5 benefícios da meditação para os estudos

5 benefícios da meditação para os estudos

Prática tem reflexos diretos na rotina de aprendizagem

Ter uma rotina de estudos é parte essencial do processo de aprendizagem. Quando se revisa os conteúdos acompanhados em sala de aula, o estudante costuma ter um rendimento superior. Mas estudar todos os dias requer esforço e planejamento, e muitos acabam se perdendo no processo. No enanto, os estudantes podem desfrutar os benefícios da meditação para os estudos.

Parece estranho para alguns que a meditação possa influenciar diretamente na rotina estudantil, mas os benefícios da meditação para os estudos são diversos, passando por fatores cognitivos à saúde mental. A prática milenar surgida em países asiáticos acabou se difundindo em todo o mundo, e passou também de ser uma prática somente religiosa ou espiritual para um exercício cotidiano.

Oportunidades e tutoriais não faltam. Basta uma simples busca na internet para se encontrar possibilidades infinitas de meditação, incluindo os populares aplicativos, que acompanham e guiam os praticantes.

A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UniBRAS Quatro Marcos, Aline Esther, explica que embora a regulação do estresse e da ansiedade seja a principal razão para que se busque a meditação, os benefícios são muito maiores.

“Destaca-se o autoconhecimento e expansão da consciência. A meditação proporciona um espaço de atenção voltado para conteúdos internos, permitindo a exploração e mergulho no eu para além da superfície, já que é natural que estejamos o tempo todo voltados para fora, e a meditação proprociona um movimento reverso”, explica.

A partir da prática, a docente explica que há o desenvolvimento de habilidades que contribuem para uma expansão cognitiva e psicológica, funcionando como uma ferramenta de reorganização mental. Isso serve de base para movimentos de adaptação e mudanças positivas para o indivíduo.

Considerando os reflexos que a prática pode gerar em toda a comunidade acadêmica, listamos abaixo 5 benefícios da meditação para os estudos.

1. Desenvolve a concentração e o foco

É difícil imaginar um dos benefícios da meditação para os estudos melhor que simplesmente desenvolver a concentração. Afinal, quem nunca perdeu horas procrastinando com qualquer coisa ao invés de manter o foco nos livros?

Os estudos sobre a meditação são unânimes em demonstrar que indivíduos que incluem a atividade em sua rotina tem melhores resultados nesse tópico, o que

obviamente beneficia o rendimento de estudantes. Isso porque ao meditar, a pessoa treina a mente para manter o foco em um pensamento ou objeto.

2. Melhora a saúde mental

Outro resultado unânime entre os estudos são as vantagens de quem tem o hábito da prática meditativa no quesito saúde mental. Isso porque meditar reduz o estresse, a ansiedade e os sintomas depressivos. Além disso, reduz a irritabilidade, já que ajuda a diminuir os níveis de cortisol – o hormônio do estresse.

Assim, fica claro que aumentar a sensação de bem-estar é um dos benefícios da meditação para os estudos, já que uma mente mais saudável é essencial para um bom rendimento nas atividades educacionais.

3. Promove a saúde física

Estar doente não ajuda quando o assunto é estudar. E nesse sentido a meditação também pode ser uma aliada. Isso porque ela afeta diretamente a frequência cardíaca e pressão arterial, indispensáveis para quem deseja ter uma rotina mais calma e focada. Além disso, a diminuição nos níveis de cortisol aumenta a sensação de bem-estar, já que o hormônio tem efeito sob o humor e motivação.

A redução do cortisol também diminui as inflamações e afeta diretamente o metabolismo. Há ainda estudos que demonstram que pessoas que meditam regularmente tem diminuição significativa nos sintomas dolorosos.

4. Beneficia a capacidade de memória

Ter uma boa memória também está entre um dos melhores benefícios da meditação para os estudos. E a prática tem efeito direto sobre ela, já que atua na massa cinzenta do cérebro, ou hipocampo.

Essa região é conhecida pela maior concentração de neurônios, e ativá-la significa estimular o surgimento de novos neurônios. Isso beneficia diretamente o processamento das emoções, a diminuição do estresse e o aumento da capacidade de memorização.

5. Trabalha a autoconfiança

A já muito mencionada diminuição do estresse e maior controle das emoções traz um benefício a mais: a melhora na autoconfiança. Isso porque, com a sensação de bem-estar iminente, a mente tem a tendência em trabalhar melhor suas habilidades, promovendo mais assertividade.

Essa sensação de bem-estar também proporciona uma diminuição do medo e dos sistemas de alerta. Para os estudantes isso pode ser fundamental, já que em uma prova ou atividade, ter uma maior autoconfiança pode influenciar diretamente no

resultado final. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema Bras Educacional)

5 anos depois: as consequências da pandemia na Educação

5 anos depois: as consequências da pandemia na Educação

Um olhar específico sobre o conjunto de mudanças que ainda permeiam o ensino mesmo após meia década da emergência sanitária

Era uma quarta-feira comum como todas as outras. Ou ao menos assim parecia. Mas no dia 11 de março de 2020 a Organização Mundial da Saúde declarava a pandemia de COVID-19, e com isso uma série de consequências. O que antes pareciam 15 dias excepcionais se converteram em meses de isolamento social, incluindo as salas de aula. Mas algumas coisas nunca mudaram, e certas consequências da pandemia na educação continuam mesmo após 5 anos, tanto negativas quanto positivas.

Para além da área profissional e de todos os outros aspectos alterados de nossas rotinas, a ideia de uma sala lotada no contexto de uma doença infecciosa transmissível por gotículas aéreas era inimaginável. De imediato, uma das primeiras consequências da pandemia na educação em todo o mundo foi a suspensão das aulas presenciais.

Algumas instituições de ensino, mais bem preparadas, habilitaram o modo de educação à distância de imediato. Outras somente suspenderam as atividades, mas foram obrigadas a retomá-las remotamente, já que os 15 dias se converteram num período muito maior. A partir disso, se iniciou uma corrida para a melhora no ensino remoto de modo antes nunca vista.

Mas as consequências da pandemia na educação foram muito além. Elas passavam pela falta de acesso à equipamentos digitais, à conexão de internet bando larga, as questões financeiras, econômicas e sociais. Muito foi devidamente resolvido na correria, e outros “ganchos” continuaram, com graves prejuízos na aprendizagem.

No entanto não houve só problemas. Historicamente, quando a humanidade passa por grandes desafios, ela dá saltos em desenvolvimento tecnológico e social. E isso aconteceu também na área educacional, com novas metodologias e formas de ensino que continuaram mesmo depois da emergência sanitária.

É com o olhar específico para as consequências da pandemia na educação de forma permanente é que buscamos juntos a docentes e especialistas as realidades, tanto boas como ruins, que ainda permeiam o campo educacional, mesmo após 5 anos desse fato histórico que marcou uma geração.

1. Saúde mental

Dos diversos problemas que vieram em conjunto com a pandemia, a crise de saúde mental foi um dos maiores deles. Desde os primeiros momentos das restrições sanitárias, especialmente da “quarentena”, as primeiras queixas foram relacionadas ao

bem-estar psicológico. As consequências profissionais e financeiras da pandemia também colaboraram fortemente para isso.

Em 2022, a Organização Mundial da Saúde divulgou um relatório em que mostrava o aumento na prevalência de casos de ansiedade e depressão em 25% em todo o mundo. Essa crise de saúde mental foi sentida também de modo especial nas instituições de ensino, que perceberam um aumento do estresse entre estudantes e docentes.

Uma pesquisa feita em parceria da Secretaria de Educação do estado de São Paulo com o Instituto Ayrton Senna, também em 2022, mostrava que 2 em cada 3 estudantes do ensino público do estado apresentavam queixas relacionadas à saúde mental. Uma outra pesquisa da Universidade Federal da Bahia (UFBA) com cerca de 509 alunos da graduação mostrava que 78,6% deles tinham algum desconforto mental.

O pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Bruno Pereira, concorda que o isolamento social provocou o aumento de doenças mentais já antes conhecidas pela comunidade escolar, mas não em níveis tão elevados quanto os verificados hoje. Para ele, isso prova o quão importante é a interação social no processo de aprendizagem. Atuante tanto no ensino superior quanto fundamental, ele sente isso em todos os ambientes.

“Há alguns dias uma colega docente de uma turma com alunos em torno dos 5 anos se queixava de percebê-los muito imaturos, e eu destaquei que esses alunos dela são hoje as crianças que nasceram na pandemia. São alunos que passaram entre dois e três anos isolados”, argumenta.

Para reverter esse quadro, as instituições de ensino devem estar atentas aos sinais de estresse e adoecimento tanto entre alunos quanto entro professores, e incluírem a Educação Socioemocional em suas abordagens pedagógicas. É um trabalho longo e difícil de recuperação que não deve ser minimizado ou menosprezado.

2. O ensino à distância

Antes de 2020, havia uma forte aposta pela expansão da educação à distância por parte de muitos especialistas e instituições de ensino, mas nada realmente comparável ao cenário atual. A ideia inicial era a de que, aos poucos, com a expansão da modalidade e o êxito na formação de estudantes e profissionais, nos converteríamos de maneira gradual ao ensino remoto.

Mas a pandemia mudou o cenário de forma abrupta. Se antes era opcional estudar e lecionar remotamente, naquele momento já era “obrigatório”. A desconfiança que muitos tinham da eficácia desse modelo acabou sendo colocada a prova de maneira muito mais abrangente e inesperada, e a expansão do EaD é uma das maiores consequências da pandemia na educação.

Toda essa emergência já era sentida quando o Censo da Educação Superior de 2021 mostrava um crescimento de 474% de cursos universitários à distância na década anterior. Era óbvio, no entanto, associar esses resultados impressionantes com o período imediatamente anterior, já que a pandemia se iniciou em 2020. Mas os índices se sustentaram nos anos seguintes.

Já no Censo da Educação Superior de 2023 – o mais recente divulgado até agora – houve uma retração de 49 mil vagas presenciais no ensino superior brasileiro, ao mesmo tempo que um crescimento de mais de 600 mil remotas. O resultado foi um crescimento de mais de 700% na década anterior. Ainda de acordo com os dados, os cursos de licenciaturas são esmagadoramente remotos, ultrapassando os 80%.

Tal cenário mostra que os estudantes e docentes vêm adotando fortemente a modalidade a distância, seja de forma total ou híbrida, e com isso há novos desafios para o campo educacional, já que ao facilitar o acesso à educação de qualquer ponto com conexão à internet, vencemos distâncias e desafios estruturais e logísticos imensos, num país gigante e desigual.

No entanto é sempre importante entender que uma nova modalidade de ensino também requer outros focos de atenção, como a eficácia dessa formação, a disciplina e colaboração dos alunos, assim como as novas abordagens pedagógicas. Estar em sala de aula é diferente de estar em um ambiente virtual, para todos os envolvidos nesse processo de formação.

Para o professor do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Campos, a familiarização com ferramentas digitais é um aspecto muito positivo que a pandemia deixou no ensino. “Enriqueceu o processo educativo como um todo. Tanto alunos quanto professores tiveram que desenvolver habilidades digitais tecnológicas que, hoje em dia, ambos dificilmente conseguiriam ficar sem”, explica.

O pedagogo Bruno Pereira também concorda como ponto positivo a adoção de ferramentas digitais antes não amplamente utilizadas, mas para ele as vantagens, com a flexibilização do ensino como ponto destaque entre as consequências da pandemia na Educação. Nesse sentido, também houve o desenvolvimento da autonomia dos alunos no processo de aprendizagem.

“Muitos alunos desenvolveram essa habilidade de maior autonomia na aprendizagem naquela época, e que continua até hoje. Eles tiveram que aprender a gerenciar melhor o seu tempo, naquele momento que o estudo não tinha a supervisão direta do professor”, expõe.

3. Acesso à tecnologia

O ensino à distância não existe sem conexão à internet, e portanto o acesso à tecnologia, conexão e dispositivos digitais está diretamente relacionada à expansão do ensino remoto. Mas isso não era simples no início da pandemia, e logo os problemas surgiram.

No início, o questionamento era por onde as aulas se dariam. Assim, ferramentas como o Google Meet, Zoom, e o Microsoft Teams, que antes tinham caráter ainda experimental para a maioria dos educadores, se tornaram imediatamente fundamentais. Outras ferramentas para auxiliar na dinâmica das aulas também foram incorporadas com rapidez.

“Quando a pandemia começou, eu trabalhava numa pasta da secretaria municipal de educação, na diretoria de ensino aqui da cidade, e foi tudo muito complexo porque nós não achávamos na literatura nada semelhante. Tivemos realmente que reinventar”, diz Bruno.

Além da questão das ferramentas e metodologias a se adotadas, os educadores esbarravam ainda num velho problema do país: a desigualdade no acesso a serviços. Com uma diferença socioeconômica tão acentuada, professores e estudantes com melhores condições financeiras tinham melhores dispositivos tecnológicos e acesso à internet, enquanto os mais pobres agonizavam.

Esse abismo no acesso às tecnologias afetava diretamente o rendimento dos alunos, num país que tem como forte missão garantir o acesso à educação de qualidade para vencer a forte desigualdade de renda. Não garantir esse acesso significaria, automaticamente, retroceder um trabalho de décadas de esforços da educação brasileira.

O cenário desafiador foi muito aliviado pelos esforços conjuntos de professores, alunos, responsáveis e autoridades governamentais para garantir esse acesso. Com o fim da pandemia, muitos também retornaram ao presencial, o que aliviou parte dessa tensão. Mas como a tecnologia na educação pós-pandemia evoluiu para a inclusão de ferramentas digitais de forma irreversível, o acesso à tecnologia se tornou ainda mais relevante no ambiente educacional.

Dados do IBGE mostram que em 2023 92,5% das residências brasileiras tinham acesso à internet banda larga, variando entre fixa e móvel. No entanto enquanto nas áreas urbanas o acesso era de 94,1%, e na área rural era de 81%. Há também algumas diferenças entre as regiões do país, embora sejam pequenas. Mas a desigualdade de acesso entre o campo e a cidade está diminuindo, saindo de 40% em 2016 para 13,3% em 2023.

“Agora é muito importante trabalhar para reduzir as desigualdades de acesso”, explica o professo Roberto Campos. O encontro desse cenário com a incorporação de novas tecnologias de forma permanente, como a chegada da inteligência artificial no ensino, requer também uma reflexão mais aprofundada da comunidade escolar sobre como utilizar melhor esses recursos, de acordo com o especialista.

“Não tenho dúvidas de que a pandemia nos ensinou muito sobre resiliência e adaptação. O desafio agora é encontrar um equilíbrio entre os benefícios das inovações tecnológicas e a importância das interações presenciais”.

Mas o professor Bruno Pereira é um pouco menos otimista. Para ele, ainda há grande desigualdade de acesso a tecnologia, e isso a pandemia deixou marcas profundas na

educação do país, como a desfasagem escolar, em que parte dos alunos não recuperaram os prejuízos dos conteúdos perdidos, e a evasão escolar, já que muitos deles perderam o vínculo com a escola.

“Alguns estudos e as próprias avaliações do Ideb nos mostram que houve sim um retrocesso na aprendizagem, principalmente nas redes de educação que não se preocuparam em ter um plano claro e efetivo de recomposição dessas aprendizagens no pós-pandemia”.

Por outro lado, ainda falando em tecnologia, ele destaca que, por parte dos docentes, um ponto positivo foi a capacitação de professores para o ensino digital. “Até então nós não tínhamos essa capacitação, e com o cenário da pandemia isso mudou”.

4. Sobrecarga aos docentes

Muito se fala sobre a saúde mental dos alunos no pós-pandemia, e a importância da inclusão da Educação Socioemocional no currículo escolar, mas pouco se fala sobre as saúdes mental e física dos docentes. Afinal, os grandes responsáveis pela implementação das mudanças no ambiente de ensino foram eles.

Esse cenário em que os professores tiveram que se adaptar a uma rotina completamente diferente, prestar suporte de maneira árdua e ainda atuar muitas vezes tanto na modalidade presencial quanto remota provocou uma grande sobrecarga sobre os docentes, que é citada tanto pelo professor Roberto quanto o professor Bruno.

Para o professor Bruno, além dos esforços da adaptação ao ensino remoto, muitos professores também arcaram como os custos financeiros dessa nova modalidade de ensino. Já Roberto explica uma combinação de fatores que precarizaram o trabalho do docente na pandemia e que permanecem até hoje.

“Já testemunhei vários casos de sobrecarga docente. Os professores têm lidado com dupla jornada de trabalho, combinando presencial e virtual, e uma forte pressão por resultados e demandas por atualização constante em tecnologia. Isso tem levado a casos de síndrome de burnout e crises de ansiedade”, destaca.

Esse panorama apresentado pelos professores coincide com os números apresentados por diversos estudos sobre o tema. Em uma pesquisa de 2023 realizada pelo Ipec e feita com docentes brasileiros, cerca de 71% deles se diziam estressados. Um outro estudo da Unifesp mostra que cerca de 1 a cada 3 professores tem queixas e sintomas de esgotamento.

Para especialistas, o caminho para uma melhora no cenário da qualidade laboral e de vida como um todo dos docentes passa pela conscientização do problema por parte da instituições de ensino. Nesse sentido, é preciso reconhecer a existência do problema, conhecer as queixas dos professores, dar um suporte maior aos profissionais e entender que a saúde mental no campo educacional envolve a todos, e não somente os alunos.

Mas os professores também conquistaram algo muito bom. Para Bruno Pereira, na pandemia se iniciou algo que se manteve até hoje: a valorização do protagonismo do professor no cenário escolar. “As famílias e as comunidades puderam perceber o quão impactante é a função de um professor na vida de um aluno. Os pais perceberam isso, e eu acho que começou aí um movimento de valorização docente importante”. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)

5 fatos históricos retratados em “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles

5 fatos históricos retratados em “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles

Longa protagonizado por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro é importante retrato familiar e nacional dos difíceis anos da ditadura militar

“Nós vamos sorrir sim. Sorriam!”, diz Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres,  juntos a seus cinco filhos, para a matéria de um veículo de imprensa. A matéria  abordava as circuntâncias do desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva, engenheiro, ex-deputado e ativista político da resistência à ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985.

Dirigido por Walter Salles, o filme “Ainda Estou Aqui” é o retrato mais fidedigno da rotina da família do ativista após seu desaparecimento. Com foco na família unida e feliz, de classe média alta e moradores da zona sul carioca, o longa retrata, por meio de um  recorte, o drama vivido pela família de desaparecidos políticos e sua luta por esclarecimento e verdade.

Amigo e frequentador da casa dos Paiva na infância, Walter Salles se nutriu das memórias que tinha da família e do livro “Ainda Estou aqui”, de Marcelo Rubens Paiva,  filho do ex-deputado, para contar como Eunice Paiva se converteu numa matriarca forte e irrefreável para criar seu filhos e lutar pelo esclarecimento da morte do marido, apesar do trauma familiar.

Com Fernanda Torres, Fernanda Montenegro e Selton Mello no elenco principal, o filme  brilha por retratar um outro lado da Ditadura Militar, com as consequências na rotina cotidiana, entre temas afetivos e financeiras, vividas pelas famílias de desaparecidos do regime autoritário.

Se convertendo também em um dos longas de maior bilheteria da história do cinema brasileiro, tanto dentro quanto fora do Brasil, “Ainda Estou Aqui” evoca a memória, verdade e justiça num país que tem um capítulo trágico em sua história recente, e que também tem por padrão o esquecimento e a anistia em situações complexas.

Com uma campanha internacional que conquistou elogios, admiração, sucesso e prêmios inéditos no audiovisual brasileiro, “Ainda Estou Aqui” trouxe para casa a primeira estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Oscar, pelo prêmio de melhor filme de língua não-inglesa, assim como outras duas indicações – melhor atriz para Fernanda Torres e a inédita indicação de melhor filme.

O filme também é um precioso registro da nossa história como país, e tem um  profundo legado na formação educacional de estudantes brasileiros. O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, destaca nosso dever em não fugir da questão da Ditadura Militar, isso como cidadãos e também como educadores, sendo imprescindível uma abordagem correta das instituições de ensino sobre o tema.

“A instituição de ensino deve abordar, de uma forma aberta, a realidade do regime autoritário, ecoando os  aspectos sociais e políticos da época, e trazendo à tona o que realmete foi a ditadura. Não é vender uma outra versão, ou abordar como um momento que já vencemos. É um tema forte, que não se pode fugir como se fosse somente algo do passado”, aponta.

Para o especialista, as instituições de ensino precisam se atentar que filmes como  esse, que trazem um recorte histórico e crítico, não podem apenas serem sucesso  comercial, mas sim complemento de um passado duro e doloroso. “A ditadura trouxe consequências vitalícias, as memórias não se apagam. O passado não foi apagado. Ele é presente, é real, dolorido, e ainda move vidas e famílias na atualidade”.

Pensando no enorme sucesso e importancia de obras dessa magnitude para o audiovisual brasileiro, a memória coletiva e a Educação e formação pedagógica trazidas pelo filme, elencamos 5 fatos históricos retratados em “Ainda Estou Aqui”.

  1. O “boom” da música brasileira nas décadas de 1960/1970

    A campanha de divulgação de “Ainda Estou Aqui” foi embalada pela canção “É preciso dar um jeito, meu amigo”, de Erasmo Carlos. Escrita em 1971, ano do desaparecimento de Rubens Paiva, a música fala sobre a repressão política em que vivia o país e a necessidade de resistência. Mas quase todas as canções da trilha sonora do filme exploram a música brasileira de uma perspectiva temporal e nacionalista.

    Quando a filha mais velha, Veroca (Valentina Herszage), passeia de carro com o namorado e amigos por um Rio de Janeiro idílico, se ouve “Jimmy, Renda-se”, de Tom Zé. Já na reuniãode família e amigos, Rubens (Selton Mello) coloca Juca Chaves com “Take Me Back to Piauí” para tocar, e avisa que a filha, que vai se mudar para o exterior em breve, já vai escutar muita música “gringa” nos próximos tempos.

    Outro momento de destaque é quando os agentes repressivos reviram as coisas de Rubens em sua casa, e se deparam com vários discos de artistas brasileiros considerados “subversivos” pelo regime ditatorial, incluindo Caetano Veloso.

    Todos esses detalhes importatíssimos do filme marcam um dualidade triste do Brasil nos chamados “anos de chumbo”. O país vivia um verdadeiro florescer cultural enquanto os agentes repressivos perseguiam politicamente e sufocavam artistas, inclusive por meio de censura direta.

    Já com forte destaque internacional com a bossa nova no final dos anos 1950, o Brasil era sacudido pela tropicália desde os anos1960, que trazia consigo na música, cinema, teatro e toda a cena artística como um todo uma forte valorização da identidade nacional. Nesse período, o país continuou a exportar excelência cultural e atrair fãs e admiradores em todo o mundo, inclusive influenciando fortemente artistas estrangeiros. 

    2. O Rio de Janeiro era mais “seguro”

    A casa dos Paiva de frente para a praia, na Rua Delfim Moreira, número 80, no Leblon, não tinha muros altos ou cerca elétrica, algo inimaginável para qualquer morador da capital fluminense nos dias de hoje. É que naquele tempo, mesmo apesar da já forte desigualdade social e racial, o Rio de Janeiro não apresentava índices de criminalidade tão elevados como os de hoje.

    O filme retrata uma rotina familiar tranquila, com o mar como protagonista. Nas ruas, o pequeno Marcelo Rubens – autor do livro que deu origem ao filme – jogava futebol na rua com os vizinhos. Esse cenário calmo, conhecido de perto pelo diretor Walter salles, que era amigo da família, proprociona a quem assiste o filme um cenário de paz e  conforto familiar, tragicamente interropido pela prisão de Rubens.

    A inabilidade dos governos federal, estadual e municipal em conter o crescimento do tráfico de drogas rapigonou a realidade carioca para pior. A partir da década de 1970 surgem os primeiros pontos de tráfico de entorpecentes do Rio de Janeiro à Europa, se alimentando das fronteiras sem fiscalização de um país gigante como o Brasil, por onde começaram a circular as drogas e as armas.

    No início da década de 1980 o tráfico já era uma realidade comum na capital, com o maiores agrupamentos altamente armados e conflitos entre facçõe rivais. Com a população pobre e negra isolada nos morros por vários anos de limpeza étnica e higienismo social promovidos pela elite da cidade por meio de seus planejamentos urbanísticos alheios a realidade social, a segurança se desmanchou.

    Também inclui nesse fato a constante negligência sobre o tráfico e a violência urbana crescente por parte dos administradores públicos, inclusive nos 21 anos da ditadura militar, e o crescimento da desiguldade de renda estimulada pelas políticas econômicas questionáveis desses governos militares.  

    3. A inflação era uma realidade cotidiana

      Como uma mulher influente ainda antes da morte do marido, Eunice Paiva (Fernanda Torres) busca em suas economias um valor suficiente pra que sua filha se estabeleça em sua nova residência no Reino Unido. Mas um fato curioso é que as reservas da matriarca já estavam em libras esterlinas, e guardadas na própria residência.

      Fato inimaginável hoje, economizar em moeda estrangeira era a realidade das famílias brasileiras para ter suas reservas resguardadas no contexto de uma inflação elevada. Antes do estabelecimento do plano real, em 1994, o Brasil viveu períodos de forte incerteza monetária, e economizar em moeda local era altamente arriscado, já que os preços mudavam com frequência.

      Na época do filme, a moeda do país era o cruzeiro, que seria utilizado até 1986, quando foi substituído pelo cruzado. No período, a inflação anual rondava os 30%, bem diferente dos aproximados 5% de hoje. No final da década de 1970, os ciclos de expansão monetária empreendidos pelos governos militares, associados a crise do petróleo, levaram o país à hiperinflação.

      Durante as décadas de 1980 e início de 1990, a inflação anual no Brasil ultrapassou os três e depois os quatro dígitos, chegando a quase 5000% em junho de 1994, antes da implementação do real no mês seguinte. Esse golpe inflacionário derrubou o poder de compra das famílias, aumentou a pobreza e a fome, e foi um dos motivos da queda da ditadura militar.

      Nesse cenário inóspito, ter reservas em dólares e libras era essencial para chegar ao final do mês, lembrando que o euro ainda não exisitia nessa época.

      4. A imprensa se dividiu em meio às pressões políticas

      Sem internet, as notícias circulavam mais lentamente, e a dependência dos meios de comunicação hegemônicos era muito forte. Em muitos momentos do filme a imprensa é vista como parceira do regime, com a personagem Eunice citando durante uma entrevista a existência de uma “rede de notícias falsas” que davam suporte ao governo autoritário.

      A verdade é que a maioria esmagadora dos grandes grupos de comunicação do país apoiaram o golpe de 1964, e conservaram uma linha editorial simpática ao regime. A justificativa seria os riscos de uma “invasão vermelha”, em que supostamente grupos de guerrilheiros marxistas tomariam o poder.

      Mas é claro que nem todos os profissionais da imprensa concordaram. Por isso, muitos veículos opositores ao governo vigente foram perseguidos, censurados e obrigados a fecharem suas portas. Era comum também ver notícias censuradas nos jornais, com  receitas de bolo no lugar das matérias.

      Um dos nomes mais lembrandos na perseguição política à jornalistas é Vladimir Herzog, na época diretor de telejornalismo TV Cultura, e professor na escola de comunicação da USP. Em 1975, o jornalista foi preso, torturado e morto depois de se apresentar voluntariamente para prestar esclarecimentos sobre sua ligação com a resistência.

      Essa realidade fragmentada na imprensa é percebida em vários momentos do filme, como quando Eunice questiona seus colegas se não se poderia denunciar o desaparimento do marido nos jornais, recebendo uma negativa, já que os veículos estavam sendo censurados, e que o melhor caminho seria buscar jornais americanos ou franceses para fazer a denúncia.

      5. Os torturadores não foram punidos

      Ao contrário de países vizinhos que passaram por regimes ditatoriais parceiros dos militares brasileiros, como a Argentina, o Chile e o Uruguai, nenhum militar e torturador brasileiro foi punido. Isso porque em 1979 entrou em vigor a Lei da Anistia, instrumento encontrado pelo militares brasileiros, setores sindicais e membros da sociedade civil para trazer um ponto final à situação delicada do país.

      Assinada pelo presidente de fato, João Figueiredo, a lei prevê anistia a todos os crimes políticos cometidos entre 2 de agosto de 196  e 15 de agosto de 1979. Nisso, todos os  torturadores e agenes de crimes antidemocráticos cometidos pelas forças militares não puderam ser punidos.

      A lei não passou despercebida pelos militantes dos direitos humanos, que entenderam a  legislação como uma garantia de impunidade para os criminosos. No entanto, ela teve ampla aceitação popular, já que diversos nichos da sociedade brasileira viam, na época, sua aprovação como uma garantia necessária para o longo caminho da redemocratização do país.

      No fim dos anos 2000, a vizinha a Argentina – que já havia punidos militares de alta patente nos anos 1980 – teve suas leis de anistia revistas e derrubadas pela Suprema Corte do país, abrindo brecha para que mais de mil agentes  da repressão fossem então julgados e condenados, alguns com prisão perpétua. Isso estimulou autoridades brasileiras a buscaram uma revisão da Lei da Anistia brasileira, sem sucesso.

      Enquanto várias entidades, entre elas a OAB, viam a lei como insconstitucional, já que anistiar crimes de tortura e assinatos seria contrário a vários tratados internacionais assinados pelo Brasil, outros se queixavam que retornar ao assunto só levaria a mais  “revanchismo”, e que a lei era uma das bases da nova democracia brasileira. Em 2010, o Superior Tribunal Federal decidiu que a lei não deveria ser revista.

      Para trazer mais esclarecimentos sobre os crimes cometidos durante o período, em 2011 foi instituída a Comissão Nacional da Verdade (CNV), colegiado composto por sete membros auxiliados por vários pesquisadores e historiadores. O objetivo era apurar todas violações de direitos humanos e terrorismo de estado promovidos entre 1946 e 1988.

      O colegiado produziu então um documento com lista contendo ao todo 434 nomes de mortos e desaparecidos vítimas de terrorismo de Estado. Muitos deles não tinham sequer envolvimento com a luta armada, outros nem mesmo participavam da resistência. Foi também a partir da comissão que se pôde esclarecer a morte do ex-deputado Rubens Paiva.

      De acordo com as investigações, Rubens Paiva foi preso e torturado, e morreu entre os dias 20 e 22 de janeiro de 1971, no Destacamento de Operações e Informações (DOI) do I Exército, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Na ocasião do esclarecimento, 5 militares foram responsabilizados pela sua morte. Nenhum deles foi jugado, e três já faleceram. O corpo do ativista e ex-deputado jamas foi enconrrado.

      Atualmente, vários ativistas, juízes e entidades seguem defedendo a revogação da Lei da Anistia. Em dezembro de 2024, o ministro do STF Flávio Dino decidiu que a ocultação de cadáveres não faz parte dos crimes anistiados pela lei, por considerar que sem o esclarecimento, o crime continua em consumação. O entendimento defendido pelo ministro foi emitido em decisão sobre os restos mortais dos integrantes da Guerrilha do Araguaia.

      Em fevereiro de 2025, a atual presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, defendeu a revogação da Lei da Anistia. Enquanto a lei seguir em vigência, os torturadores seguem impunes, com suas patentes militares e recebendo aposentadorias e benefícios. Outros já são falecidos sem a devida responsabilização, muitas vezes com familiares ainda recebendo tais benefícios financeiros. (Texto: Bruno  Corrêa – jornalista da Assessoria de Comunicação do Ecossistema BRAS Educacional)

      Por docentes: os principais desafios da Educação em 2025

      Por docentes: os principais desafios da Educação em 2025

      Educadores do Ecossistema BRAS Educacional apontam temas que consideram destaque para o campo educacional de acordo com suas vivências acadêmicas

      Não é nada novo pensar que a educação brasileira é um processo em implementação. Com sua história repleta de reviravoltas, e de desprezo pelo ensino, nosso país ainda trilha um caminho sinuoso. E durante esse processo, esse sistema em expansão não está imune ao cenário externo. Pelo contrário, precisa estar atento e se adaptar a ele. É nesse contexto que chamamos especialistas do Ecossistema BRAS Educacional para apontarem os principais desafios da Educação em 2025.

      Para além dos avanços tecnológicos, a realidade pós-pandêmica que ainda influencia fortemente a Educação e dos inquietantes e volúveis cenários geracionais, três educadores apontam questões que acreditam serem os principais desafios da Educação em 2025. Seus pontos de vistas têm como base suas experiências acadêmicas, tanto como docentes quanto estudantes.

      No contexto atual, a educação brasileira se vê acirrada em um meio político polarizado que influencia diretamente nos currículos escolares e no financiamento da educação pública, com discussões sobre o novo ensino médio e debates sobre a influência política em sala de aula.

      Mundialmente o cenário é de imprevisibilidade, com instabilidade na comunidade acadêmica, mudanças climáticas e influência política na produção cientifica. Também pesa bastante o canário econômico pós-pandemia e sob efeito de guerras. É com esse mundo um pouco “fora da métrica” que os educadores apontam suas percepções e os principais desafios da Educação em 2025.

      Do emocional ao aspecto sociocultural

      Se o mundo parece instável, é inevitavelmente olhar para dentro de si e descobrir ferramentas para lidar com o cenário que nos é imposto. Por esse motivo, o pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Bruno Pereira, aponta que um dos principais desafios em 2025 é justamente a questão emocional dos alunos. A partir dessa perspectiva, entram em cena a educação sócioemocional dos alunos, na visão dele indispensável nos currículos atuais.

      Abordando um conjunto de habilidades e ferramentas emocionais e sociais, os estudantes são convidados a repensar seus sentimentos em relação ao mundo e ao

      outro. A questão se torna mais relevante, de acordo com o especialista, quando pensamos no aspecto tecnológico.

      “Considero a educação socioemocional como de extrema necessidade de debates, estudos e ações, visto que no mundo digital que estamos vivendo, trabalhar com emoções e interações como possibilidades de aprendizagem é uma necessidade”, aponta.

      Mas o professor não elenca só essa tematica como um dos principais desafios da Educação em 2025, mas também outro assunto escorregadio para a educação brasileira há décadas: o acesso aos bens socioculturais. Essenciais para a completa formação do individuo, essas instituições culturais – como cinemas, teatros e museus – esbarram diretamente na questão da desigualdade de renda.

      Essa questão também afeta diretamente o setor cultural como um todo, em como tratamos a cultura como sociedade. A partir dessa reflexão, as instituições de ensino se tornam personagens importantes no processo de estímulo e acesso dos alunos a esses bens culturais, não importa a idade ou grau de formação dos estudantes. “Vivemos em sociedade e por vezes a própria sociedade não faz parte do planejamento das instituições de ensino. Como formar para a vida de forma dissociada da comunidade? Será que todos os alunos tem acesso garantido aos bens socioculturais? Como formar integralmente sem essa garantia?”, indaga.

      A tecnologia na balança

      Quando a internet chegou aos lares brasileiros, entre o final das décadas de 1990 e início dos anos 2000, parecia fácil perceber a tecnologia como aliada no processo educacional. Por muitos anos o foco das secretarias de Educação e outras áreas de atuação governamental era expandir ao máximo o acesso de docentes e estudantes ao digital.

      Duas décadas depois, acostumados com as redes sociais e ainda perdidos com a chegada da Inteligência Artificial, o acesso a novas tecnologias continua sendo desafio, mas também provoca questionamentos sobre sua eficácia e prejuízos quando naturalizada da forma indevida.

      Para o docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Campos, essa balança entre garantir o acesso e ao mesmo tempo ter atenção aos eventuais benefícios e prejuízos do uso da tecnologia está entre os principais desafios da Educação em 2025. Nesse sentido, ele aponta as competências digitais na Educação como tema do ano para o ensino brasileiro.

      Roberto alerta que o avanço da tecnologia continua pressionando o campo educacional no sentido de desenvolver nos estudantes competências digitais para o mercado de trabalho, com questões como o letramento digital, Inteligência Artificial e bem-estar online no centro do debate. Mas é preciso saber utilizar essas novas tecnologias, as instrumentalizando da forma correta.

      “O desafio está em encontrar o equilíbrio entre a real contribuição desse letramento digital e o prejuízo cognitivo que esse mesmo letramento pode trazer”, argumenta.

      A inclusão como um todo

      Para além das questões tecnológicas como a inteligência artificial, e também a intencionalidade do uso dessas novas tecnologias no campo educacional, o pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, também continua destacando, desde a pandemia, a recuperação e reestruturação pedagógica das instituições de ensino nos anos seguintes da emergência sanitária.

      O especialista destaca que essas mudanças marcarão para sempre a Educação em todo o mundo, e que a comunidade acadêmica está monitorando isso de muito perto. Mas Rafael vai além. Ele acredita que uma palavra resume um dos principais desafios da Educação em 2025: inclusão.

      Já faz um certo tempo que essa palavra tem sido utilizada para designar a necessidade de uma abordagem mais convidativa e potente no sentido de trazer as minorias para dentro das instituições de ensino, abarcando as questões de gênero, étnico-raciais, de orientação sexual e identidade de gênero, assim como as neuroatipicidades e de pessoas com deficiência.

      Mas para o docente, além de incluir todas essas temáticas, a inclusão hoje é um termo ainda mais amplo. Isso porque ele enxerga que as instituições de ensino precisam estar atenta também a inclusão digital e das novas tecnologias, o que esbarra anda em questões de classe social.

      “A inclusão deixa de ser um pensamento atrelado somente as questões cognitivas e afetivo-sociais, e vai para o aspecto estrutural e determinante dessas instituições de ensino, compreendendo as variantes sociais como um todo, e inclusive nos aspectos de inclusão tecnológica”. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)

      4 dados sobre o consumo de álcool no Brasil

      4 dados sobre o consumo de álcool no Brasil

      País está entre os maiores consumidores de bebidas alcoólicas do mundo. Janeiro Branco é oportunidade para repensar consumo.

      Atenção: esse texto trata de assuntos sensíveis sobre saúde mental. Caso sinta algum desconforto sobre a temática, você pode optar por retornar em algum outro momento. Além disso, se precisar de ajuda, pode contar com o apoio do Centro de Valorização da Vida (CVV), clicando aqui ou ligando 188. O serviço é grátis e funciona 24h, todos os dias da semana.

      Ao falarmos em consumo de drogas no Brasil, automaticamente remete-se ao imaginário de pessoas consumindo substâncias ilegais, perigosas, altamente viciantes e com sérios prejuízos sociais e na saúde. No entanto, poucas pessoas se atentam que o elevado consumo de álcool no Brasil também tem efeitos devastadores, mesmo sendo lítico e com alta aceitação social.

      De acordo com levantamento do Centro de Informações sobre Saúde do Álcool (CISA), cerca de 17% da população abusa do consumo de álcool no Brasil. No entanto, entre os que se encontram nessa situação, 75% acreditam que seu consumo é moderado. Para verificar essa disparidade, o estudo buscou debater os números entre a percepção pessoal de consumo e o padrão estabelecido pela instituição para abuso da substância.

      Para indicar se o consumo é abusivo, os especialistas do CISA estabelecem que homens devem consumir mais de 2 doses de 14g de álcool ao dia, ou 14 doses semanais. No caso das mulheres, esses consumos são de uma dose diária ou 7 doses semanais. Além disso, é recorrente que pessoas com vícios relacionados ao álcool não percebam ou neguem. qualquer tipo de consumo abusivo.

      A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UniBRAS Quatro Marcos, Aline Esther, explica que os fatores para o consumo excessivo e consequente desenvolvimento do alcoolismo passam por vários aspectos, assim como as consequências da doença.

      “Tanto o fator psicológico, como aspectos emocionais envolvidos na causa, manutenção e consequências, e também o ambiente social e cultural, assim como o aspecto físico e fatores genéticos, estão relacionados ao desenvolvimento do alcoolismo”, aponta.

      Como o consumo de álcool no Brasil é normalizado, uma boa maneira de se estar atento a isso é monitorar melhor seu consumo pessoal e de pessoas próximas. Com foco no Janeiro Branco, campanha de conscientização sobre o consumo de álcool, separamos 4 dados sobre o consumo de álcool no Brasil.

      1. Início precoce

      Como um personagem comum da cultura brasileira, incluindo em ambientes familiares, o álcool costuma entrar muito cedo na vida dos brasileiros, com o elevado consumo de álcool no Brasil entre menores de idade.

      Cerca de 34,6% dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos já experimentaram álcool, e 21% consumiram bebidas alcoólicas no último mês. Os dados são do IBGE, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde na Escola, em 2019.

      2. Elevado consumo per capita

      De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, o consumo de álcool no Brasil é de cerca de 7,7 litros por pessoa ao ano, muito superior à média global de 4,9 litros anuais per capita. Os dados são os mais recentes divulgados pela entidade em 2024, e se referem ao consumo de pessoas acima de 15 anos no mundo todo.

      3. Consumo excessivo periódico

      Como já mencionado acima, um dado muito importante para monitoramento da ingestão de bebidas alcoólicas e alcoolismo é a quantidade do uso da substância em uma única ocasião, o também conhecido como binge drinking.

      De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/2019), cerca de 26% da população adulta consome 5 ou mais doses de álcool em uma única ocasião, pelo menos uma vez ao mês. Essa prática é mais comum entre homens jovens, entre 18 e 34 anos.

      4. Impacto na Saúde Pública

      Com o alto consumo de álcool no Brasil, elevam-se também os prejuízos na saúde, segurança e financeiros. Um exemplo clássico disso é o álcool estar relacionado a 55% das mortes por acidentes no trânsito, mesmo o código de trânsito do país tendo tolerância zero para a condução alcoolizada.

      Os dados do Ministério da Saúde também mostram que o consumo de álcool no Brasil está relacionado a 30% dos casos de violência. A saúde pública também é afetada com a alta incidência de doenças relacionados ao consumo excessivo, como cirrose hepática e os mais variados tipos de câncer.

      Em todo o país uma pessoa morre a cada 2 horas por casos de saúde plenamente relacionados ao álcool. Outros 25% de casos de tentativa de suicídio estão relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas em até 6 horas anteriores. Ao todo, o Ministério da Saúde calcula que são gastos aproximadamente R$ 100 milhões por ano com internações relacionadas ao consumo excessivo de álcool.

      E se eu sentir que meu consumo é excessivo?

      Nesse caso, o que vale mesmo é refletir sobre o consumo, e tentar diminuí-lo. O consumo consciente pode ser a chave para que se consiga ter uma relação mais

      saudável com o álcool, sem estabelecer uma relação de dependência. Mas se o tópico de desconfiança for mais avançado e estiver relacionado ao alcoolismo em si, é importante se atentar ao sinas, e isso vale tanto para si quanto para pessoas próximas.

      A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UniBRAS Quatro Marcos, Aline Esther, explica que o alcoolismo traz alguns sinais de alerta importantes, como consumir álcool em locais e horários inadequados, apresentar forte resistência à substância e ter uma maior incidência de comportamentos de risco, violência e alterações de humor relacionadas a bebida.

      Uma outra chave para se entender melhor a relação com o consumo de álcool é observar o comportamento com a retirada das bebidas. O alcoólatra terá uma resistência muito forte e rápida reação, não conseguindo se afastar do álcool por muito tempo. Sintomas relacionados a abstinência completam os sinais, como tremores e irritabilidade.

      Nesses casos, buscar ajuda é fundamental, sendo um profissional de saúde mental o mais apropriado para verificar o diagnóstico e conduzir o tratamento. No sistema de saúde pública, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são preparados para atender esses casos. Além do mais, os conhecidos Alcoólatras Anônimos (AA), são excelentes centros de acolhida. O tratamento pode ser psiterapêutico e também medicamentoso.

      A docente explica, no entanto, que a maior dificuldade é o paciente identificar em si os sintomas, tanto pela normalização do consumo de álcool no Brasil, que suaviza os sinais de alerta, quanto porque, para que o tratamento seja efetivo, é fundamental que a pessoa com a condição reconheça que precisa de ajuda, o que é difícil de acontecer.

      “Até que a pessoa chegue a essas instituições, a situação pode estar relativamente agravada. A rede de apoio é muito importante, os amigos e familiares. É importante todos estarem atentos aos comportamentos e condição do sujeito para fornecer acolhimento e ajuda, sendo isso de extrema importância”. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)

      Atenção: esse texto trata de assuntos sensíveis sobre saúde mental. Caso sinta algum desconforto sobre a temática, você pode optar por retornar em algum outro momento. Além disso, se precisar de ajuda, pode contar com o apoio do Centro de Valorização da Vida (CVV), clicando aqui ou ligando 188. O serviço é grátis e funciona 24h, todos os dias da semana.

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