por leonardo santos | ago 12, 2025 | Noticias, Saúde
Consumo de alimentos industrializados têm prejuízos que vão além da saúde física, e afetam rendimento acadêmico
O consumo excessivo de alimentos ultracalóricos tem deixado médicos, nutricionistas e pesquisadores em alerta, dado aos prejuízos já comprovados de uma dieta hipercalórica na saúde física. Mas o que recentemente começou a ser revelado pelas pesquisas são os efeitos dessa dieta também nas áreas neurológica e mental, com implicações no consumo de ultraprocessados na rotina de estudos.
A questão não é exatamente simples. Os alimentos manipulados industrialmente, com excesso em açúcar, sal, gorduras e elementos químicos e sintéticos como corantes e conservantes afeta diretamente nosso cérebro. Assim, há implicações no consumo de ultraprocessados na rotina de estudos em todas as faixas etárias. Só que os mecanismos por trás disso ainda não são bem esclarecidos.
Falar sobre a ingestão de alimentos saudáveis como frutas e verduras, grãos, castanhas, azeite de oliva, ovos e muitos outros e associar esse consumo a melhores rendimentos de alunos é comum, mas abordar os prejuízos do consumo de ultraprocessados na rotina de estudo ainda é raro, e desconhecido por muitos.
A desconexão entre as fontes do alimento e quem os consome, a rotina cada vez mais acelerada e a perda do hábito de cozinhar vem turbinando os ultraprocessados na mesa dos brasileiros. De acordo com um estudo da USP de 2022, esses alimentos – ricos em calorias e pobres em questões nutricionais – já compõem uma média de 30% da ingestão diária de calorias o Brasil.
A nutricionista e coordenadora do curso de Nutrição da UniBRAS Rio Verde, Daiane Costa dos Santos, explica que os riscos do consumo de ultraprocessados na saúde cognitiva e mental são diversos, mas os mais percebidos estão relacionados a memória, atenção e aprendizado, isso devido a inflamações e estresse oxidativo no cérebro.
“Esses alimentos causam uma inflamação sistêmica, um estresse oxidativo que afeta negativamente o cérebro. Há uma prevalência de dificuldade de memória e aprendizado, especialmente em crianças e idosos. Já temos dados que demonstram isso, com evidência científica”.
A especialista argumenta que esse tipo de prejuízo é fortemente perceptível em crianças com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), e também em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ela também diz que os prejuízos na saúde mental são desencadeados pela alta concentração de ácidos simples, gorduras trans, açúcar e aditivos, que estão relacionados a sintomas ansiosos e depressivos.
“Um outro fator está ligado a alteração na microbiota intestinal. Já se sabe que grande parte da produção de serotonina está no instestino. Quando se consome muito ultraprocessados, essa microbiota é alterada, o que pode afetar a produção desse neurotransmissor e causar prejuízos diretos no humor e no bem-estar mental”, explica.
Cientes de que manter uma rotina de estudos equilibrada é essencial para o melhor rendimento acadêmico, deixamos abaixo 4 consequências do consumo de ultraprocessados na rotina de estudos.
1. Prejudica o desempenho cognitivo
Um dos traços cognitivos mais importante para um estudante é ter boa memória. E é exatamente nesse ponto que os ultraprocessados podem afetar mais os estudos. Em uma grande pesquisa com mais de 30 mil pessoas desenvolvida pela universidade de Harvard e divulgados pela revista Neurology em 2024, constatou-se que o consumo de ultraprocessados tinha efeito direto no comprometimento cognitivo dos participantes.
Acompanhando pessoas dos mais variados perfis demográficos por 11 anos, os pesquisadores verificaram que um aumento de 10% na ingestão de ultraprocessados acrescentava em até 16% o risco de comprometimento cognitivo, especialmente a memória. Um outro estudo de 2022 coordenado pela USP e outras cinco universidades brasileiras mostrava resultados semelhantes.
Na pesquisa brasileira, pessoas que consumiam mais de 20% do total energético diário em alimentos ultraprocessados tinham mais riscos de sofrer declínio cognitivo acentuado. O estudo acompanhou 11 mil pessoas em seis capitais brasileiras entre 2008 e 2017.
2. Favorece o desenvolvimento de insônia crônica
Ainda não se sabe bem como, mas o consumo de alimentos ultraprocessados está relacionado ao desenvolvimento de insônia crônica. Foi o que mostrou um estudo em parceria entre as universidades de Sorbonne, na França, e de Columbia, nos EUA. Reunindo mais de 38 mil franceses, o estudo relacionou o maior consumo de alimentos ultracalóricos a maior ocorrência de doenças do sono.
Um outro estudo da universidade sueca de Uppsala e coordenado pelo pesquisador brasileiro Luiz Brandão, já indicava que o consumo desses alimentos estava por trás de dificuldades em atingir um sono reparador.
Considerando o papel de uma boa higiene do sono para um bom rendimento escolar, é fácil entender o impacto do consumo de ultraprocessados na rotina de estudos.
3. É prejudicial à saúde mental
Sem uma boa saúde mental não há projeto acadêmico que se mantenha de pé, e a dieta rica em industrializados também não ajuda nesse ponto. De acordo com um estudo da USP divulgado em fevereiro desse ano, o alto consumo desses alimentos na dieta favorece em até 58% a incidência de depressão resistente, isto é, casos em que a o paciente não reage de maneira satisfatória aos fármacos tradicionais.
Para além da ausência de nutrientes importantes para o bom funcionamento do corpo, como fibras, vitaminas e antioxidantes, os colorantes, conservantes, espessantes e outros produtos sintéticos presentes nos ultraprocessados estariam relacionados a processos inflamatórios, favorecendo a depressão.
Um estudo publicado na revista Nutrients em 2023 relacionava esses alimentos a 44% de risco maior em depressão – com diferentes tipos de gravidade, 48% maiores chances de sintomas de ansiedade, além de maior incidência em casos de demência.
4. Eleva as flutuações do açúcar no sangue
A concentração é um fator chave a quem deseja se debruçar sobre os livros, e de novo os industrializados não ajudam. Isso porque uma dieta sem o devido equilíbrio de calorias e nutrientes eleva a incidência das flutuações no nível de glicose na corrente sanguínea, o que afeta diretamente a capacidade cognitiva.
Essas flutuações podem ser mais simples, com pequenos incômodos na capacidade de concentração, ou podem ser mais complexas, provocando hipoglicemia ou hiperglicemia – baixo e alto nível de açúcar no sangue, respectivamente.
Dessa forma, fica evidente as consequências do alto consumo de ultraprocessados na rotina de estudos, já que essas condições induzem a sintomas como fraqueza, sonolência, confusão mental ou mesmo perda de consciência. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
por leonardo santos | jul 25, 2025 | Dicas, Educação
O pontapé inicial para uma carreira de sucesso passa por um currículo que apresente o estudante de forma coesa e fisgue a atenção das empresas
Parte fundamental da graduação universitária passa pelo estágio, a primeira experiência do estudante no ambiente profissional. Lá o aluno tem espaço aberto e seguro para aprender na prática, errar e questionar. Mas para ter acesso a esse ambiente é preciso antes ser selecionado por uma empresa. Por se tratar de uma experiência nova, muitos universitários se sentem inseguros e não sabem como fazer um currículo para estágio.
Não é tarefa simples se apresentar para o mercado profissional, e os processos seletivos podem ser complexos e concorridos. No entanto, com o currículo para estágio bem preenchido, as chances de ser efetivado são consideravelmente mais altas. Isso demonstra o poder que um bom currículo tem no processo seletivo.
A coordenadora de Gente e Gestão do Ecossistema BRAS Educacional, Thais de Paula, explica que há regras básicas e diferenciais que destacam o candidato no processo seletivo. “Há os dados básicos de praxe, a formação acadêmica e os cursos complementares. Outra informação muito válida é se houve participação em algum projeto da instituição que cursa. Isso pode ser um diferencial competitivo”, revela.
Considerando o início de semestre como um dos melhores momentos para buscar uma nova oportunidade, deixamos abaixo 5 dicas para elaborar um bom currículo para estágio. Como existem regras básicas a todos os currículos – cabeçalho, fontes legíveis, informações mais recentes primeiro e agrupar tudo em apenas uma página – vamos focar aqui no conteúdo desse material.
- Evidencie seu objetivo
Seu cartão de visitas para o recrutador, o objetivo profissional tem a responsabilidade de descrever quem você é e deixar claro o que você busca. A finalidade é que a empresa já saiba de início seu perfil e o que procura.
Uma boa dica é se descrever como estudante universitário, colocar seu curso e os seus objetivos com o estágio, que passam pelas áreas que deseja atuar e objetivo de aprender e se desenvolver profissionalmente – a grande finalidade do estágio.
Mas isso tudo de forma resumida, sem textos enormes, e de preferência que não ultrapasse duas linhas. É como se fosse a descrição que você coloca no seu perfil de redes sociais, só que com perfil profissional.
- Destaque sua formação
Se você busca um estágio, é óbvio que está em formação. Por isso, é extremamente importante deixar clara sua formação universitária, com o nome da instituição, curso, início e previsão de encerramento da graduação.
Outros cursos, como possíveis formações anteriores, também são muito relevantes. Além disso, os cursos técnicos e complementares são fortes atrativos. Sua formação no ensino médio também pode ser válida.
- Invista nas suas habilidades
Nem só de cursos relativos à sua área de formação se trata o currículo para estágio. Existem habilidades universais que todas as empresas buscam. Um nível avançado de Excel, por exemplo, é um bom destaque.
Outra habilidade que pode fazer brilhar os olhos do seu recrutador são os idiomas estrangeiros. Inglês e espanhol são os mais comuns, mas outros idiomas também são forte diferencial, por isso vale destacá-los.
Com sua experiência na área de seleção, Thais de Paula argumenta que hoje são extensas as possibilidades de se expandir as atividades profissionais por meio de plataformas digitais. “Pode-se investir em cursos de curta duração, porque hoje há várias formações gratuitas e que agregam conhecimento”, explica a profissional.
- Atividades extracurriculares e outras experiências profissionais
Lembre-se que outras experiências profissionais podem ser forte diferencial no processo seletivo. Se você já teve uma experiência anterior com estágio, não deixe de destacá-la. Outras atividades profissionais desempenhadas fora da área de formação também são importantes, já que demonstram possível amadurecimento profissional.
Mas tendo experiências profissionais ou não, as atividades extracurriculares desempenham um papel extremamente relevante para destacar você na seleção. Elas demonstram que você se dispôs a participar de uma atividade de formação voluntariamente, sem obrigações de cumpri-las.
Thaís explica que essas atividades agregam forte valor ao currículo para estágio. “Valorizo muito, durante o processo de triagem, as formações extracurriculares, e se houver algum envolvimento em projetos acadêmicos. Isso demonstra que estudante tem pró-atividade”.
- Revisar antes de enviar
Parece básico, mas revisar o currículo para estágio é extremamente importante. Além de ser um material crucial no processo de seleção, que funciona como apresentação pessoal, o currículo também agrega muitas informações, o que pode induzir a erros.
Os erros gramaticais são muito comuns de serem encontrados em currículos, muitas vezes não por falta de conhecimento, mas justamente por desatenção ou erros de digitação. Outro erro comum são os de formatação, que podem desconfigurar os textos. Erros como esses geralmente são fatais nas seleções.
Outras informações que merecem atenção são as datas e outros dados de formação e experiências profissionais. Lembre-se que o recrutador estará atento a tudo que você fornecer como informação, e caso não haja clareza, ou mesmo existam inconsistências, ele não deve classificar seu currículo de estágio para etapas de posteriores.
(Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
por leonardo santos | jun 23, 2025 | Dicas, Noticias
Mais que apenas dificuldades de concentração, transtorno afeta pessoas em vários aspectos da vida pessoal, incluindo a aprendizagem
Se você está com dificuldade em manter uma rotina de estudos, se vê facilmente distraído e se esforça para ter concentração, isso não necessariamente significa que você tenha Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, mas vale se atentar aos sinais. É que por trás de uma onda de autodiagnósticos baseadas em informações duvidosas nas redes, há muitos fatos sobre o TDAH que passam despercebidos.
Com uma alta incidencia genética, prejuízos em vários aspectos da vida pessoal e características na maioria das vezes perceptíveis na escola, o TDAH tem uma incidência estimada entre 5% a 8% da população mundial, de acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA). Alguns tem o transtorno mais voltado para a desatenção, outros para o comportamento inquieto e impulsivo, e outros do tipo misto.
Um dos fatos sobre o TDAH é que grande parte da população acredita que o transtorno só atinja crianças, o que não é correto, já que muitos adultos sofrem com a doença. O que acontece é que geralmente esses sintomas são mais perceptíveis em pessoas em idade escolar. Há também pessoas em que o TDAH deixa de se manifestar na fase adulta, enquanto outros só descobrem a condição nessa idade.
Muitos aspectos e fatos sobre o TDAH seguem desconhecidos por grande parte das pessoas, e informações desencontradas e sem fundamentos científicos e profissionais seguem rondando a internet, sendo cada vez mais comum casos de autodiagnósticos e uso absusivo de medicamentos. Também é importante entender que a condição não determina o histórico acadêmico de uma pessoa.
A psicóloga e docente da UniBRAS Montes Belos, Suzy Souza, alerta que embora o transtorno cause inconvenientes reais no processo educacional, ele não deve ser interpretado como uma barreira permanente nos estudos, mas sim como um obstáculo a ser superado com estratégias pedagógicas específicas, acompanhamento com profissional de saúde mental e postura ativa.
“Embora o TDAH apresente desafios reais no processo de ensino-aprendizagem, ele não define o potencial de um estudante. Muitas vezes vemos alunos e pais usando o transtorno como uma forma de isenção de esforço, quando na verdade o desenvolvimento é possivel com o apoio adequado”, aponta a profissional.
Entre os sintomas e fatos sobre o TDAH que a docente afirma como mais comuns estão a dificuldade com atenção e concentração, problemas com organização e
planejamento, impulsividade, baixa auto estima, frustração, memória operacional prejudicada, e em alguns casos hiperatividade.
“O mais importante é cultivar a consciência de que o transtorno exige adaptações, mas não exime responsabilidades. Necessita-se atenção, não superproteção. Quando há diálogo e orientação, o TDAH deixa de ser um limitador e passa a ser apenas uma característica a ser administrada”.
Com a relevância da temática no cenário acadêmico, e também com o objetivo de esclarecer mais sobre o transtorno e combater a desinformação, listamos abaixo 5 fatos sobre o TDAH enfrentados por quem tem a condição que talvez você não saiba.
1. Procrastina como escape das dificuldades de concentração
Um dos fatos sobre o TDAH mais comuns é a dificuldade em levar projetos a frente, sejam profissionais ou pessoais. E não se trata somente de tarefas mais complexas, mas também coisas simples, como terminar de ler um livro já iniciado, por exemplo. Muitas vezes essa procrastinação vem após episódios de profundo entusiasmo com a atividade, seguidos por forte desinteresse.
Para além de uma comum falta de disciplina, essa característica também tem a ver com dificuldades de organização, manutenção do foco, gerenciamento de tempo e adequado controle emocional. A ausência desses traços, chamados de funções executivas, corroem boa parte das metas estabelecidas por esse indivíduo, levando a uma profunda frustração.
As saídas mais simples podem ser estipular metas mais acessíveis e realistas, separar um tempo razoável para cumprir atividades importantes no dia a dia, além de fixar lembretes visuais pelo ambiente doméstico ou laboral.
2. Não gosta de rotina, mas precisa muito dela
Se há um dos fatos sobre o TDAH que parecem mais contraditórios e polêmicos é sua relação com a rotina. Isso porque pessoas com o transtorno têm grandes dificuldades para cumpri-la, alegando tédio ou cansaço com mais frequência. Vale estacar que a impulsividade é um denominador comum para quem tem TDAH, com uma necessidade maior em ter rápidas recompensas ao realizar atividades que exigem maior esforço.
Por outro lado, estabelecer uma rotina equilibrada, com períodos de tempo de trabalho ou estudos adequados, junto a outros períodos reservados a atividades livres é uma das maneiras mais simples para superar os prejuízos do transtorno. Por isso, muitos vivem uma relação cíclica de amor e ódio com a rotina, variando entre o cumprimento e descumprimento de tarefas e tendo graves prejuízos com esse comportamento.
Mas como implementar com sucesso uma rotina se há uma grande resistência a ela? Os especialistas explicam que a melhor maneira de vencer esse círculo vicioso é
entender suas maiores necessidades pessoais, profissionais e acadêmicas, e organizar uma grade realista de horários, com rotina previsível e constante.
Nesse sentido, é importante que o indivíduo alterne horários estabelecidos para trabalhar e estudar, com outros horários de lazer e descanso. A alimentação adequada e atividades físicas são chaves para o sucesso dessas medidas. É importante ainda ter um espaço limpo, silencioso e organizado de estudos – além de sempre dividir as tarefas em etapas menores.
3. Pode se beneficiar de métodos de estudo alternativos
Se estudar de maneira tradicional não gera grandes resultados, pode ser hora de buscar metodologias pedagógicas alternativas. Técnicas como o método pomodoro, em que o estudante intercala períodos curtos de estudo com pausas regulares, ou a técnica Feyman, em que se revisa o conteúdo estudado “ensinando” a outra pessoa costumam funcionar entre pessoas com TDAH.
Outros recursos que auxiliam bastante no processo de foco e memorização são a prática de resumos, o uso de flashcards e lembretes visuais, os mapas mentais e organogramas.
4. Precisa se atentar ao uso de medicamentos
Como qualquer tipo de medicamento psicotrópico, o uso de substâncias para aliviar o sintomas do TDAH podem ter enorme sucesso no tratamento, mas devem sempre ser introduzidos e retirados com cuidado e acompanhamento de um médico. É esse profissional que tem o conhecimento específico sobre as vantagens e ricos desses medicamentos, e pode administrá-los com segurança.
Medicações como o metilfenidato, lisdexanfetamina e o cloridato de atomexina são algumas das substâncias mas receitadas pelos médicos para o TDAH, com diversos nomes comerciais. No entanto, quando utilizados de forma abusiva, podem levar a dependência química e outros efeitos colaterais psicológicos e físicos graves.
A comunidade médica tem notado inclusive um aumento no abuso desses medicamentos, mesmo entre pessoas que não tem o transtorno diagnosticado. Com o avanço da autodiagnosticação e a automedicação, o uso dessas substâncias requer especial atenção por parte da comunidade acadêmica.
5. Só pode ser diagnosticado por um profissional
A internet pode ser uma fonte de alerta e informação importante, mas um dos fatos sobre o TDAH é que simplesmente alguns sintomas como desatenção constante, dificuldade em levar adiante rotinas diárias e impulsividade não são suficientes para diagnosticar o transtorno.
Além desses sintomas poderem estar presentes em outros diagnósticos de transtornos mentais, eles também podem ser resultados de um estilo de vida acelerado, muito atarefado ou do abuso de dispositivos eletrônicos – comportamentos muito comuns hoje em dia. O certo é que só um profissional de saúde mental é capaz de reunir as queixas e dificuldades de um indivíduo e estabelecer um diagnóstico ou não.
Entre os profissionais adequados para fazer essa análise estão psicólogos, psiquiatras e neurologistas. Assim, em caso de suspeita do TDAH, o primeiro passo a seguir é buscar ajuda profissional. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
por leonardo santos | maio 27, 2025 | Dicas, Educação, Saúde
Muito além do que se pensa ser preguiça, há maneiras de simplificar a rotina de estudos e evitar deixar tudo para depois
Quem nunca deixou para amanhã a lista de exercícios que poderia fazer hoje? O trabalho com o prazo de um mês para o último dia, ou o estudo da prova para horas antes do exame. Estudantes de todas as idades entendem bem os prejuízos da procrastinação nos estudos, mas ainda assim não sabem como pará-la. Se fosse fácil abandoná-la, muitos já teriam se ajustado. Pior ainda é quando a culpa se instala.
É que a questão é mais complexa. A procrastinação nos estudos, na alimentação, no trabalho, quanto a uma decisão importante, ou a qualquer outro aspecto em que ela se manifeste, não é algo simples como uma preguiça ou má gestão do tempo, como muitos de nós interpretamos. Se trata de um comportamento ou sintoma fruto de conflitos inconscientes. Ou ao menos é assim que explica a psicanálise.
A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UniBRAS Quatro Marcos, Aline Esther, explica que Sigmund Freud apontava para um conflito entre o princípio do prazer, que busca a satisfação imediata, e o princípio da realidade, que impõe limites e obrigações. Nesse embate, o indivíduo recorre a mecanismos de defesa, como a repressão ou a evitação, para escapar de situações angustiantes.
“Quando uma tarefa desperta o temor do fracasso, inadequação ou julgamento, ou quando exige uma forte disposição de energia, o sujeito pode inconscientemente optar por adiá-la, como forma de se proteger. O medo do sucesso também é uma variável comum. Então a procrastinação não deve ser combatida diretamente, ela deve ser interpretada, compreendida, para que se lide com ela”.
De acordo com essa interpretação, é preciso estar atento ao que se estimula essa procrastinação nos estudos, e a partir disso agir para fazer com que a rotina possa fluir de maneira mais simples. Dessa forma, o cuidado com a saúde mental e o autoconhecimento são indispensáveis para enfrentar a questão da procrastinação.
Mas pensando de uma forma mais prática, e considerando que os cuidados com a saúde mental estão sendo observados satisfatoriamente, há sim algumas medidas e hábitos que podem ajudar a construir uma rotina mais saudável e ágil, deixando a procrastinação nos estudos como um comportamento do passado.
Abaixo listamos 5 hábitos para evitar a procrastinação nos estudos.
1. Cuide do seu espaço de estudos
Antes de começar uma rotina de estudos bem-sucedida é fundamental estar atento ao lugar em que se estuda. Isso porque um ambiente limpo, organizado e sem distrações são fatores determinantes para um melhor rendimento. Dessa maneira, separar um
espaço em que se tenha mais capacidade de concentração e personalizá-lo a seu favor é fundamental.
É importante também estar atento aos equipamentos que auxiliam nos estudos, como artigos de papelaria e dispositivos eletrônicos, já que materiais em bom estado agilizam a rotina. Por último, é importante buscar sempre o máximo de conforto possível.
2. Determine metas e prazos
Deixar que os conteúdos fluam de forma caótica é um excelente atalho para a procrastinação nos estudos. Por isso, é preciso estar atento às prioridades e urgências, e determinar quais tarefas devem ser desenvolvidas primeiro, com metas e prazos.
É importante também determinar o tempo de estudo diário, para que essa rotina não seja driblada sem que se perceba – nem seja excessiva.
Mas atenção: é extremamente importante criar metas possíveis, de acordo com seu tempo, disponibilidade e comportamento. Nada de criar tarefas gigantes e impossíveis de serem cumpridas, já que isso pode desenvolver um sentimento de fracasso, que estimula ainda mais a procrastinação.
3. Faça a gestão de tarefas grandes
Quem nunca enrolou para desempenhar uma tarefa que demande muito tempo e esforço? Se deparar com grandes tarefas pode ser um desencadeador da procrastinação nos estudos, já que tendemos a evitar atividades que requerem muito empenho. Pior ainda é não saber quais são os passos para desempenhá-la, e se perder no caminho.
Dividir essa grande tarefa em etapas menores não só ajuda a ter mais clareza sobre o projeto, como também auxilia na gestão de tempo. O resultado é uma tarefa mais organizada e com menos ansiedade e tensão sobre o trabalho, evitando assim a procrastinação.
4. Separe um tempo para o descanso
Se a rotina de estudos demandar muitas horas do dia, é importante manter uma pausa entre os livros. Isso porque o cansaço diminui o foco, fundamental para se ter um bom desempenho.
Não tendo boa concentração, o estudante tende a ter dificuldades com memorização e vai ter um menor aproveitamento do que revisou. Se o sono não estiver em dia, o resultado é ainda pior.
Por isso separe sempre um intervalo entre os estudos para descansar, se distrair ou fazer um lanche. Lembre-se também que na rotina diária é importante manter no mínimo 7 horas de sono.
5. Use a tecnologia a seu favor
Há muito debate sobre o uso da tecnologia na Educação, especialmente no potencial dos dispositivos eletrônicos em diminuir nossa capacidade de concentração. Mas é importante entender que esses equipamentos podem auxiliar na diminuição da procrastinação dos estudos, desde que utilizados com intencionalidade correta.
Há aplicativos que ajudam a gerir o tempo dos estudos, na manutenção de métodos de ensino e na concentração. Além disso, a inteligência artificial pode ser uma aliada na simplificação de tarefas, desde que utilizada de forma correta. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
por leonardo santos | maio 14, 2025 | Educação, Noticias
Nova lei entreou em vigor em fevereiro deste ano, e proíbe o celular na instituições de ensino do nível básico públicas e privadas.
Aprovada recentamente, a Lei 15.100/2025 mudou o dia-a-dia das instituições de ensino em todo o país. Isso porque a legislação restringe o uso de celulares em ambientes escolares nos ensinos fundamental e médio, proibindo seu uso mesmo em momentos em que não há aula, como recreios e intervalos. Amplamente defendida por educadores e muitos responsáveis, a lei teve amplo apoio no Congresso e foi sancionada no dia 19 de fevereiro pelo Executivo.
O objetivo principal da norma é garantir que as escolas tenham sua função de espaço destinado a aprendizagem e sociabilidade resguardados, fazendo com que as crianças e adolescentes não sejam prejudicados no processo educativo. Além disso, também busca-se cooperar no sentindo de evitar os riscos dos vícios de uso de telas e redes sociais nos estudantes.
Recebida com louvor por grande parte da comunidade de docentes e responsáveis, a legislação está em período de adaptação, com os estudantes sendo os mais resistentes a se adequar às novas diretrizes. Mas o que não faltam são relatos de professores sobre a diferença já notada no ambiente escolar, com alunos mais focados e com maior socialização. Mas há quem tenha pontos de discordância sobre a lei.
É importante enteder também que a legislação determina que os regimentos internos das escolas devem traçar determinantes sobre como armazenar os aparelhos, e prever punições a quem desrespeite a regra. També se prevê exceções para estuantes que dependem do aparelho móvil por questão de acessbilidade ou saúde, desde que comprovados por laudo médico.
Um outro ponto importante da legislação diz respeito aos professores, que devem ser orientados e capacitados para inclusão tecnológica no processo educativo, e também para se manterem atentos quanto a eventuais prejuízos dos aparelhos digitais na saúde dos estudantes.
Embora a nova legislação não inclua o ensino superior, o projeto é acompanhado de perto por educadores e especialistas de todos os níveis da Educação, já que pode servir como exemplo de como os aparelhos móveis e a tecnologia como um todo interferem nos projetos pedagógicos e instituições de ensino.
Pensando na relevância dessa paauta para a Educação, conversamos com três docentes do Ecossistema BRAS Educacional para entender seus pontos de vistas sobre a nova lei – alguns inclusive com atuação na Educação Básica.
Foco na intencionalidade pedagógica
Para além do uso do celular, o docente e pedagogo da UniBRAS Digital Rafael Moreira – que também é docente na educação básica – explica que a lei não tem qualquer motivação em retirar a tecnologia das escolas, mas foi pensada justamente na reeducação do seu uso. Isso porque não só toda a sociedade é cada vez mais tecnológica, como a tecnologia, quando bem aplicada, é uma aliada no processo de aprendizagem.
“Hoje o telefone é muito mais que uma ligação, ele pode se transformar numa sala de aula estendida, e também é um recurso que pode ser ampliado para que as coisas aconteçam. Só que é importante entendermos que a lei vai além, e permiteo o uso dos recursos tecnológicos de modo que as coisas fluam o aprendizado e a troca de saberes. O problema é o que a não intencionalidade pedagógica gerou”, argumenta.
Ele explica que a escola em que trabalha está bem equipada com dispositivos tecnológicos com acesso a internet nos laboratórios de informática, e também com outros ambientes de capacidade intelectual sem acesso virtual que compoem satisfatoriamente o ensino desses alunos, como a biblioteca e salas de laboratórios. O uso do celular, quando necessário, é avisado aos pais com antecedência.
Mas como o celular em si não é um vilão, e sim o seu mau uso, Rafael explica que há exceções. Como a própria legislação aponta, há alunos com deficiência que pecisam do celular para aplicativos de inclusão. Além disso, estudantes dos anos mais avançados já tem a autonomia de levar o aparelho móvil para notificar os pais de sua chegada ou chamar um carro por aplicativo como transporte até a escola, desde que os mantenham desligados ao entrar na instituição.
Apesar de apontar que na escola em que atua o celular já era proibido, ele explica que antes os alunos tinham permissão para manuseá-lo nos horários livres, algo que com alei se tornou bem mais restrito. Com a implementação da legislação, o educador entendeu que houve um forte avanço para a comunidade escolar e também a familiar, e que apesar de alguns resistentes, aos pouco as coisas se adaptam.
“A gente entendeu que houve um ganho. Um ganho social, um ganho de diálogo, de interação e descobertas. Um ganho que o aluno entendeu que a escola tem que resgatar suas funções, e que ela também tem a função tecnológica, mas que não no tempo do aluno. As rodas literárias, de conversas, os debates, trabalhos manuais, todos estão sendo retomados e intensificados. E claro, o protragonismo do próprio aluno, no qual ele fala, não copia, não traz um discurso pronto”.
Melhor alternativa possível
O professor do Centro Universitário UniFACTHUS, Roberto Campos, explica que há uma certa unanimidade enre os professores sobre os benefícios da nova lei – algo que segundo ele já é fortemente percebido nas redes de educadores. Segundo o docente, quando o aluno está imerso em notificações, redes sociais ou jogos, o processo de absorção e relexão dos conteúdos lecionados é comprometido.
“A presença constante dos celulares tem contribuído para uma fragmentação da atenção e uma diminuição do engajamento durante as aulas. Essa dispersão interfere diretamente no processo cognitivo, elemento central para o desenvolvimento e a excelência acadêmica, que é o verdadeiro serviço ao qual as escolas se destinam”.
Roberto explica que existe um contraponto de muitos envolvidos no processo educativo argumentando sobre a utilidade no celular no processo de aprendizagem, mas segundo ele isso não deve se derivar num afrouxamento da legislação, como a possibilidade mais branda de deixar os alunos terem um acesso “controlado” aos dispositivos dentro da escola, já que esse monitoramento é muito complicado.
“Para que se aproveite de forma efetiva o potencial pedagógico dos celulares, seu uso precisar ser limitado a momentos restritos e sob orientação direta dos professores. Na prática, a ausência de normas que autorizem a apreensão dos dispositivos acaba impedindo que os educadores possam confiscar os aparelhos, dificultando o controle”, justifica.
Ele também explica que para transformar o smartphone em um recurso educativo, seria fundamental que as escolas adotassem estratégias como a elaboração de regimentos internos claros, a capacitação de professores para manejarem esses recursos, e principalmente a implementação de medidas disciplinares quando necessárias – medidas que não contam com o apoio majoritário dos responsáveis.
“Nessas condições, vejo a lei como uma resposta necessária, porque mesmo o aprelho celular tendo potêncial como ferramenta educativa, a realidade é que sem o devido controle os prejuízos se sobrepõem aos benefícios. A medida visa preservar o ambiente escolar e fomentar o desenvolvimeto integral dos estudantes”.
Foco na devida interpretação
O pedagogo e docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Bruno Pereira, concorda que a lei é muito bem-vinda. Para ele, além da medida evitar que o aluno se disperse – o que dificulta tanto a sua aprendizagem quanto o andamento das aulas, também ajuda nos casos de vício em telas, já demonstrado por estudos. No entanto, ele chama a atenção para a interpretação que as instituições de ensino e os gestores escolares estão fazendo, porque o celular também pode ser um aliado nos estudos.
“É fundamental reconhecer que os dispositivos eletrônicos podem ser também uma excelente ferramenta pedagógica. Então na verdade é preciso analisar em quais
momentos utilizá-los, e qual sua intencionalidade. Há atividades em que os celulares enriquecem as aulas, como aplicativos educativos, gravação de vídeos, pesquisas orientadas e mesmo atividades que envolvem música”, argumenta.
Para ele, a chave está em entender quando é positiva a presença dos aparelhos em sala de aula, e quando não é, e não restringí-lo de maneira absoluta. De acordo com o especialista, desde a implementação da lei, muitos têm interepretado a regra de forma rígida e errônea, já que a legislação faz alusão ao uso inadequado dos celulares, e não sua exclusão completa do ambiente escolar.
“Há casos de gestores que estão fazendo uma interpretação equivocada da norma, proibindo completamente o uso dos celulares em sala de aula, inclusive pelos próprios docentes para fins pedagógicos. De acordo com a secretaria de educação aqui da cidade, se algum professor quiser fazer qualquer registro com fotos ou vídeos de suas atividades, ele tem primeiro que pedir autorização para o gestor da escola”.
Para o pedagogo, restringir o uso total dos celulares não é o caminho correto para evolução do uso das ferramentas tecnológicas, e sim a adoção de uma interpretação mais compreensível da norma, em que os celulares sejam devidamente incluídos em sala de aula, desde que tenham uma intencionalidade pedagógica clara. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)