por leonardo santos | maio 20, 2026 | Dicas, Educação
Mídias geradas por inteligência artificial com fatos falsos e rápida difusão têm sido desafio nas esferas pública e privada
Em tempos de redes sociais, inteligência artificial, ativismo digital intenso e forte circulação de informações e narrativas, separar o que é real do que de fato é falso pode ser difícil. O fenômeno do deepfake – imagens, vídeos ou áudios criados por inteligência artificial com conteúdo super-realista – tem avançado de maneira impressionante, dificultando ainda mais a checagem de fatos.
Se antes um pouco de esforço era suficiente para discernir a realidade de conteúdos falsos, agora o avanço da inteligência artificial tem exigido mais esforço para fazer essa separação, e mesmo especialistas em tecnologia e comunicadores tem tido uma maior dificuldade nesse sentido. Com o deepfake, a realidade pode ser manipulável em alguns comandos e as consequências são quase imediatas.
De perfis de instituições a celebridades e políticos, as vítimas do deepfake têm sofrido consequências pessoais ou institucionais, profissionais e de reputação graves. O fenômeno de compartilhamento rápido nas redes é o catalizador para que campanhas mal intencionadas atinjam seus objetivos com facilidade. Para tentar reverter esses prejuízos, as vítimas buscam a justiça, que geralmente não responde a tempo.
O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Cardoso, explica que é papel da Educação alertar as pessoas contra a existência de informações falsas, e despertar nelas a busca pelo conhecimento autêntico, científico e crítico. Ele também faz um paralelo com o mito da caverna de Platão, em que no cenário que muitos assimilam notícias falsas como verdade, todos querem criar sua própria informação.
“Dentro do contexto escolar, é importante separar o que é informação do que é conhecimento. As novas tecnologias bombardeiam as pessoas com novas informações de forma instantânea, mas elas nem sempre são verídicas. Nem tudo que chega de informação ao indivíduo é real. Então é preciso instigar nele a busca por uma base de dados confiável”, defende.
Para o pedagogo, as instituições de ensino têm o papel de trabalhar a temática das notícias falsas em todos os níveis, desde a educação básica até o ensino superior. O foco deve ser no gerenciamento das informações, inclusive no seu compartilhamento. “A própria comunidade acadêmica tem um papel fundamental de ajudar na construção de informações reais, fazer com que o que é compartilhado seja verídico”.
Esse cenário em que a tecnologia se torna uma colaboradora na disseminação de informações falsas é um paradoxo no sentindo de que novas formas de conhecimento deveriam ser aliadas na construção de uma sociedade mais justa e consciente, e não o contrário. Quando as instituições, a ciência, o trabalho, a democracia e os valores humanos são prejudicados, é necessário reverter o processo com mais Educação.
Para isso, educar as pessoas sobre como melhorar suas fontes de informação, buscar embasamento de dados, verificar a veracidade dos fatos e filtrar os conteúdos recebidos é essencial. Por isso, conhecer quais são os tipos de fake news mais comuns, identificá-las e aprender a checá-las manualmente é o caminho para reverter o processo. Abaixo você pode verificar mais sobre essas habilidades.
O que são os deepfakes?
O deepfake é um recurso de mídia criado por inteligência artificial, com traços hiperrealistas, de maneira quase impossível em determinar sua veracidade sem auxílio profissional. Podendo ser arquivos de foto, vídeo ou áudio, essa ferramenta tem sido utilizada de forma abrangente para difamar e prejudicar a reputação de figuras públicas, ou produzir fatos inverídicos como insumo para notícias falsas.
No geral, o deepfake tem sido amplamente utilizado para fins políticos, prejudicando candidatos ou grupos políticos inteiros, e gerando ampla mobilização digital. Quando utilizados em momentos críticos de campanhas, seus danos podem ser catastróficos e muitas vezes irrecuperáveis.
Com eleitores muitas vezes em processo de decisão de voto, e a justiça naturalmente sendo mais lenta que o ambiente digital, com forte apego aos ritos do direito, torna-se dificil reverter os prejuízos das campanhas de deepfake. Esse panorama tem estimulado discussões sobre atuação profissional, criminal e cidadã na justiça eleitoral e das plataformas digitais.
No entanto, o deepfake não tem efeito somente no mundo político, com instituições, celebridades e mesmo pessoas não públicas sofrendo consequências de campanhas de difamação e vingança. Muitas mulheres, em especial, tem sido vítimas de vídeos que simulam nudez ou conteúdos eróticos, dos quais elas nunca produziram.
Entre esses conteúdos sexualmente explícitos produzidos por plataformas geradoras de mídia falsa há também o fenômeno do revenge porn – ou pornografia de vingança em português – que é quando alguém divulga conteúdos eróticos daquela pessoa sem sua autorização, com o objetivo de prejudicá-la. Os deepfakes facilitaram isso, já que não é mais preciso ter mídias reais em mãos: se pode produzí-las digitalmente.
Como fazer a checagem de fatos?
Com mídias hiperrealistas, identificar fatos falsos tem sido uma tarefa difícil para pessoas comuns, profissionais de comunicação e tecnologia, e plataformas digitais. Os prejuízos do fenômeno deepfake tem pressionado instituições a criarem políticas eficazes de identificação desses conteúdos, e também estratégias para evitar seu compartilhamento em massa e mitigação de danos.
Autoridades governamentais e da área da justiça têm sido fortemente demandadas por estratégias de rápida reversão e preservação da reputação e segurança física e mental das vítimas. As discussões sobre a temática têm se acumulado na esfera pública, com amplo histórico de casos de cooperação e omissão das plataformas digitais, instituições centrais nesse debate.
Mas não é necessário ser especialista no tema para conseguir fugir dos conteúdos falsos, já que há recursos e estratégias eficientes para se informar com qualidade e não se deixar levar por conteúdos fantasiosos. A primeira recomendação, claro, é sempre se informar por fontes oficiais e portais de confiança, onde a notícia e checada por profissionais.
É importante também desconfiar de fatos muito atípicos ou extraordinários, e fazer essa checagem nos buscadores e nos portais de notícias. Uma pequena busca no Google pode ser suficiente para encontrar uma checagem de fatos de algum veículo da imprensa, de sites de checagem ou mesmo do próprio Google. Além disso, se a notícia for real, ela com certeza estará nos jornais mais renomados.
Pode ser mais complicada a checagem quando o fato chega em formato de notícia. Nesse caso, é necessário se ater a fonte dessa informação. Se vier de um portal de notícias, questione se esse portal é conhecido ou de confiança, e fazer uma busca de notícias no Google também funciona. Repare também na data da publicação, já que notícias antigas podem ser usadas como falsas fora de contexto.
Outro fator que conta bastante é a ortografia, já que portais de notícias falsas não tem checagem de profissionais da imprensa, podendo assim conter erros. Ambientes como grupos de WhatsApp, Telegram ou outras redes também são altamente desconfiáveis, já que são as plataformas preferidas por grupos mal intencionados para compartilhar fatos inverídicos.
Para os deepfakes também é possível verificar a qualidade da mídia. Se for vídeo ou foto, cheque se a imagem é de qualidade. Nos casos de vídeos, verifique se os movimentos parecem reais ou mais robóticos. Muitas tecnologias de IA também podem gerar imagens humanas com distorções curiosas, como dedos ou braços a mais. A boca também nem sempre se move de maneira adequada.
Se o conteúdo tiver áudio, também é possível checar se a voz parece de acordo com a pessoa retratada ou está diferente, ou ao menos robótica ou metalizada. Em vídeos de deepfake é comum haver um descompasso entre o que é falado e o movimento da boca. Os olhos também podem não parecer naturais, e a pessoa retratada não pisca ou pisca menos que o normal. As emoções também podem não transmitir realidade.
Um último fator chave pode ser estar atento ao ambiente em que o personagem do deepfake está inserido. Como a inteligência artificial é desenvolvida com foco em dar vivacidade aos personagens humanizados, muitas vezes ela pode negligenciar o que está ao lado dessa pessoa, com ambiente borrado ou de pouca qualidade, e cores, luzes e sombras que não são muito fiéis à realidade
Ferramentas aliadas
Às vezes uma simples busca ainda pode nos deixar com a pulga atrás da orelha, mas ferramentas elaboradas por especialistas de imprensa e tecnologia são forte aliadas nesse processo. É claro que elas podem demandar mais tempo e disponibilidade, mas para quem busca a realidade esse esforço vale a pena.
De início existem os portais especializados em checagem de fatos, como a Agência Lupa, o Aos Fatos, o Projeto Comprova e o Fato ou Fake do portal G1. Esses sites contam com uma equipe especializada em checagem de fatos em tempo real, com foco no combate às notícias falsas e principalmente na rápida difusão desses conteúdos pelas redes.
Há ainda ferramentas que usam mecanismos mais sofisticados, como o Google Fact Check Tools e o Archive.org, ambos com recursos que podem ser utilizados tantos por profissionais quanto o leitor não especializado. Essas ferramentas utilizam engenharia de busca e menções para conseguir rastrear campanhas de desinformação no ambiente digital.
Mas se o seu foco for buscar pela veracidade de mídias do ponto de vista mais técnico, ferramentas de rastreio desses vídeos podem ser muito válidos, como o InVID e o OsoMeNet. Elas buscam tendências de compartilhamentos de mídia em redes como o TikTok, Instagram e sites dos mais variados perfis.
Já com foco no rigor técnico das deepfakes, ferramentas como o Deepware Scanner e o Screen App conseguem identificar padrões identificadores de uso de inteligência artificial e insconsistências técnicas nas mídias analisadas. Por último, há o FactFlow AI, que usa a inteligência artificial para cruzar fatos com fluxos de busca e postagens na internet, facilitando a identificação de fatos e narrativas falsas. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional).
por leonardo santos | maio 11, 2026 | Dicas, Educação
Ferramentas de organização de tópicos e ideias centrais podem ser aliados de quem busca simplificar a rotina de estudos
Para quem deseja ter uma rotina de estudos de alto rendimento, buscar métodos que facilitem a aprendizagem e ao mesmo tempo sejam práticos é fundamental. Uma das maneiras de manter as demandas bem estruturadas e captar os pontos mais importantes da matéria são os organogramas e mapas mentais. Com uma organização de conceitos básica, pode-se acessar com facilidade um conteúdo antes complexo.
Do ponto de vista pedagógico, os organogramas e mapa mentais já são conhecidos por seus benefícios. A memória voltada para o visual, o reordenamento de um conteúdo antes linear para um dispositivo mais fluido, e o acesso a esse conteúdo com grande facilidade são conhecidos por estudantes e professores em todos os níveis do ensino.
O pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Campos, explica que, em sua experiência lecionando língua inglesa, a estratégia dos organogramas e mapas mentais são aproveitadas pelos próprios autores de livros didáticos, principalmente no ensino de vocabulário.
“Um exemplo claro é a abordagem temática dos ‘meios de transporte’, em que se parte de um ponto central dessa designação, e se expande para categorias como ‘terrestres’, ‘aquáticos’ e ‘aéreos’. Alguns estudantes demonstram se beneficiar consideravelmente dessa metodologia”, argumenta.
Mas ele é direto em expor que essa não é uma experiência universal. Roberto destaca que embora há que reconhecer a eficácia dessas ferramentas para algumas pessoas, ainda não há certeza se esses estudantes são a maioria. “Sei que a eficácia não é totalmente alcançada com as mesmo grau de sucesso para todos”, explica.
Por que os organogramas e mapas mentais podem facilitam os estudos?
Os estudos e teorias que evidenciam as vantagens do uso de organogramas e mapas mentais para a rotina de estudos de uma parcela dos estudantes são variados, e trazem aspectos interessantes sobre como se dá nosso processo de aprendizagem. Basicamente, esses dispositivos podem despertar nossa mente para uma série de gatilhos, fazendo com que o ato de estudar seja mais simples, e prologando nossa capacidade de memória.
Esses estudos estão muito centrados no campo da psicologia cognitiva, que tem por objetivo investigar os métodos que nosso cérebro utiliza para processar e armazenar informações. É justamente nessa área que surge a Teoria da Codificação Dual, do psicólogo e pesquisador canadense Allan Paivio.
Publicada pela primeira vez em 1971, essa teoria propõe que o cérebro humano utiliza dois sistemas distintos para processar informações, sendo um verbal, com uma configuração linear e sequencial, e outro não verbal ou visual, com incidência sincrônica e espacial. Juntos, a interação desses dois sistemas pode reforçar a capacidade de memorização.
Dessa forma, se há uma associação visual com alguma palavra ou conceito, a chance de esquecê-la é menor. É nesse processo que os organogramas e mapas mentais tem seu protagonismo, já que podem facilitar essa associação visual ao conteúdo estudado. Em outras palavras, ler o texto e organizar seus ponto-chave em um mapa de conceitos pode potencializar os rendimentos da rotina de estudos.
Essa capacidade de associar textos a figuras é o que faz com que organogramas e mapas mentais sejam tão utilizados por alunos e docentes. E vai além: para Paivio, quando um estudante “decifra” um texto e o “traduz” num mapa mental, ele está exercitando os dois canais simultaneamente. O resultado são rendimentos muito mais robustos do que só reler o texto.
Além disso, os organogramas e mapas mentais também podem criar uma relação direta entre os conceitos estudados, estabelecendo uma hierarquia entre eles. Isso faz com que a carga cognitiva utilizada no processamento desses conceitos seja muito menor, o que possibilita a memorização dos conteúdos por um tempo maior.
Essas ferramentas de estudo também se relacionam com outra teoria bastante conhecida na psicopedagogia: a da aprendizagem significativa, do psicólogo americano David Ausubel. Seguindo seus estudos, há benefícios na aprendizagem quando as novas informações que recebemos ao estudarmos se relacionam com outros conhecimentos prévios.
Assim, quando além de se fazer a leitura de um texto, se adiciona também um mapa mental, com a devida hierarquia e ligação entre os principais itens, isso tende a reforçar a memória e aumentar a produtividade da rotina de estudos.
Como fazê-los?
O organogramas e mapas mentais consistem em basicamente sintetizar as ideias centrais do conteúdo, e os reorganizar de maneira escalonada. Como a ideia é justamente simplificar essas informações, é muito importante que essa ferramenta seja construída de maneira ordenada, com traços legíveis e hierarquização sem grande complexidade.
A primeira tarefa para os organogramas e mapas mentais é definir os temas centrais. A partir disso, inicia-se suas ramificações, com as informações separadas por tópicos e grupos. No geral, quanto mais “limpo” um mapa mental estiver no quesito organização, mais fácil será revisar seu conteúdo, e consequentemente mais fácil também memorizá-lo.
Considerando o caráter de memória fotográfica dos organogramas e mapas mentais, também pode ser interessante separar esse tópicos por cores e adicionar figuras – em caso de fazê-los digitalmente. É crucial ainda separar os itens por palavras-chave, evitando qualquer tipo de texto longo.
Em optar por construí-los digitalmente, é possível utilizar ferramentas como Lucidchart, Miro ou Canva. A vantagem dessas plataformas é justamente o poder de sintetizar ideias de forma complexa sem a preocupação como limitação de espaço físico, além de todo o rigor estético. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
por leonardo santos | mar 31, 2026 | Dicas, Educação
Recursos de inteligência artificial podem facilitar a vida de docentes e professores quando bem utilizados
Ver a inteligência artificial como inimiga da Educação já é uma ideia um tanto quanto ultrapassada. Entre educadores de todos os níveis de ensino há hoje uma construção de consenso sobre as possibilidades em se utilizar a IA para estudar melhor – e ensinar também. Tudo depende da maneira como se utiliza essas ferramentas, assim como outros recursos tecnológicos em que estamos familiarizados há mais tempo.
Muito além dos famosos recursos de redação, resumo e plágio que assustaram docentes em todo o mundo, outros recursos bem empregados podem ser aliados de alunos e docentes quando o assunto é usar a IA para estudar melhor. Algumas atividades repetitivas e maçantes podem ser delegadas à ferramenta, por exemplo, o que pode liberar mais tempo para outros conteúdos de relevância.
O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, explica que a inteligência artificial pode contribuir bastante para a aprendizagem, desde que algumas condições sejam respeitadas. Para o educador, a chave está em entender o que se quer das plataformas de IA, e assim saber demandar e se utilizar dessas ferramentas de forma clara e adequada.
“A IA não pode ser uma ferramenta determinante para que o aluno ou professor atribua a ela suas responsabilidades pessoais no processo educacional. Isso porque a partir do momento em que se delega à inteligência artificial uma atribuição que na verdade é nossa, como seres pensantes, isso nos transforma em sujeitos passivos na jornada da Educação, e o pensamento crítico é prejudicado”.
Para ele, essas ferramentas podem ser parceiras do estudante ou do professor no sentido de aperfeiçoar conteúdos, de acordo com a necessidade de cada um. Mas isso não deve, porém, substituir a criação, com esforço pessoal, desses conteúdos em si.
Pensando na constante evolução das ferramentas educacionais, e na busca por melhores fontes de facilitação de rendimento de educadores e estudantes, selecionamos aqui algumas formas em que se pode utilizar a IA para estudar melhor.
1. Corrigir textos
Quem está familiarizado com escrever textos frequentemente sabe que não se pode entregar qualquer material sem antes revisá-lo atentamente. Gramática, concordância, pontuação, são muitas as possibilidades de equívocos. No entanto, muitas vezes simplesmente revisar não é suficiente: há erros que passam despercebes, mesmo aos olhares mais atentos.
É aí que entra a inteligência artificial: solicitar à ferramenta que revise todos o texto depois de revisá-lo pessoalmente diminui drasticamente as chances de entregar o conteúdo escrito de maneira inadequada.
Mas não basta apenas escrever e pedir correção, já que a IA não está isenta de erros. É importante fazer uma revisão antes, e utilizar a ferramenta tecnológica para uma checagem dupla. Também é importante pedir à IA para que explique as substituições feitas, no sentindo de entender quais seriam esses erros e assim aperfeiçoar a escrita.
Além disso, nem toda substituição faz sentido, e a última decisão deve ser sempre do autor. É nesse momento que o estudante ou docente impõe sua autonomia intelectual, fundamental nos processos de aprendizagem e ensino.
2. Organizar materiais educativos
O estudante ou professor que nunca teve problemas para fazer uma planilha não sabe o que é passar por um perrengue. Algumas atividades demandam mais que conhecimento, como habilidades técnicas que muitas vezes não dominamos. E a inteligência artificial pode ser uma grande parceira nesses momentos.
A IA pode ajudar a organizar materiais por temas e afinidades, separar conteúdos para planilhas e organogramas, ajudar com prompts para ferramentas como o Excel, auxiliar na realização de slides e outras apresentações. As possibilidades são infinitas, e os resultados podem ser empolgantes.
Vale lembrar que é preferível ir construindo esses conteúdos junto à IA, e não simplesmente delegar os conteúdos à ferramenta em sua totalidade, já que ao construir esses materiais desenvolvem-se etapas fundamentais no processo de aprendizagem.
E quando se pensa em utilizar a IA para estudar melhor, também é relevante pedir auxílio à ferramenta para entender as dúvidas de maneira construtiva, em que se aprende com autoridade e se consiga no futuro replicar esse conhecimento adquirido sem a ajuda da tecnologia.
3. Entender erros e superar falhas
Receber uma prova corrigida em que muitas questões estavam incorretas é uma frustração no mundo acadêmico, mas mais importante que buscar boas notas é justamente absorver o conteúdo adequadamente. Para isso, também se pode utilizar a IA para estudar melhor, já que a ferramenta pode avaliar e apontar os eventuais erros e as respostas corretas.
É importante ter a disposição em entender de forma didática o erro, e tentar fazer o exercício de maneira distinta ao que foi aplicado no teste ou trabalho. Outro ponto de atenção é que, em caso que persista a dúvida, torna-se essencial revisar o conteúdo com o professor, já que ele é a referência no assunto.
Por último, não se deve obviamente utilizar da inteligência artificial para resolver questões e problemas, já que a prática do exercício é imprescindível para o aprendizado.
4. Converter conteúdos para texto
Se há um exercício realmente desanimador é converter o conteúdo de gravações de áudio ou vídeo, com aulas, explicações de docentes ou mesmo eventos e palestras, em texto. Passa-se muito tempo para conseguir decupar um conteúdo de minutos, por exemplo, e assim a produtividade do tempo de estudo é fortemente prejudicada.
Mas encaminhar esse conteúdo à ferramentas de IA pode ajudar a economizar muito do tempo de revisão do conteúdo, e essa economia de tempo pode ser remanejada para outras atividades que de fato são mais produtivas.
Além das tradicionais plataformas de chat de inteligência artificial, a ferramenta Blip Vira Texto, por exemplo, é uma forte aliada quando o assunto é transcrever áudios de WhatsApp, isso sem necessidade de exportar o conteúdo para outras plataformas.
Outro recurso interessante pode ser converter arquivos PDF, com os seus mais variados tipos de mídia – como gráficos e organogramas – em texto. Também vale pedir um resumo para a plataforma IA caso o tempo esteja curto, extraindo assim do material seus pontos de maior relevância. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
por leonardo santos | fev 25, 2026 | Dicas
Em um mundo ideal, todos que optassem por seguir o caminho acadêmico deveriam ter disponibilidade integral para se dedicar aos estudos. Mas na realidade de muitos estudantes dividir o tempo entre trabalhar e estudar é indispensável para a sua sustentabilidade econômica, e inclusive para arcar com os custos da faculdade.
Se o ensino superior exige uma boa disponibilidade de tempo e dedicação, para os estudantes que precisam trabalhar e estudar para se manterem esse desafio é ainda maior. Dividir a rotina com horas de aula, emprego, tempo de estudo, deslocamento, alimentação e afazeres domésticos pode ser desgastante, e exige uma boa estratégia de uso de tempo e energia.
Enquanto o termo “nem-nem” se populariza para definir jovens que não estudam nem trabalham, quase 8 milhões de brasileiros entre 15 e 29 anos precisam estudar e trabalhar ao mesmo tempo, de acordo com o IBGE em 2022. Isso representando cerca de 15,7% da população nessa faixa etária. Para esses jovens, o tempo é um ativo de alto valor, e a disciplina é essencial para se equilibrar nessa balança.
O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, explica que dependendo da rotina enfrentada pelo estudante, a experiência pode ser maçante. Compartilhando um pouco da sua experiência pessoal como estudante, ele explicou que durante a graduação também precisou trabalhar e estudar, e que não era fácil.
“Nesses quase vinte anos de docência, sendo quinze lecionando no ensino superior, eu já tive vários alunos que trabalhavam e mesmo assim se destacavam, tinham a consciência que precisavam estudar porque era do seu suor que saiam seu sustento e muitas vezes o sustento da casa. Por outro lado, nem sempre passar uma atividade para casa tinha bons resultados, ou em trabalhos em grupo em que todos tem tempos diferentes”.
Pensando nisso, Rafael conta que nesses casos prioriza atividades em sala de aula, ou com pontuação extra, para aproveitar ao máximo o potencial desse aluno presente, porque outras atividades fora da instituição podem não ter um rendimento semelhante. Ele enfatiza também o caso de muitas alunas que são mães, e por isso ainda dividem seu tempo para funções da maternidade.
Com foco nesses jovens, que precisam ter uma boa desenvoltura para alcançarem seus objetivos, reunimos abaixo algumas dicas que apodem ajudam a enfrentar a dupla jornada de maneira mais tranquila e com melhores resultados.
1. Estabeleça uma rotina
Se o estabelecimento de uma rotina é uma maneira importante para todos, independente das suas responsabilidades, isso é ainda mais relevante para quem tem uma dupla jornada. Também vai além de somente se ajustar aos horários das aulas e do emprego.
É preciso reservar um período no dia para estudar e revisar conteúdos, se alimentar, fazer exercícios físicos e mesmo descansar. Por isso, estabelecer blocos de tempo para as atividades com um planejamento estratégico bem estruturado, e organizar um calendário único com a lista de atividades e objetivos é fundamental para um bom rendimento.
2. Otimize seus métodos de estudo
Trabalhar e estudar exige dos estudantes uma boa gestão de tempo, e por isso encontrar métodos de estudo que se adaptem aos seus perfis e necessidades é crucial. Revisar conteúdos diariamente, fazer resumos e mapas mentais, e separar um tempo para leitura de maneira estratégica estão entre os métodos possíveis e de melhor resultado.
Outra opção é aproveitar momentos como o deslocamento entre a casa, o trabalho e a faculdade para revisão de atividades ou escutar podcasts sobre a matéria abordada em sala de aula.
A tecnologia também é aliada com aplicativos de produtividade, gravação de conteúdo, fotos de textos em sala de aula e mesmo o auxílio da inteligência artificial para revisões ortográficas e indicação de fontes de pesquisa.
3. Respeite seu corpo
Não adianta ignorar o corpo: uma vez que ele sinalizou uma necessidade é preciso atendê-la. Isso significa manter uma boa rotina de sono respeitando as horas mínimas, se alimentar de forma saudável, estabelecer um tempo para exercício físico e cuidar da saúde mental com terapia e meditação.
Também é preciso estar atento aos abusos, como o excesso no consumo de energéticos, o sedentarismo e o uso indiscriminado de medicamentos. Procure alimentos naturais e saudáveis, e visite o médico regularmente. Em caso de emergências, voltar umas casas atrás é fundamental.
É preciso entender que sem a saúde em dia, seu potencial nos estudos e no trabalho pode não ser bem aproveitado.
4. Mobilize uma rede de apoio
Ninguém vive sem a ajuda do próximo, e no caso de estudar e trabalhar, receber apoio de pessoas próximas faz toda a diferença. Pode ser da família, dos amigos, colegas de
trabalho ou da faculdade qualquer empurrãozinho já está valendo, nas mais variadas possibilidades.
No caso das atividades domésticas ou alimentação, familiares ou outras pessoas com quem você mora juntos podem ajudar bastante. Já na instituição de ensino, formar grupos de estudos e compartilhamento de conteúdos, revisões e resumos, além de estudarem juntos para provas e atividades faz a diferença.
5. Busque uma modalidade de ensino que funcione para você
Com o avanço da tecnologia, estudar ficou mais fácil, e também surgiram novas formas de cursar o ensino superior. Como nem todos tem disponibilidade e disposição para estarem todos os dias na instituição de ensino, as modalidades de ensino à distância podem ser uma opção, seja híbrido ou totalmente a distância.
Após a pandemia, as carreiras EaD tomaram conta do ensino superior brasileiro, com diversos cursos de alta qualidade e que se adaptam a rotina e necessidade de milhares de estudantes. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
por leonardo santos | jan 22, 2026 | Dicas
Estipular momentos na rotina para a pausa pode ser mais benéfico para a produtividade do que se imagina
Em um mundo em que tudo flui de maneira acelerada, parar por um momento parece ser sinônimo de ficar para trás. Aproveitar o descanso para antecipar demandas, buscar suplementos para aumentar a energia e produtividade, e usar metodologias para cumprir tarefas com mais eficiência são tópicos comuns hoje. Mas e se sua rotina incluísse momentos para simplesmente parar? Essa é a proposta do ócio criativo.
Desenvolvida pelo sociólogo italiano Domenico de Masi, a teoria do ócio criativo leva em conta a necessidade fundamental da mente para o descanso. É justamente numa sociedade em que a busca por produtividade intensa e resultados ao instante são objetivos constantes, é que incluir momentos de descontração e desconexão com os afazeres diários se torna ainda mais indispensável.
Para Domenico, nossa sociedade transformou o trabalho em algo excessivo e entediante. De acordo com ele, são cada vez mais perceptíveis as “intromissões” das obrigações profissionais na vida das pessoas, e isso tem trazido fortes consequências sociais. Seu trabalho focou em defender o direito do trabalhador a buscar atividades que lhe davam prazer, em perseguir seus assuntos que despertavam paixão.
Com um chamado a reflexão que destoa do que estamos acostumados a ver hoje, De Masi se tornou conhecido no mundo todos por destacar a necessidade básica do ser humano em ter horários livres para fazer o que gosta, sem necessariamente estarem atrelados a uma busca constate por evolução pessoal ou profissional. O resultado é mais autoconhecimento e tempo de qualidade.
No ócio criativo o foco não é simplesmente “fazer nada”, mas incorporar na rotina momentos livres para que se tenha tempo de qualidade. De acordo com a teoria, é justamente nesses momentos de descontração em que a criatividade e as grandes ideias são aguçadas. Dessa forma, as pausas são fundamentais não só para manter uma boa qualidade de vida, mas também tem reflexo direto na produtividade.
De Masi ganhou destaque na comunidade internacional, e sua obra foi fortemente direcionada para a sociologia do trabalho e a criatividade. Defensor árduo da qualidade de vida como peça fundamental da criatividade, o autor lançou em 2014 “O Futuro Chegou”, em que reflete sobre como o mundo deveria seguir de acordo com a nova ordem mundial e destacando o Brasil como exemplo.
O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, defende as pausas da teoria do ócio criativo como fundamentais. Para ele, muitas das facilidades que temos no dia-a-dia nos fazem assumir uma posição automática, em que há um acúmulo de atividades. Essa tentativa de subir mais de um degrau por vez nos induz a sobrecarga e a falha.
“De Masi dizia que sua teoria não era simplesmente parar por preguiça, e eu concordo. Nós devemos ter pausas para compreender o que realmente estamos fazendo, falando, escrevendo, ouvindo e ainda explorando a mente. Penso que o ócio é rever o que não vemos ou ver com novos olhos coisas que vemos diariamente e nem sempre observamos”.
Mas quando Domenico se refere ao ócio criativo como uma necessidade de fazer pausas na rotina, ele não está se referindo somente ao trabalho em si, mas a qualquer atividade que exija foco e esforço. Logo a rotina de estudos também é uma delas. Ao reservar um período de descanso entre os livros, pode-se gerar conexões e insights poderosos sobre o conteúdo – para além do benefício da pausa.
Como colocar o ócio criativo em prática
Parece uma simples pausa, mas nem sempre envolve ficar parado. O ócio criativo é um conceito amplo, e vai muito além do “ficar sem fazer nada”. É também um tema muito pessoal, já que cada um tem seus gostos e excentricidades. Para alguns pode ser fundamental fugir das telas por exemplo – se conectar com a natureza.
O ócio criativo pode ser uma atividade física. Alguns minutos de esteira na academia, uma caminhada no meio da tarde, uma aula de natação. Também pode envolver uma atividade intelectual, como ler alguma obra sem qualquer interesse profissional ou técnico, assistir uma série cômica com muitas temporadas, ou mesmo aprender um idioma novo por simples curiosidade.
A ala dos hobbies é um prato cheio de possibilidades. Ela envolve esportes, atividades artísticas, dança, atividades culturais. Outra atividade muito comum no ócio criativo é cozinhar – há quem esqueça de qualquer afazer quanto se concentra na cozinha, e sente muito prazer nisso. Ouvir música, meditar, fazer yoga são outras possibilidades.
Já sendo mais objetivo para uma simples pausa, estipular momentos para parar no meio do expediente, fazer uma refeição e conversar com colegas de trabalho, família ou amigos, é o que os suecos chamam de fika, costume enraizado na cultura do país escandinavo, e lavado muito a sério pelas empresas de lá.
As possibilidades são infinitas, e entender qual atividades – ou atividades -se encaixam melhor na rotina pessoal pode levar um certo tempo. O importante é entender que os pequenos momentos pessoais devem fazer parte do dia-a-dia, e que sem saúde física e mental, além e satisfação pessoal e com a própria vida, ninguém produz bem. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
por leonardo santos | dez 19, 2025 | Dicas
Resumir textos pode ser a chave para um caminho de excelência nos estudos, mas é preciso estar atento às técnicas
Fazer bons resumos de conteúdo pode ser uma excelente maneira de estudar. Para além de sumarizar conteúdos mais importantes e dar destaque ao que realmente importa, os resumos são uma maneira eficiente de repassar a matéria e fixá-la na memória. Para pessoas com memória fotográfica eles também podem ser um antígeno contra os “apagões” na hora da prova.
Mas é preciso estar atento para se fazer bons resumos de conteúdo, porque a eficácia dessa técnica de estudos está diretamente ligada à qualidade da execução. É o que mostra um estudo de 2013 da Universidade de Kent, nos EUA. Liderada pelo pesquisador John Dunslosky, o resumo foi apontado como um método de eficácia moderada, já que necessita de boas técnicas para que de fato funcione.
É que fazer bons resumos de conteúdo pode ser muito útil na preparação de provas e trabalhos, mas é preciso saber boas técnicas para executá-los. Na pesquisa, destacou-se como ponto crucial a existência do processamento cognitivo, em que os estudantes são capazes de explanar o conteúdo com suas próprias palavras, além de exprimirem do texto os conceitos de destaque e palavras-chave.
Em resumo – com o bom uso da palavra – não se pode somente copiar ou grifar partes do texto de maneira aleatória. Para que um resumo de fato funcione, é preciso saber extrair dele o que mais interessa, e mais importantemente processar cognitivamente esse conteúdo resumido.
O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, explica que tudo poder variar de acordo com o perfil de cada estudante. Ele cita a teoria das múltiplas inteligências desenvolvida pelo psicólogo Howard Gardner na década de 80, em que se aponta a existência de nove tipos de inteligência distintas.
“Cada um tem um suas competências e habilidades. Há quem aprende melhor ouvindo, outros escrevendo, outros vendo, e por aí vai. Então quando falamos sobre metodologias de estudo, é importante focar em si mesmo, porque todos tem suas facilidades”.
Para o docente, o resumo pode ser muito útil para algumas pessoas, principalmente na síntese de conteúdos, mas é a rotina e a organização de estudos – em horários pré-determinados e ambiente claro e calmo – unidos ao autoconhecimento, que são infalíveis quando assunto é aprendizagem.
Para os que se identificam com a metodologia dos resumos e tendem a colher bons resultados, deixamos abaixo 4 dicas para fazer bons resumos de conteúdo, de acordo com estudos já desenvolvidos sobre esse tema e recomendações de especialistas.
1. Leia e compreenda o conteúdo
Para Dunslosky, a sumarização de conteúdos só tem utilidade quando aplicada da maneira correta, e para que isso seja feito, é imprescindível que o estudante leia todo o conteúdo com boa compreensão e tenha domínio sobre ele.
Dessa forma, uma das dicas para se fazer bons resumos de conteúdo é justamente ter uma leitura atenta e proveitosa sobre o tema, estando bem familiarizado com ele. Isso porque fazer resumos sem ter a compreensão da temática é ineficaz, principalmente se não há critério sobre as informações que estão sendo extraídas.
2. Use suas próprias palavras
Não adianta somente copiar partes de um texto, é preciso saber explicar o que leu. É por isso que uma das dicas para se fazer bons resumos de conteúdo mais infalíveis é ter a habilidade de resumir o tema estudado com as próprias palavras.
Essa prática está diretamente ligada ao processamento cognitivo, em que o estudante consegue separar as informações mais relevantes das menos interessantes dentro da temática abordada. Assim, o cérebro ativa melhor seu perfil organizacional, e há uma forma de “extração” do que realmente importa.
3. Foque nas palavras e conceitos-chave
Uma das funções mais úteis de um bom resumo é dar relevância aos pontos que mais merecem atenção. Para fazer isso, é necessário que o estudante consiga identificar as palavras-chave e conceitos principais do conteúdo, os organizando de maneira eficiente.
Assim, é muito importante sintetizar as ideias principais e organizá-las em tópicos. Já outros detalhes e exemplos fornecidos não costumam ter muita relevância nesse processo de síntese.
4. Cuidado com os excessos
A ideia principal de um resumo é justamente sumarizar o conteúdo, assimilando suas ideias centrais e diminuindo o grande volume de informações que não são necessariamente úteis. Sendo assim, é fundamental ser mais objetivo e ter cuidado com o tamanho do resumo produzido.
É claro que tudo também depende do objetivo do resumo. Em alguns casos esse material pode ser mais longo ou mais sintetizado. O importante é conseguir sintetizar oque realmente interessa, produzindo um material funcional e eficiente. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)