conhecimento e autoridade acadêmica, e se habilita como especialista em determinada área do conhecimento. Se o estudante deseja seguir pela docência superior, essa é uma das possibilidades depois da graduação mais valiosas, além de fundamental para alçar melhores condições de trabalho e salários.  

Estudar idiomas 

Se ter uma graduação é fundamental para atuar profissionalmente, ter um ou mais idiomas estrangeiros no currículo potencializa as vantagens no mercado de trabalho. Mas muitos não tem a possibilidade de estudarem idiomas durante a graduação, seja por questões financeiras ou de tempo. Há ainda aqueles que não puderam se dedicar ao estudo de idiomas durante o ensino médio ou fundamental.  

É por isso que estudar um ou mais idiomas estrangeiros é um das possibilidades depois da graduação. Seja por meio de cursos presenciais ou EaD, ou mesmo separando um tempo para videoaulas grátis ou aplicativos de idiomas, estudar idiomas é muito válido para buscar melhores posições e salários. 

Os idiomas mais buscados no mercado brasileiro são o inglês e o espanhol, mas cada área tem suas necessidades específicas, e o local de atuação profissional conta bastante na escolha. 

Intercâmbio 

Nem todos tiveram a sorte de poder fazer um intercâmbio na adolescência e início da juventude, outros simplesmente nunca tiveram a vontade de fazê-lo. Mas quando se deparam com o mercado de trabalho, muitos entendem o diferencial de um intercâmbio na trajetória profissional, tanto para o currículo quanto para experiências profissionais e pessoais.  

Os intercâmbios podem ter o objetivo de aprender ou aperfeiçoar um idioma estrangeiro, ter experiências profissionais na área de formação ou mesmo fora dela, ou ainda adquirir habilidades como autonomia, independência e adaptabilidade. Além disso, as possibilidades em ser fazer contatos relevantes para a atuação profissional são muito elevadas.  

Esse processo de se ver em um outro país, em uma sociedade diferente e resolvendo questões cotidianas em outro idioma, tende a gerar um amadurecimento profissional, acadêmico e pessoal profundo. Por isso, muito recrutadores veem candidatos com intercâmbio no currículo como um grande diferencial.  

Além disso, fazer um intercâmbio vai além de questões profissionais e de conhecimento, já que proporciona uma forte bagagem cultural, desenvolvimento pessoal e autoconhecimento. 

Segunda graduação 

Seja para expandir o conhecimento na área, complementar a formação, ou mesmo se dedicar a outro campo do conhecimento, muitas pessoas optam por fazer uma segunda graduação. Há também aqueles que descobrem outros interesses durante a primeira graduação, mas optam por finalizá-la antes de se dedicar a outra. 

Para muitos, se dedicar a um novo curso se torna uma opção ainda mais atraente como um das possibilidades após a graduação considerando que pode ser possível o aproveitamento de créditos do primeiro curso já finalizado, facilitando ainda mais a obtenção do segundo diploma. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional) 

5 razões para ter espanhol avançado no currículo 

5 razões para ter espanhol avançado no currículo 

Estratégico nas relações comerciais brasileiras, espanhol é segundo idioma mais falado no mundo 

É comum que muitos, quando atualizam seus currículos, coloquem “espanhol avançado” na parte de línguas estrangeiras. Muito próximo da língua portuguesa, ensinado ativamente em muitas escolas e com uma proximidade cultural forte com nós brasileiros, o espanhol – ou castelhano – é um dos idiomas mais falados no mundo, e com alta demanda para profissionais em todo o país.  

Mas a verdade é que embora seja próximo ao nosso português, e de mais fácil compreensão, o espanhol não é exatamente tão simples assim, e requer dedicação. Exatamente pela inteligibilidade – facilidade de entendimento – do idioma entre falantes de português, é frequente que muitos brasileiros afirmem ter espanhol avançado sem de fato conseguirem se comunicar suficientemente bem no idioma. 

Com uma gramática complexa, conjugação de verbos que as vezes soa confusa, grande diversidade de variantes regionais, e os famosos “falsos amigos” – palavras parecidas ao português, mas com significado diferente – é necessário estudar bastante para que o “espanhol avançado” do currículo seja mesmo avançado.  

A Analista de Gestão de Pessoas do Centro Universitário Rio Verde, Cássia Garcia Cabral, destaca a importância em se ter o espanhol avançado no currículo. Ela explica que em muitos segmentos o idioma deixou de ser apenas um diferencial, passando também a constituir uma competência estratégica para posições de maior complexidade e liderança. 

“Nos processos seletivos, profissionais com proficiência em espanhol tendem a se destacar por demonstrarem maior preparo para ambientes corporativos globalizados, visão estratégica e investimento contínuo em desenvolvimento profissional”, argumenta a recrutadora.  

Embora estudar idiomas leve tempo e dedicação, e o inglês continue tendo um protagonismo maior no mundo profissional, ter o espanhol avançado pode abrir portas para vagas e oportunidades profissionais, de educação e experiências de vida diversas. Abaixo listamos 5 razões para que você tenha espanhol avançado no currículo. 

1- Um dos idiomas mais falados no mundo 

Com seus mais de 540 milhões de falantes no globo, o espanhol é a quarta língua mais falada no mundo. Se considerarmos somente os falantes nativos, são mais de 460 milhões de pessoas, o que eleva o espanhol ao segundo lugar como língua materna no mundo, à frente do inglês, com 380 milhões, e perdendo somente para o mandarim, com quase 1 bilhão de falantes nativos. 

Poder se conectar facilmente com mais de meio bilhão de pessoas é um privilégio de quem tem o espanhol avançado. As possibilidades de conexão profissional, acadêmica e social são infinitas.  

2- Ascensão profissional 

Como idioma oficial em 21 países, o espanhol é motor de cerca de 7% do PIB mundial, de acordo com projeção do Fundo Monetário Internacional. Os maiores destaques são a Espanha e o México, que juntos correspondem por mais da metade da riqueza dos países hispano-falantes.  

No caso do Brasil, por ser vizinho de 7 países hispânicos e pelo Mercosul, o espanhol tem importância econômica potencializada. Com destaque para a Argentina, o segundo maior PIB da América do Sul e que tem o Brasil como maior parceiro comercial, e o Chile, com quem o Brasil tem importantes acordos de livre comércio, investimentos financeiros e empresas com capital conjunto. 

Em uma pesquisa realizada pelo site de empregos Catho, vagas com exigência de espanhol avançado tinham salários em média 34% superiores. Já em outra pesquisa da IE Intercâmbio, a busca de brasileiros por aprender espanhol saltou mais de 40% em 2024 comparado ao ano anterior.  

3- Acesso à cultura 

Se 21 países têm o espanhol como idioma oficial, fica fácil imaginar a diversidade cultural produzida em língua espanhola. Autores premiadíssimos, ampla oferta de cinema e séries, músicas para preencher infinitas playlists 

A oferta cultural para quem tem espanhol avançado é gigantesca. Autores como Gabriel Garcia Marquez, Miguel de Cervantes, Isabel Allende e Julio Cortazar. Cineastas premiados como Pedro Almodóvar, Guillermo del Toro, Lucrecia Martel. Ou ainda músicos como Mercedes Sosa, Shakira e Bad Bunny.  

4- Facilidade para viajar o mundo 

Imagine poder viajar por todo o resto da América Latina com comunicação facilitada, percorrendo paisagens tropicais, desertos, praias e montanhas nevadas. Já na Europa, a Espanha oferece arte, praias do mediterrâneo e joias arquitetônicas. Isso sem mencionar a diversidade gastronômica de todos esses países.  

Mas o espanhol vai além das fronteiras dos países hispânicos, já que por ter mais de meio bilhão de falantes espalhados pelo mundo, ele é frequentemente usado como língua mundial em muitos países do globo, incluindo em diversos lugares dos Estados Unidos e Europa.  

 

5- É mais fácil para falantes de português 

Como o espanhol é uma língua derivada do latim, assim como o português, o francês e o italiano, todos os falantes dessas línguas têm facilidade em se comunicar e aprender esses idiomas. No caso dos falantes de português, esse processo é ainda mais facilitado, já que o espanhol é mais simples foneticamente para os luso-falantes.  

Linguistas indicam que nativos da língua portuguesa tem um grau de inteligibilidade – compreensão simples – do espanhol em níveis satisfatórios, mesmo entre pessoas que nunca estudaram o idioma. Ao se dedicar a aprender a língua espanhola, fica muito fácil ter um espanhol avançado em pouco tempo, com graus satisfatórios de entendimento, fala e escrita. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional). 

Deepfake e desinformação: como checar notícias e fatos duvidosos

Deepfake e desinformação: como checar notícias e fatos duvidosos

Mídias geradas por inteligência artificial com fatos falsos e rápida difusão têm sido desafio nas esferas pública e privada 

Em tempos de redes sociais, inteligência artificial, ativismo digital intenso e forte circulação de informações e narrativas, separar o que é real do que de fato é falso pode ser difícil. O fenômeno do deepfake – imagens, vídeos ou áudios criados por inteligência artificial com conteúdo super-realista – tem avançado de maneira impressionante, dificultando ainda mais a checagem de fatos. 

Se antes um pouco de esforço era suficiente para discernir a realidade de conteúdos falsos, agora o avanço da inteligência artificial tem exigido mais esforço para fazer essa separação, e mesmo especialistas em tecnologia e comunicadores tem tido uma maior dificuldade nesse sentido. Com o deepfake, a realidade pode ser manipulável em alguns comandos e as consequências são quase imediatas. 

De perfis de instituições a celebridades e políticos, as vítimas do deepfake têm sofrido consequências pessoais ou institucionais, profissionais e de reputação graves. O fenômeno de compartilhamento rápido nas redes é o catalizador para que campanhas mal intencionadas atinjam seus objetivos com facilidade. Para tentar reverter esses prejuízos, as vítimas buscam a justiça, que geralmente não responde a tempo. 

O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, explica que é papel da Educação alertar as pessoas contra a existência de informações falsas, e despertar nelas a busca pelo conhecimento autêntico, científico e crítico. Ele também faz um paralelo com o mito da caverna de Platão, em que no cenário que muitos assimilam notícias falsas como verdade, todos querem criar sua própria informação.  

“Dentro do contexto escolar, é importante separar o que é informação do que é conhecimento. As novas tecnologias bombardeiam as pessoas com novas informações de forma instantânea, mas elas nem sempre são verídicas. Nem tudo que chega de informação ao indivíduo é real. Então é preciso instigar nele a busca por uma base de dados confiável”, defende.  

Para o pedagogo, as instituições de ensino têm o papel de trabalhar a temática das notícias falsas em todos os níveis, desde a educação básica até o ensino superior. O foco deve ser no gerenciamento das informações, inclusive no seu compartilhamento. “A própria comunidade acadêmica tem um papel fundamental de ajudar na construção de informações reais, fazer com que o que é compartilhado seja verídico”.  

Esse cenário em que a tecnologia se torna uma colaboradora na disseminação de informações falsas é um paradoxo no sentindo de que novas formas de conhecimento deveriam ser aliadas na construção de uma sociedade mais justa e consciente, e não o contrário. Quando as instituições, a ciência, o trabalho, a democracia e os valores humanos são prejudicados, é necessário reverter o processo com mais Educação. 

Para isso, educar as pessoas sobre como melhorar suas fontes de informação, buscar embasamento de dados, verificar a veracidade dos fatos e filtrar os conteúdos recebidos é essencial. Por isso, conhecer quais são os tipos de fake news mais comuns, identificá-las e aprender a checá-las manualmente é o caminho para reverter o processo. Abaixo você pode verificar mais sobre essas habilidades. 

O que são os deepfakes? 

deepfake é um recurso de mídia criado por inteligência artificial, com traços hiperrealistas, de maneira quase impossível em determinar sua veracidade sem auxílio profissional. Podendo ser arquivos de foto, vídeo ou áudio, essa ferramenta tem sido utilizada de forma abrangente para difamar e prejudicar a reputação de figuras públicas, ou produzir fatos inverídicos como insumo para notícias falsas. 

No geral, o deepfake tem sido amplamente utilizado para fins políticos, prejudicando candidatos ou grupos políticos inteiros, e gerando ampla mobilização digital. Quando utilizados em momentos críticos de campanhas, seus danos podem ser catastróficos e muitas vezes irrecuperáveis.  

Com eleitores muitas vezes em processo de decisão de voto, e a justiça naturalmente sendo mais lenta que o ambiente digital, com forte apego aos ritos do direito, torna-se dificil reverter os prejuízos das campanhas de deepfake. Esse panorama tem estimulado discussões sobre atuação profissional, criminal e cidadã na justiça eleitoral e das plataformas digitais.  

No entanto, o deepfake não tem efeito somente no mundo político, com instituições, celebridades e mesmo pessoas não públicas sofrendo consequências de campanhas de difamação e vingança. Muitas mulheres, em especial, tem sido vítimas de vídeos que simulam nudez ou conteúdos eróticos, dos quais elas nunca produziram.  

Entre esses conteúdos sexualmente explícitos produzidos por plataformas geradoras de mídia falsa há também o fenômeno do revenge porn – ou pornografia de vingança em português – que é quando alguém divulga conteúdos eróticos daquela pessoa sem sua autorização, com o objetivo de prejudicá-la. Os deepfakes facilitaram isso, já que não é mais preciso ter mídias reais em mãos: se pode produzí-las digitalmente. 

Como fazer a checagem de fatos? 

Com mídias hiperrealistas, identificar fatos falsos tem sido uma tarefa difícil para pessoas comuns, profissionais de comunicação e tecnologia, e plataformas digitais. Os prejuízos do fenômeno deepfake tem pressionado instituições a criarem políticas eficazes de identificação desses conteúdos, e também estratégias para evitar seu compartilhamento em massa e mitigação de danos.  

Autoridades governamentais e da área da justiça têm sido fortemente demandadas por estratégias de rápida reversão e preservação da reputação e segurança física e mental das vítimas. As discussões sobre a temática têm se acumulado na esfera pública, com amplo histórico de casos de cooperação e omissão das plataformas digitais, instituições centrais nesse debate.  

Mas não é necessário ser especialista no tema para conseguir fugir dos conteúdos falsos, já que há recursos e estratégias eficientes para se informar com qualidade e não se deixar levar por conteúdos fantasiosos. A primeira recomendação, claro, é sempre se informar por fontes oficiais e portais de confiança, onde a notícia e checada por profissionais.  

É importante também desconfiar de fatos muito atípicos ou extraordinários, e fazer essa checagem nos buscadores e nos portais de notícias. Uma pequena busca no Google pode ser suficiente para encontrar uma checagem de fatos de algum veículo da imprensa, de sites de checagem ou mesmo do próprio Google. Além disso, se a notícia for real, ela com certeza estará nos jornais mais renomados.  

Pode ser mais complicada a checagem quando o fato chega em formato de notícia. Nesse caso, é necessário se ater a fonte dessa informação. Se vier de um portal de notícias, questione se esse portal é conhecido ou de confiança, e fazer uma busca de notícias no Google também funciona. Repare também na data da publicação, já que notícias antigas podem ser usadas como falsas fora de contexto. 

Outro fator que conta bastante é a ortografia, já que portais de notícias falsas não tem checagem de profissionais da imprensa, podendo assim conter erros. Ambientes como grupos de WhatsAppTelegram ou outras redes também são altamente desconfiáveis, já que são as plataformas preferidas por grupos mal intencionados para compartilhar fatos inverídicos.  

Para os deepfakes também é possível verificar a qualidade da mídia. Se for vídeo ou foto, cheque se a imagem é de qualidade. Nos casos de vídeos, verifique se os movimentos parecem reais ou mais robóticos. Muitas tecnologias de IA também podem gerar imagens humanas com distorções curiosas, como dedos ou braços a mais. A boca também nem sempre se move de maneira adequada.  

Se o conteúdo tiver áudio, também é possível checar se a voz parece de acordo com a pessoa retratada ou está diferente, ou ao menos robótica ou metalizada. Em vídeos de deepfake é comum haver um descompasso entre o que é falado e o movimento da boca. Os olhos também podem não parecer naturais, e a pessoa retratada não pisca ou pisca menos que o normal. As emoções também podem não transmitir realidade.  

Um último fator chave pode ser estar atento ao ambiente em que o personagem do deepfake está inserido. Como a inteligência artificial é desenvolvida com foco em dar vivacidade aos personagens humanizados, muitas vezes ela pode negligenciar o que está ao lado dessa pessoa, com ambiente borrado ou de pouca qualidade, e cores, luzes e sombras que não são muito fiéis à realidade 

Ferramentas aliadas 

Às vezes uma simples busca ainda pode nos deixar com a pulga atrás da orelha, mas ferramentas elaboradas por especialistas de imprensa e tecnologia são forte aliadas nesse processo. É claro que elas podem demandar mais tempo e disponibilidade, mas para quem busca a realidade esse esforço vale a pena. 

De início existem os portais especializados em checagem de fatos, como a Agência Lupa, o Aos Fatos, o Projeto Comprova e o Fato ou Fake do portal G1. Esses sites contam com uma equipe especializada em checagem de fatos em tempo real, com foco no combate às notícias falsas e principalmente na rápida difusão desses conteúdos pelas redes.  

Há ainda ferramentas que usam mecanismos mais sofisticados, como o Google Fact Check Tools e o Archive.org, ambos com recursos que podem ser utilizados tantos por profissionais quanto o leitor não especializado. Essas ferramentas utilizam engenharia de busca e menções para conseguir rastrear campanhas de desinformação no ambiente digital.  

Mas se o seu foco for buscar pela veracidade de mídias do ponto de vista mais técnico, ferramentas de rastreio desses vídeos podem ser muito válidos, como o InVID e o OsoMeNet. Elas buscam tendências de compartilhamentos de mídia em redes como o TikTokInstagram e sites dos mais variados perfis.  

Já com foco no rigor técnico das deepfakes, ferramentas como o Deepware Scanner e o Screen App conseguem identificar padrões identificadores de uso de inteligência artificial e insconsistências técnicas nas mídias analisadas. Por último, há o FactFlow AI, que usa a inteligência artificial para cruzar fatos com fluxos de busca e postagens na internet, facilitando a identificação de fatos e narrativas falsas. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional).  

Os benefícios dos organogramas e mapas mentais para estudantes

Os benefícios dos organogramas e mapas mentais para estudantes

Ferramentas de organização de tópicos e ideias centrais podem ser aliados de quem busca simplificar a rotina de estudos 

Para quem deseja ter uma rotina de estudos de alto rendimento, buscar métodos que facilitem a aprendizagem e ao mesmo tempo sejam práticos é fundamental. Uma das maneiras de manter as demandas bem estruturadas e captar os pontos mais importantes da matéria são os organogramas e mapas mentais. Com uma organização de conceitos básica, pode-se acessar com facilidade um conteúdo antes complexo. 

Do ponto de vista pedagógico, os organogramas e mapa mentais já são conhecidos por seus benefícios. A memória voltada para o visual, o reordenamento de um conteúdo antes linear para um dispositivo mais fluido, e o acesso a esse conteúdo com grande facilidade são conhecidos por estudantes e professores em todos os níveis do ensino. 

O pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Campos, explica que, em sua experiência lecionando língua inglesa, a estratégia dos organogramas e mapas mentais são aproveitadas pelos próprios autores de livros didáticos, principalmente no ensino de vocabulário.  

“Um exemplo claro é a abordagem temática dos ‘meios de transporte’, em que se parte de um ponto central dessa designação, e se expande para categorias como ‘terrestres’, ‘aquáticos’ e ‘aéreos’. Alguns estudantes demonstram se beneficiar consideravelmente dessa metodologia”, argumenta.  

Mas ele é direto em expor que essa não é uma experiência universal. Roberto destaca que embora há que reconhecer a eficácia dessas ferramentas para algumas pessoas, ainda não há certeza se esses estudantes são a maioria. “Sei que a eficácia não é totalmente alcançada com as mesmo grau de sucesso para todos”, explica.  

Por que os organogramas e mapas mentais podem facilitam os estudos? 

Os estudos e teorias que evidenciam as vantagens do uso de organogramas e mapas mentais para a rotina de estudos de uma parcela dos estudantes são variados, e trazem aspectos interessantes sobre como se dá nosso processo de aprendizagem. Basicamente, esses dispositivos podem despertar nossa mente para uma série de gatilhos, fazendo com que o ato de estudar seja mais simples, e prologando nossa capacidade de memória.  

Esses estudos estão muito centrados no campo da psicologia cognitiva, que tem por objetivo investigar os métodos que nosso cérebro utiliza para processar e armazenar informações. É justamente nessa área que surge a Teoria da Codificação Dual, do psicólogo e pesquisador canadense Allan Paivio.  

Publicada pela primeira vez em 1971, essa teoria propõe que o cérebro humano utiliza dois sistemas distintos para processar informações, sendo um verbal, com uma configuração linear e sequencial, e outro não verbal ou visual, com incidência sincrônica e espacial. Juntos, a interação desses dois sistemas pode reforçar a capacidade de memorização.  

Dessa forma, se há uma associação visual com alguma palavra ou conceito, a chance de esquecê-la é menor. É nesse processo que os organogramas e mapas mentais tem seu protagonismo, já que podem facilitar essa associação visual ao conteúdo estudado. Em outras palavras, ler o texto e organizar seus ponto-chave em um mapa de conceitos pode potencializar os rendimentos da rotina de estudos.  

Essa capacidade de associar textos a figuras é o que faz com que organogramas e mapas mentais sejam tão utilizados por alunos e docentes. E vai além: para Paivio, quando um estudante “decifra” um texto e o “traduz” num mapa mental, ele está exercitando os dois canais simultaneamente. O resultado são rendimentos muito mais robustos do que só reler o texto.  

Além disso, os organogramas e mapas mentais também podem criar uma relação direta entre os conceitos estudados, estabelecendo uma hierarquia entre eles. Isso faz com que a carga cognitiva utilizada no processamento desses conceitos seja muito menor, o que possibilita a memorização dos conteúdos por um tempo maior.  

Essas ferramentas de estudo também se relacionam com outra teoria bastante conhecida na psicopedagogia: a da aprendizagem significativa, do psicólogo americano David Ausubel. Seguindo seus estudos, há benefícios na aprendizagem quando as novas informações que recebemos ao estudarmos se relacionam com outros conhecimentos prévios.  

Assim, quando além de se fazer a leitura de um texto, se adiciona também um mapa mental, com a devida hierarquia e ligação entre os principais itens, isso tende a reforçar a memória e aumentar a produtividade da rotina de estudos.  

Como fazê-los? 

O organogramas e mapas mentais consistem em basicamente sintetizar as ideias centrais do conteúdo, e os reorganizar de maneira escalonada. Como a ideia é justamente simplificar essas informações, é muito importante que essa ferramenta seja construída de maneira ordenada, com traços legíveis e hierarquização sem grande complexidade.  

A primeira tarefa para os organogramas e mapas mentais é definir os temas centrais. A partir disso, inicia-se suas ramificações, com as informações separadas por tópicos e grupos. No geral, quanto mais “limpo” um mapa mental estiver no quesito organização, mais fácil será revisar seu conteúdo, e consequentemente mais fácil também memorizá-lo. 

Considerando o caráter de memória fotográfica dos organogramas e mapas mentais, também pode ser interessante separar esse tópicos por cores e adicionar figuras – em caso de fazê-los digitalmente. É crucial ainda separar os itens por palavras-chave, evitando qualquer tipo de texto longo. 

Em optar por construí-los digitalmente, é possível utilizar ferramentas como Lucidchart, Miro ou Canva. A vantagem dessas plataformas é justamente o poder de sintetizar ideias de forma complexa sem a preocupação como limitação de espaço físico, além de todo o rigor estético. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional) 

O Centro Universitário UniBRAS Montes Belos utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Com esta autorização estamos aptos para coletar tais informações e utilizá-las para tais finalidades. Você pode consultar nossa política de privacidade e política de cookies.