5 fatos sobre o TDAH que talvez você não saiba

5 fatos sobre o TDAH que talvez você não saiba

Mais que apenas dificuldades de concentração, transtorno afeta pessoas em vários aspectos da vida pessoal, incluindo a aprendizagem

Se você está com dificuldade em manter uma rotina de estudos, se vê facilmente distraído e se esforça para ter concentração, isso não necessariamente significa que você tenha Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, mas vale se atentar aos sinais. É que por trás de uma onda de autodiagnósticos baseadas em informações duvidosas nas redes, há muitos fatos sobre o TDAH que passam despercebidos.

Com uma alta incidencia genética, prejuízos em vários aspectos da vida pessoal e características na maioria das vezes perceptíveis na escola, o TDAH tem uma incidência estimada entre 5% a 8% da população mundial, de acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA). Alguns tem o transtorno mais voltado para a desatenção, outros para o comportamento inquieto e impulsivo, e outros do tipo misto.

Um dos fatos sobre o TDAH é que grande parte da população acredita que o transtorno só atinja crianças, o que não é correto, já que muitos adultos sofrem com a doença. O que acontece é que geralmente esses sintomas são mais perceptíveis em pessoas em idade escolar. Há também pessoas em que o TDAH deixa de se manifestar na fase adulta, enquanto outros só descobrem a condição nessa idade.

Muitos aspectos e fatos sobre o TDAH seguem desconhecidos por grande parte das pessoas, e informações desencontradas e sem fundamentos científicos e profissionais seguem rondando a internet, sendo cada vez mais comum casos de autodiagnósticos e uso absusivo de medicamentos. Também é importante entender que a condição não determina o histórico acadêmico de uma pessoa.

A psicóloga e docente da UniBRAS Montes Belos, Suzy Souza, alerta que embora o transtorno cause inconvenientes reais no processo educacional, ele não deve ser interpretado como uma barreira permanente nos estudos, mas sim como um obstáculo a ser superado com estratégias pedagógicas específicas, acompanhamento com profissional de saúde mental e postura ativa.

“Embora o TDAH apresente desafios reais no processo de ensino-aprendizagem, ele não define o potencial de um estudante. Muitas vezes vemos alunos e pais usando o transtorno como uma forma de isenção de esforço, quando na verdade o desenvolvimento é possivel com o apoio adequado”, aponta a profissional.

Entre os sintomas e fatos sobre o TDAH que a docente afirma como mais comuns estão a dificuldade com atenção e concentração, problemas com organização e

planejamento, impulsividade, baixa auto estima, frustração, memória operacional prejudicada, e em alguns casos hiperatividade.

“O mais importante é cultivar a consciência de que o transtorno exige adaptações, mas não exime responsabilidades. Necessita-se atenção, não superproteção. Quando há diálogo e orientação, o TDAH deixa de ser um limitador e passa a ser apenas uma característica a ser administrada”.

Com a relevância da temática no cenário acadêmico, e também com o objetivo de esclarecer mais sobre o transtorno e combater a desinformação, listamos abaixo 5 fatos sobre o TDAH enfrentados por quem tem a condição que talvez você não saiba.

1. Procrastina como escape das dificuldades de concentração

Um dos fatos sobre o TDAH mais comuns é a dificuldade em levar projetos a frente, sejam profissionais ou pessoais. E não se trata somente de tarefas mais complexas, mas também coisas simples, como terminar de ler um livro já iniciado, por exemplo. Muitas vezes essa procrastinação vem após episódios de profundo entusiasmo com a atividade, seguidos por forte desinteresse.

Para além de uma comum falta de disciplina, essa característica também tem a ver com dificuldades de organização, manutenção do foco, gerenciamento de tempo e adequado controle emocional. A ausência desses traços, chamados de funções executivas, corroem boa parte das metas estabelecidas por esse indivíduo, levando a uma profunda frustração.

As saídas mais simples podem ser estipular metas mais acessíveis e realistas, separar um tempo razoável para cumprir atividades importantes no dia a dia, além de fixar lembretes visuais pelo ambiente doméstico ou laboral.

2. Não gosta de rotina, mas precisa muito dela

Se há um dos fatos sobre o TDAH que parecem mais contraditórios e polêmicos é sua relação com a rotina. Isso porque pessoas com o transtorno têm grandes dificuldades para cumpri-la, alegando tédio ou cansaço com mais frequência. Vale estacar que a impulsividade é um denominador comum para quem tem TDAH, com uma necessidade maior em ter rápidas recompensas ao realizar atividades que exigem maior esforço.

Por outro lado, estabelecer uma rotina equilibrada, com períodos de tempo de trabalho ou estudos adequados, junto a outros períodos reservados a atividades livres é uma das maneiras mais simples para superar os prejuízos do transtorno. Por isso, muitos vivem uma relação cíclica de amor e ódio com a rotina, variando entre o cumprimento e descumprimento de tarefas e tendo graves prejuízos com esse comportamento.

Mas como implementar com sucesso uma rotina se há uma grande resistência a ela? Os especialistas explicam que a melhor maneira de vencer esse círculo vicioso é

entender suas maiores necessidades pessoais, profissionais e acadêmicas, e organizar uma grade realista de horários, com rotina previsível e constante.

Nesse sentido, é importante que o indivíduo alterne horários estabelecidos para trabalhar e estudar, com outros horários de lazer e descanso. A alimentação adequada e atividades físicas são chaves para o sucesso dessas medidas. É importante ainda ter um espaço limpo, silencioso e organizado de estudos – além de sempre dividir as tarefas em etapas menores.

3. Pode se beneficiar de métodos de estudo alternativos

Se estudar de maneira tradicional não gera grandes resultados, pode ser hora de buscar metodologias pedagógicas alternativas. Técnicas como o método pomodoro, em que o estudante intercala períodos curtos de estudo com pausas regulares, ou a técnica Feyman, em que se revisa o conteúdo estudado “ensinando” a outra pessoa costumam funcionar entre pessoas com TDAH.

Outros recursos que auxiliam bastante no processo de foco e memorização são a prática de resumos, o uso de flashcards e lembretes visuais, os mapas mentais e organogramas.

4. Precisa se atentar ao uso de medicamentos

Como qualquer tipo de medicamento psicotrópico, o uso de substâncias para aliviar o sintomas do TDAH podem ter enorme sucesso no tratamento, mas devem sempre ser introduzidos e retirados com cuidado e acompanhamento de um médico. É esse profissional que tem o conhecimento específico sobre as vantagens e ricos desses medicamentos, e pode administrá-los com segurança.

Medicações como o metilfenidato, lisdexanfetamina e o cloridato de atomexina são algumas das substâncias mas receitadas pelos médicos para o TDAH, com diversos nomes comerciais. No entanto, quando utilizados de forma abusiva, podem levar a dependência química e outros efeitos colaterais psicológicos e físicos graves.

A comunidade médica tem notado inclusive um aumento no abuso desses medicamentos, mesmo entre pessoas que não tem o transtorno diagnosticado. Com o avanço da autodiagnosticação e a automedicação, o uso dessas substâncias requer especial atenção por parte da comunidade acadêmica.

5. Só pode ser diagnosticado por um profissional

A internet pode ser uma fonte de alerta e informação importante, mas um dos fatos sobre o TDAH é que simplesmente alguns sintomas como desatenção constante, dificuldade em levar adiante rotinas diárias e impulsividade não são suficientes para diagnosticar o transtorno.

Além desses sintomas poderem estar presentes em outros diagnósticos de transtornos mentais, eles também podem ser resultados de um estilo de vida acelerado, muito atarefado ou do abuso de dispositivos eletrônicos – comportamentos muito comuns hoje em dia. O certo é que só um profissional de saúde mental é capaz de reunir as queixas e dificuldades de um indivíduo e estabelecer um diagnóstico ou não.

Entre os profissionais adequados para fazer essa análise estão psicólogos, psiquiatras e neurologistas. Assim, em caso de suspeita do TDAH, o primeiro passo a seguir é buscar ajuda profissional. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)

5 dicas para evitar a procrastinação nos estudos

5 dicas para evitar a procrastinação nos estudos

Muito além do que se pensa ser preguiça, há maneiras de simplificar a rotina de estudos e evitar deixar tudo para depois

Quem nunca deixou para amanhã a lista de exercícios que poderia fazer hoje? O trabalho com o prazo de um mês para o último dia, ou o estudo da prova para horas antes do exame. Estudantes de todas as idades entendem bem os prejuízos da procrastinação nos estudos, mas ainda assim não sabem como pará-la. Se fosse fácil abandoná-la, muitos já teriam se ajustado. Pior ainda é quando a culpa se instala.

É que a questão é mais complexa. A procrastinação nos estudos, na alimentação, no trabalho, quanto a uma decisão importante, ou a qualquer outro aspecto em que ela se manifeste, não é algo simples como uma preguiça ou má gestão do tempo, como muitos de nós interpretamos. Se trata de um comportamento ou sintoma fruto de conflitos inconscientes. Ou ao menos é assim que explica a psicanálise.

A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UniBRAS Quatro Marcos, Aline Esther, explica que Sigmund Freud apontava para um conflito entre o princípio do prazer, que busca a satisfação imediata, e o princípio da realidade, que impõe limites e obrigações. Nesse embate, o indivíduo recorre a mecanismos de defesa, como a repressão ou a evitação, para escapar de situações angustiantes.

“Quando uma tarefa desperta o temor do fracasso, inadequação ou julgamento, ou quando exige uma forte disposição de energia, o sujeito pode inconscientemente optar por adiá-la, como forma de se proteger. O medo do sucesso também é uma variável comum. Então a procrastinação não deve ser combatida diretamente, ela deve ser interpretada, compreendida, para que se lide com ela”.

De acordo com essa interpretação, é preciso estar atento ao que se estimula essa procrastinação nos estudos, e a partir disso agir para fazer com que a rotina possa fluir de maneira mais simples. Dessa forma, o cuidado com a saúde mental e o autoconhecimento são indispensáveis para enfrentar a questão da procrastinação.

Mas pensando de uma forma mais prática, e considerando que os cuidados com a saúde mental estão sendo observados satisfatoriamente, há sim algumas medidas e hábitos que podem ajudar a construir uma rotina mais saudável e ágil, deixando a procrastinação nos estudos como um comportamento do passado.

Abaixo listamos 5 hábitos para evitar a procrastinação nos estudos.

1. Cuide do seu espaço de estudos

Antes de começar uma rotina de estudos bem-sucedida é fundamental estar atento ao lugar em que se estuda. Isso porque um ambiente limpo, organizado e sem distrações são fatores determinantes para um melhor rendimento. Dessa maneira, separar um

espaço em que se tenha mais capacidade de concentração e personalizá-lo a seu favor é fundamental.

É importante também estar atento aos equipamentos que auxiliam nos estudos, como artigos de papelaria e dispositivos eletrônicos, já que materiais em bom estado agilizam a rotina. Por último, é importante buscar sempre o máximo de conforto possível.

2. Determine metas e prazos

Deixar que os conteúdos fluam de forma caótica é um excelente atalho para a procrastinação nos estudos. Por isso, é preciso estar atento às prioridades e urgências, e determinar quais tarefas devem ser desenvolvidas primeiro, com metas e prazos.

É importante também determinar o tempo de estudo diário, para que essa rotina não seja driblada sem que se perceba – nem seja excessiva.

Mas atenção: é extremamente importante criar metas possíveis, de acordo com seu tempo, disponibilidade e comportamento. Nada de criar tarefas gigantes e impossíveis de serem cumpridas, já que isso pode desenvolver um sentimento de fracasso, que estimula ainda mais a procrastinação.

3. Faça a gestão de tarefas grandes

Quem nunca enrolou para desempenhar uma tarefa que demande muito tempo e esforço? Se deparar com grandes tarefas pode ser um desencadeador da procrastinação nos estudos, já que tendemos a evitar atividades que requerem muito empenho. Pior ainda é não saber quais são os passos para desempenhá-la, e se perder no caminho.

Dividir essa grande tarefa em etapas menores não só ajuda a ter mais clareza sobre o projeto, como também auxilia na gestão de tempo. O resultado é uma tarefa mais organizada e com menos ansiedade e tensão sobre o trabalho, evitando assim a procrastinação.

4. Separe um tempo para o descanso

Se a rotina de estudos demandar muitas horas do dia, é importante manter uma pausa entre os livros. Isso porque o cansaço diminui o foco, fundamental para se ter um bom desempenho.

Não tendo boa concentração, o estudante tende a ter dificuldades com memorização e vai ter um menor aproveitamento do que revisou. Se o sono não estiver em dia, o resultado é ainda pior.

Por isso separe sempre um intervalo entre os estudos para descansar, se distrair ou fazer um lanche. Lembre-se também que na rotina diária é importante manter no mínimo 7 horas de sono.

5. Use a tecnologia a seu favor

Há muito debate sobre o uso da tecnologia na Educação, especialmente no potencial dos dispositivos eletrônicos em diminuir nossa capacidade de concentração. Mas é importante entender que esses equipamentos podem auxiliar na diminuição da procrastinação dos estudos, desde que utilizados com intencionalidade correta.

Há aplicativos que ajudam a gerir o tempo dos estudos, na manutenção de métodos de ensino e na concentração. Além disso, a inteligência artificial pode ser uma aliada na simplificação de tarefas, desde que utilizada de forma correta. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)

Sem celular nas escolas: docentes contam seus pontos de vista

Sem celular nas escolas: docentes contam seus pontos de vista

Nova lei entreou em vigor em fevereiro deste ano, e proíbe o celular na instituições de ensino do nível básico públicas e privadas.

Aprovada recentamente, a Lei 15.100/2025 mudou o dia-a-dia das instituições de ensino em todo o país. Isso porque a legislação restringe o uso de celulares em ambientes escolares nos ensinos fundamental e médio, proibindo seu uso mesmo em momentos em que não há aula, como recreios e intervalos. Amplamente defendida por educadores e muitos responsáveis, a lei teve amplo apoio no Congresso e foi sancionada no dia 19 de fevereiro pelo Executivo.

O objetivo principal da norma é garantir que as escolas tenham sua função de espaço destinado a aprendizagem e sociabilidade resguardados, fazendo com que as crianças e adolescentes não sejam prejudicados no processo educativo. Além disso, também busca-se cooperar no sentindo de evitar os riscos dos vícios de uso de telas e redes sociais nos estudantes.

Recebida com louvor por grande parte da comunidade de docentes e responsáveis, a legislação está em período de adaptação, com os estudantes sendo os mais resistentes a se adequar às novas diretrizes. Mas o que não faltam são relatos de professores sobre a diferença já notada no ambiente escolar, com alunos mais focados e com maior socialização. Mas há quem tenha pontos de discordância sobre a lei.

É importante enteder também que a legislação determina que os regimentos internos das escolas devem traçar determinantes sobre como armazenar os aparelhos, e prever punições a quem desrespeite a regra. També se prevê exceções para estuantes que dependem do aparelho móvil por questão de acessbilidade ou saúde, desde que comprovados por laudo médico.

Um outro ponto importante da legislação diz respeito aos professores, que devem ser orientados e capacitados para inclusão tecnológica no processo educativo, e também para se manterem atentos quanto a eventuais prejuízos dos aparelhos digitais na saúde dos estudantes.

Embora a nova legislação não inclua o ensino superior, o projeto é acompanhado de perto por educadores e especialistas de todos os níveis da Educação, já que pode servir como exemplo de como os aparelhos móveis e a tecnologia como um todo interferem nos projetos pedagógicos e instituições de ensino.

Pensando na relevância dessa paauta para a Educação, conversamos com três docentes do Ecossistema BRAS Educacional para entender seus pontos de vistas sobre a nova lei – alguns inclusive com atuação na Educação Básica.

Foco na intencionalidade pedagógica

Para além do uso do celular, o docente e pedagogo da UniBRAS Digital Rafael Moreira – que também é docente na educação básica – explica que a lei não tem qualquer motivação em retirar a tecnologia das escolas, mas foi pensada justamente na reeducação do seu uso. Isso porque não só toda a sociedade é cada vez mais tecnológica, como a tecnologia, quando bem aplicada, é uma aliada no processo de aprendizagem.

“Hoje o telefone é muito mais que uma ligação, ele pode se transformar numa sala de aula estendida, e também é um recurso que pode ser ampliado para que as coisas aconteçam. Só que é importante entendermos que a lei vai além, e permiteo o uso dos recursos tecnológicos de modo que as coisas fluam o aprendizado e a troca de saberes. O problema é o que a não intencionalidade pedagógica gerou”, argumenta.

Ele explica que a escola em que trabalha está bem equipada com dispositivos tecnológicos com acesso a internet nos laboratórios de informática, e também com outros ambientes de capacidade intelectual sem acesso virtual que compoem satisfatoriamente o ensino desses alunos, como a biblioteca e salas de laboratórios. O uso do celular, quando necessário, é avisado aos pais com antecedência.

Mas como o celular em si não é um vilão, e sim o seu mau uso, Rafael explica que há exceções. Como a própria legislação aponta, há alunos com deficiência que pecisam do celular para aplicativos de inclusão. Além disso, estudantes dos anos mais avançados já tem a autonomia de levar o aparelho móvil para notificar os pais de sua chegada ou chamar um carro por aplicativo como transporte até a escola, desde que os mantenham desligados ao entrar na instituição.

Apesar de apontar que na escola em que atua o celular já era proibido, ele explica que antes os alunos tinham permissão para manuseá-lo nos horários livres, algo que com alei se tornou bem mais restrito. Com a implementação da legislação, o educador entendeu que houve um forte avanço para a comunidade escolar e também a familiar, e que apesar de alguns resistentes, aos pouco as coisas se adaptam.

“A gente entendeu que houve um ganho. Um ganho social, um ganho de diálogo, de interação e descobertas. Um ganho que o aluno entendeu que a escola tem que resgatar suas funções, e que ela também tem a função tecnológica, mas que não no tempo do aluno. As rodas literárias, de conversas, os debates, trabalhos manuais, todos estão sendo retomados e intensificados. E claro, o protragonismo do próprio aluno, no qual ele fala, não copia, não traz um discurso pronto”.

Melhor alternativa possível

O professor do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Campos, explica que há uma certa unanimidade enre os professores sobre os benefícios da nova lei – algo que segundo ele já é fortemente percebido nas redes de educadores. Segundo o docente, quando o aluno está imerso em notificações, redes sociais ou jogos, o processo de absorção e relexão dos conteúdos lecionados é comprometido.

“A presença constante dos celulares tem contribuído para uma fragmentação da atenção e uma diminuição do engajamento durante as aulas. Essa dispersão interfere diretamente no processo cognitivo, elemento central para o desenvolvimento e a excelência acadêmica, que é o verdadeiro serviço ao qual as escolas se destinam”.

Roberto explica que existe um contraponto de muitos envolvidos no processo educativo argumentando sobre a utilidade no celular no processo de aprendizagem, mas segundo ele isso não deve se derivar num afrouxamento da legislação, como a possibilidade mais branda de deixar os alunos terem um acesso “controlado” aos dispositivos dentro da escola, já que esse monitoramento é muito complicado.

“Para que se aproveite de forma efetiva o potencial pedagógico dos celulares, seu uso precisar ser limitado a momentos restritos e sob orientação direta dos professores. Na prática, a ausência de normas que autorizem a apreensão dos dispositivos acaba impedindo que os educadores possam confiscar os aparelhos, dificultando o controle”, justifica.

Ele também explica que para transformar o smartphone em um recurso educativo, seria fundamental que as escolas adotassem estratégias como a elaboração de regimentos internos claros, a capacitação de professores para manejarem esses recursos, e principalmente a implementação de medidas disciplinares quando necessárias – medidas que não contam com o apoio majoritário dos responsáveis.

“Nessas condições, vejo a lei como uma resposta necessária, porque mesmo o aprelho celular tendo potêncial como ferramenta educativa, a realidade é que sem o devido controle os prejuízos se sobrepõem aos benefícios. A medida visa preservar o ambiente escolar e fomentar o desenvolvimeto integral dos estudantes”.

Foco na devida interpretação

O pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Bruno Pereira, concorda que a lei é muito bem-vinda. Para ele, além da medida evitar que o aluno se disperse – o que dificulta tanto a sua aprendizagem quanto o andamento das aulas, também ajuda nos casos de vício em telas, já demonstrado por estudos. No entanto, ele chama a atenção para a interpretação que as instituições de ensino e os gestores escolares estão fazendo, porque o celular também pode ser um aliado nos estudos.

“É fundamental reconhecer que os dispositivos eletrônicos podem ser também uma excelente ferramenta pedagógica. Então na verdade é preciso analisar em quais

momentos utilizá-los, e qual sua intencionalidade. Há atividades em que os celulares enriquecem as aulas, como aplicativos educativos, gravação de vídeos, pesquisas orientadas e mesmo atividades que envolvem música”, argumenta.

Para ele, a chave está em entender quando é positiva a presença dos aparelhos em sala de aula, e quando não é, e não restringí-lo de maneira absoluta. De acordo com o especialista, desde a implementação da lei, muitos têm interepretado a regra de forma rígida e errônea, já que a legislação faz alusão ao uso inadequado dos celulares, e não sua exclusão completa do ambiente escolar.

“Há casos de gestores que estão fazendo uma interpretação equivocada da norma, proibindo completamente o uso dos celulares em sala de aula, inclusive pelos próprios docentes para fins pedagógicos. De acordo com a secretaria de educação aqui da cidade, se algum professor quiser fazer qualquer registro com fotos ou vídeos de suas atividades, ele tem primeiro que pedir autorização para o gestor da escola”.

Para o pedagogo, restringir o uso total dos celulares não é o caminho correto para evolução do uso das ferramentas tecnológicas, e sim a adoção de uma interpretação mais compreensível da norma, em que os celulares sejam devidamente incluídos em sala de aula, desde que tenham uma intencionalidade pedagógica clara. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)

5 benefícios da meditação para os estudos

5 benefícios da meditação para os estudos

Prática tem reflexos diretos na rotina de aprendizagem

Ter uma rotina de estudos é parte essencial do processo de aprendizagem. Quando se revisa os conteúdos acompanhados em sala de aula, o estudante costuma ter um rendimento superior. Mas estudar todos os dias requer esforço e planejamento, e muitos acabam se perdendo no processo. No enanto, os estudantes podem desfrutar os benefícios da meditação para os estudos.

Parece estranho para alguns que a meditação possa influenciar diretamente na rotina estudantil, mas os benefícios da meditação para os estudos são diversos, passando por fatores cognitivos à saúde mental. A prática milenar surgida em países asiáticos acabou se difundindo em todo o mundo, e passou também de ser uma prática somente religiosa ou espiritual para um exercício cotidiano.

Oportunidades e tutoriais não faltam. Basta uma simples busca na internet para se encontrar possibilidades infinitas de meditação, incluindo os populares aplicativos, que acompanham e guiam os praticantes.

A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UniBRAS Quatro Marcos, Aline Esther, explica que embora a regulação do estresse e da ansiedade seja a principal razão para que se busque a meditação, os benefícios são muito maiores.

“Destaca-se o autoconhecimento e expansão da consciência. A meditação proporciona um espaço de atenção voltado para conteúdos internos, permitindo a exploração e mergulho no eu para além da superfície, já que é natural que estejamos o tempo todo voltados para fora, e a meditação proprociona um movimento reverso”, explica.

A partir da prática, a docente explica que há o desenvolvimento de habilidades que contribuem para uma expansão cognitiva e psicológica, funcionando como uma ferramenta de reorganização mental. Isso serve de base para movimentos de adaptação e mudanças positivas para o indivíduo.

Considerando os reflexos que a prática pode gerar em toda a comunidade acadêmica, listamos abaixo 5 benefícios da meditação para os estudos.

1. Desenvolve a concentração e o foco

É difícil imaginar um dos benefícios da meditação para os estudos melhor que simplesmente desenvolver a concentração. Afinal, quem nunca perdeu horas procrastinando com qualquer coisa ao invés de manter o foco nos livros?

Os estudos sobre a meditação são unânimes em demonstrar que indivíduos que incluem a atividade em sua rotina tem melhores resultados nesse tópico, o que

obviamente beneficia o rendimento de estudantes. Isso porque ao meditar, a pessoa treina a mente para manter o foco em um pensamento ou objeto.

2. Melhora a saúde mental

Outro resultado unânime entre os estudos são as vantagens de quem tem o hábito da prática meditativa no quesito saúde mental. Isso porque meditar reduz o estresse, a ansiedade e os sintomas depressivos. Além disso, reduz a irritabilidade, já que ajuda a diminuir os níveis de cortisol – o hormônio do estresse.

Assim, fica claro que aumentar a sensação de bem-estar é um dos benefícios da meditação para os estudos, já que uma mente mais saudável é essencial para um bom rendimento nas atividades educacionais.

3. Promove a saúde física

Estar doente não ajuda quando o assunto é estudar. E nesse sentido a meditação também pode ser uma aliada. Isso porque ela afeta diretamente a frequência cardíaca e pressão arterial, indispensáveis para quem deseja ter uma rotina mais calma e focada. Além disso, a diminuição nos níveis de cortisol aumenta a sensação de bem-estar, já que o hormônio tem efeito sob o humor e motivação.

A redução do cortisol também diminui as inflamações e afeta diretamente o metabolismo. Há ainda estudos que demonstram que pessoas que meditam regularmente tem diminuição significativa nos sintomas dolorosos.

4. Beneficia a capacidade de memória

Ter uma boa memória também está entre um dos melhores benefícios da meditação para os estudos. E a prática tem efeito direto sobre ela, já que atua na massa cinzenta do cérebro, ou hipocampo.

Essa região é conhecida pela maior concentração de neurônios, e ativá-la significa estimular o surgimento de novos neurônios. Isso beneficia diretamente o processamento das emoções, a diminuição do estresse e o aumento da capacidade de memorização.

5. Trabalha a autoconfiança

A já muito mencionada diminuição do estresse e maior controle das emoções traz um benefício a mais: a melhora na autoconfiança. Isso porque, com a sensação de bem-estar iminente, a mente tem a tendência em trabalhar melhor suas habilidades, promovendo mais assertividade.

Essa sensação de bem-estar também proporciona uma diminuição do medo e dos sistemas de alerta. Para os estudantes isso pode ser fundamental, já que em uma prova ou atividade, ter uma maior autoconfiança pode influenciar diretamente no

resultado final. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema Bras Educacional)

5 anos depois: as consequências da pandemia na Educação

5 anos depois: as consequências da pandemia na Educação

Um olhar específico sobre o conjunto de mudanças que ainda permeiam o ensino mesmo após meia década da emergência sanitária

Era uma quarta-feira comum como todas as outras. Ou ao menos assim parecia. Mas no dia 11 de março de 2020 a Organização Mundial da Saúde declarava a pandemia de COVID-19, e com isso uma série de consequências. O que antes pareciam 15 dias excepcionais se converteram em meses de isolamento social, incluindo as salas de aula. Mas algumas coisas nunca mudaram, e certas consequências da pandemia na educação continuam mesmo após 5 anos, tanto negativas quanto positivas.

Para além da área profissional e de todos os outros aspectos alterados de nossas rotinas, a ideia de uma sala lotada no contexto de uma doença infecciosa transmissível por gotículas aéreas era inimaginável. De imediato, uma das primeiras consequências da pandemia na educação em todo o mundo foi a suspensão das aulas presenciais.

Algumas instituições de ensino, mais bem preparadas, habilitaram o modo de educação à distância de imediato. Outras somente suspenderam as atividades, mas foram obrigadas a retomá-las remotamente, já que os 15 dias se converteram num período muito maior. A partir disso, se iniciou uma corrida para a melhora no ensino remoto de modo antes nunca vista.

Mas as consequências da pandemia na educação foram muito além. Elas passavam pela falta de acesso à equipamentos digitais, à conexão de internet bando larga, as questões financeiras, econômicas e sociais. Muito foi devidamente resolvido na correria, e outros “ganchos” continuaram, com graves prejuízos na aprendizagem.

No entanto não houve só problemas. Historicamente, quando a humanidade passa por grandes desafios, ela dá saltos em desenvolvimento tecnológico e social. E isso aconteceu também na área educacional, com novas metodologias e formas de ensino que continuaram mesmo depois da emergência sanitária.

É com o olhar específico para as consequências da pandemia na educação de forma permanente é que buscamos juntos a docentes e especialistas as realidades, tanto boas como ruins, que ainda permeiam o campo educacional, mesmo após 5 anos desse fato histórico que marcou uma geração.

1. Saúde mental

Dos diversos problemas que vieram em conjunto com a pandemia, a crise de saúde mental foi um dos maiores deles. Desde os primeiros momentos das restrições sanitárias, especialmente da “quarentena”, as primeiras queixas foram relacionadas ao

bem-estar psicológico. As consequências profissionais e financeiras da pandemia também colaboraram fortemente para isso.

Em 2022, a Organização Mundial da Saúde divulgou um relatório em que mostrava o aumento na prevalência de casos de ansiedade e depressão em 25% em todo o mundo. Essa crise de saúde mental foi sentida também de modo especial nas instituições de ensino, que perceberam um aumento do estresse entre estudantes e docentes.

Uma pesquisa feita em parceria da Secretaria de Educação do estado de São Paulo com o Instituto Ayrton Senna, também em 2022, mostrava que 2 em cada 3 estudantes do ensino público do estado apresentavam queixas relacionadas à saúde mental. Uma outra pesquisa da Universidade Federal da Bahia (UFBA) com cerca de 509 alunos da graduação mostrava que 78,6% deles tinham algum desconforto mental.

O pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Bruno Pereira, concorda que o isolamento social provocou o aumento de doenças mentais já antes conhecidas pela comunidade escolar, mas não em níveis tão elevados quanto os verificados hoje. Para ele, isso prova o quão importante é a interação social no processo de aprendizagem. Atuante tanto no ensino superior quanto fundamental, ele sente isso em todos os ambientes.

“Há alguns dias uma colega docente de uma turma com alunos em torno dos 5 anos se queixava de percebê-los muito imaturos, e eu destaquei que esses alunos dela são hoje as crianças que nasceram na pandemia. São alunos que passaram entre dois e três anos isolados”, argumenta.

Para reverter esse quadro, as instituições de ensino devem estar atentas aos sinais de estresse e adoecimento tanto entre alunos quanto entro professores, e incluírem a Educação Socioemocional em suas abordagens pedagógicas. É um trabalho longo e difícil de recuperação que não deve ser minimizado ou menosprezado.

2. O ensino à distância

Antes de 2020, havia uma forte aposta pela expansão da educação à distância por parte de muitos especialistas e instituições de ensino, mas nada realmente comparável ao cenário atual. A ideia inicial era a de que, aos poucos, com a expansão da modalidade e o êxito na formação de estudantes e profissionais, nos converteríamos de maneira gradual ao ensino remoto.

Mas a pandemia mudou o cenário de forma abrupta. Se antes era opcional estudar e lecionar remotamente, naquele momento já era “obrigatório”. A desconfiança que muitos tinham da eficácia desse modelo acabou sendo colocada a prova de maneira muito mais abrangente e inesperada, e a expansão do EaD é uma das maiores consequências da pandemia na educação.

Toda essa emergência já era sentida quando o Censo da Educação Superior de 2021 mostrava um crescimento de 474% de cursos universitários à distância na década anterior. Era óbvio, no entanto, associar esses resultados impressionantes com o período imediatamente anterior, já que a pandemia se iniciou em 2020. Mas os índices se sustentaram nos anos seguintes.

Já no Censo da Educação Superior de 2023 – o mais recente divulgado até agora – houve uma retração de 49 mil vagas presenciais no ensino superior brasileiro, ao mesmo tempo que um crescimento de mais de 600 mil remotas. O resultado foi um crescimento de mais de 700% na década anterior. Ainda de acordo com os dados, os cursos de licenciaturas são esmagadoramente remotos, ultrapassando os 80%.

Tal cenário mostra que os estudantes e docentes vêm adotando fortemente a modalidade a distância, seja de forma total ou híbrida, e com isso há novos desafios para o campo educacional, já que ao facilitar o acesso à educação de qualquer ponto com conexão à internet, vencemos distâncias e desafios estruturais e logísticos imensos, num país gigante e desigual.

No entanto é sempre importante entender que uma nova modalidade de ensino também requer outros focos de atenção, como a eficácia dessa formação, a disciplina e colaboração dos alunos, assim como as novas abordagens pedagógicas. Estar em sala de aula é diferente de estar em um ambiente virtual, para todos os envolvidos nesse processo de formação.

Para o professor do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Campos, a familiarização com ferramentas digitais é um aspecto muito positivo que a pandemia deixou no ensino. “Enriqueceu o processo educativo como um todo. Tanto alunos quanto professores tiveram que desenvolver habilidades digitais tecnológicas que, hoje em dia, ambos dificilmente conseguiriam ficar sem”, explica.

O pedagogo Bruno Pereira também concorda como ponto positivo a adoção de ferramentas digitais antes não amplamente utilizadas, mas para ele as vantagens, com a flexibilização do ensino como ponto destaque entre as consequências da pandemia na Educação. Nesse sentido, também houve o desenvolvimento da autonomia dos alunos no processo de aprendizagem.

“Muitos alunos desenvolveram essa habilidade de maior autonomia na aprendizagem naquela época, e que continua até hoje. Eles tiveram que aprender a gerenciar melhor o seu tempo, naquele momento que o estudo não tinha a supervisão direta do professor”, expõe.

3. Acesso à tecnologia

O ensino à distância não existe sem conexão à internet, e portanto o acesso à tecnologia, conexão e dispositivos digitais está diretamente relacionada à expansão do ensino remoto. Mas isso não era simples no início da pandemia, e logo os problemas surgiram.

No início, o questionamento era por onde as aulas se dariam. Assim, ferramentas como o Google Meet, Zoom, e o Microsoft Teams, que antes tinham caráter ainda experimental para a maioria dos educadores, se tornaram imediatamente fundamentais. Outras ferramentas para auxiliar na dinâmica das aulas também foram incorporadas com rapidez.

“Quando a pandemia começou, eu trabalhava numa pasta da secretaria municipal de educação, na diretoria de ensino aqui da cidade, e foi tudo muito complexo porque nós não achávamos na literatura nada semelhante. Tivemos realmente que reinventar”, diz Bruno.

Além da questão das ferramentas e metodologias a se adotadas, os educadores esbarravam ainda num velho problema do país: a desigualdade no acesso a serviços. Com uma diferença socioeconômica tão acentuada, professores e estudantes com melhores condições financeiras tinham melhores dispositivos tecnológicos e acesso à internet, enquanto os mais pobres agonizavam.

Esse abismo no acesso às tecnologias afetava diretamente o rendimento dos alunos, num país que tem como forte missão garantir o acesso à educação de qualidade para vencer a forte desigualdade de renda. Não garantir esse acesso significaria, automaticamente, retroceder um trabalho de décadas de esforços da educação brasileira.

O cenário desafiador foi muito aliviado pelos esforços conjuntos de professores, alunos, responsáveis e autoridades governamentais para garantir esse acesso. Com o fim da pandemia, muitos também retornaram ao presencial, o que aliviou parte dessa tensão. Mas como a tecnologia na educação pós-pandemia evoluiu para a inclusão de ferramentas digitais de forma irreversível, o acesso à tecnologia se tornou ainda mais relevante no ambiente educacional.

Dados do IBGE mostram que em 2023 92,5% das residências brasileiras tinham acesso à internet banda larga, variando entre fixa e móvel. No entanto enquanto nas áreas urbanas o acesso era de 94,1%, e na área rural era de 81%. Há também algumas diferenças entre as regiões do país, embora sejam pequenas. Mas a desigualdade de acesso entre o campo e a cidade está diminuindo, saindo de 40% em 2016 para 13,3% em 2023.

“Agora é muito importante trabalhar para reduzir as desigualdades de acesso”, explica o professo Roberto Campos. O encontro desse cenário com a incorporação de novas tecnologias de forma permanente, como a chegada da inteligência artificial no ensino, requer também uma reflexão mais aprofundada da comunidade escolar sobre como utilizar melhor esses recursos, de acordo com o especialista.

“Não tenho dúvidas de que a pandemia nos ensinou muito sobre resiliência e adaptação. O desafio agora é encontrar um equilíbrio entre os benefícios das inovações tecnológicas e a importância das interações presenciais”.

Mas o professor Bruno Pereira é um pouco menos otimista. Para ele, ainda há grande desigualdade de acesso a tecnologia, e isso a pandemia deixou marcas profundas na

educação do país, como a desfasagem escolar, em que parte dos alunos não recuperaram os prejuízos dos conteúdos perdidos, e a evasão escolar, já que muitos deles perderam o vínculo com a escola.

“Alguns estudos e as próprias avaliações do Ideb nos mostram que houve sim um retrocesso na aprendizagem, principalmente nas redes de educação que não se preocuparam em ter um plano claro e efetivo de recomposição dessas aprendizagens no pós-pandemia”.

Por outro lado, ainda falando em tecnologia, ele destaca que, por parte dos docentes, um ponto positivo foi a capacitação de professores para o ensino digital. “Até então nós não tínhamos essa capacitação, e com o cenário da pandemia isso mudou”.

4. Sobrecarga aos docentes

Muito se fala sobre a saúde mental dos alunos no pós-pandemia, e a importância da inclusão da Educação Socioemocional no currículo escolar, mas pouco se fala sobre as saúdes mental e física dos docentes. Afinal, os grandes responsáveis pela implementação das mudanças no ambiente de ensino foram eles.

Esse cenário em que os professores tiveram que se adaptar a uma rotina completamente diferente, prestar suporte de maneira árdua e ainda atuar muitas vezes tanto na modalidade presencial quanto remota provocou uma grande sobrecarga sobre os docentes, que é citada tanto pelo professor Roberto quanto o professor Bruno.

Para o professor Bruno, além dos esforços da adaptação ao ensino remoto, muitos professores também arcaram como os custos financeiros dessa nova modalidade de ensino. Já Roberto explica uma combinação de fatores que precarizaram o trabalho do docente na pandemia e que permanecem até hoje.

“Já testemunhei vários casos de sobrecarga docente. Os professores têm lidado com dupla jornada de trabalho, combinando presencial e virtual, e uma forte pressão por resultados e demandas por atualização constante em tecnologia. Isso tem levado a casos de síndrome de burnout e crises de ansiedade”, destaca.

Esse panorama apresentado pelos professores coincide com os números apresentados por diversos estudos sobre o tema. Em uma pesquisa de 2023 realizada pelo Ipec e feita com docentes brasileiros, cerca de 71% deles se diziam estressados. Um outro estudo da Unifesp mostra que cerca de 1 a cada 3 professores tem queixas e sintomas de esgotamento.

Para especialistas, o caminho para uma melhora no cenário da qualidade laboral e de vida como um todo dos docentes passa pela conscientização do problema por parte da instituições de ensino. Nesse sentido, é preciso reconhecer a existência do problema, conhecer as queixas dos professores, dar um suporte maior aos profissionais e entender que a saúde mental no campo educacional envolve a todos, e não somente os alunos.

Mas os professores também conquistaram algo muito bom. Para Bruno Pereira, na pandemia se iniciou algo que se manteve até hoje: a valorização do protagonismo do professor no cenário escolar. “As famílias e as comunidades puderam perceber o quão impactante é a função de um professor na vida de um aluno. Os pais perceberam isso, e eu acho que começou aí um movimento de valorização docente importante”. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)

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