por leonardo santos | jul 13, 2026 | Educação
Nova legislação exige atenção redobrada das instituições de ensino
Depois de mais de três décadas sem grandes atualizações, o Estatuto da Criança e do Adolescente se modernizou para se adaptar ao avanço da internet e suas consequências sobre os menores de idade. O novo ECA Digital foi aprovado em 2025 – também chamado de “Lei Felca”, pela contribuição do influencer na elaboração e tramitação do projeto – e entrou em vigor em março desse ano.
O marco regulatório do novo ECA Digital coloca ênfase nas plataformas de tecnologia, evidenciando suas responsabilidades na garantia de direitos das crianças e adolescentes, e explicitando as medidas rigorosas que devem ser tomadas pelas big techs no sentindo de proteger sua integridade física, psicológica, e também na gestão de dados.
Mas o novo ECA Digital não lança luz somente às empresas de tecnologia: ele evidencia as atribuições dos responsáveis legais, do governo, e da comunidade escolar na proteção dos menores de idade, além da educação digital – vista como fundamental nesse processo. A nova lei sela uma espécie de pacto entre as big techs, os pais, a escola e o Estado, criando um ambiente digital seguro e construtivo.
Entre os principais pontos de mudança, o novo ECA Digital é expresso sobre a verificação de idade. A partir de agora, em qualquer plataforma digital que possa ter o alcance de crianças e adolescentes, fica obrigatória a aferição de idade por meio de documentos, sendo vedado a simples exigência de autoafirmação, em que o usuário apenas se comprometia a ser maior de idade, como funcionava antes.
Outra mudança é a supervisão parental, já que todas essas plataformas agora estão obrigadas a disponibilizar aos responsáveis legais ferramentas para o devido monitoramento do comportamento digital de menores legais. Além disso, toda a arquitetura das plataformas deve estar especialmente desenhada para a segurança de dados, a prevenção da violência e a privacidade desses usuários.
Ainda com foco na segurança máxima de crianças e adolescentes, o novo ECA Digital estabelece medidas mais diretas e efetivas de moderação e retirada de conteúdos de risco, com mecanismos para reportar autoridades de maneira imediata e remoção via notificação direta das big techs. O objetivo é manter uma via expressa entre as autoridades e as plataformas para gerar repostas rápidas às ameaças e violações.
A última grande mudança do novo ECA Digital diz respeitos aos dados. Todas as plataformas ficaram proibidas de colher informações excessivas de crianças e adolescentes, e nem podem compartilhá-las ou vendê-las. Ficou proibido também o rastreamento e a construção de perfis comportais para esse público.
A lei ainda dá ênfase na completa proibição de impulsionamento de qualquer publicidade ou monetização com conteúdo erotizante de crianças e adolescentes.
A escola no centro das mudanças
Com todas as alterações impostas pela nova legislação, e a necessidade da inclusão de plataformas de tecnologia nos métodos de ensino, as escolas agora têm um duplo desafio. Elas precisam entender como lidar com as novas tecnologias e utilizá-las para métodos pedagógicos efetivos, mas também estarem vigilantes quanto à segurança dos alunos no uso dessas ferramentas.
Isso evidencia que a questão da tecnologia no ambiente escolar não se resume mais restritamente aos desafios do ensino e métodos de aprendizagem com recursos tecnológicos, mas também inclui um foco ampliado das instituições de ensino sobre a segurança dos estudantes, inclusive com necessidade de revisão de plataformas já utilizadas anteriormente.
Hoje essas instituições devem checar previamente se as ferramentas propostas nos planos pedagógicos se comprometem com a integridade dos alunos, protegem seus dados e não os utilizam para fins comerciais. Essas plataformas também precisam ter mecanismos para proteger a privacidade dos estudantes, com forte compromisso na segurança contra ameaças.
A consequência imediata dessas novas responsabilidades é que nenhuma atividade deve ser promovida sem antes haver a devida checagem das plataformas digitais utilizadas. Também é importante que as escolas façam um “pente-fino” em todas as plataformas utilizadas anteriormente, verificando se elas estão de acordo com a segurança e privacidade dos dados dos alunos.
Softwares que agregam notas, organizadores digitais de atividades, plataformas para reuniões remotas e outras utilidades não devem utilizar esses dados para fins comerciais, sob pena de responsabilização judicial tanto dessas plataformas quanto das escolas. Isso coloca essas instituições de ensino como protagonistas diretos na vigilância e proteção da integridade e privacidade dos alunos.
Há um outro detalhe que pode causar estranheza para professores e gestores de escolas, mas que tem aplicações práticas importantes: a proibição do uso de imagens e voz das crianças para fins comerciais. Isso significa que os educadores já não podem mais utilizar materiais que ferem a privacidade dos alunos na comunicação institucional, o que inclue diretamente sites e redes sociais.
Com o novo ECA, mesmo as postagens em redes sociais ou posts em blogs e sites institucionais que não visem qualquer propósito comercial devem ser previamente aprovados e consentidos pelos responsáveis legais. Em caso de publicidade da instituição com fins comerciais, a prática fica explicitamente vedada pela lei. As mesmas regras servem para materiais que busquem engajamento digital.
Esses aspectos também afetam os grupos de comunicação entre a instituição, alunos e seus responsáveis legais. Na prática, canais como grupos de WhatsApp ou qualquer outro chat devem ter regras estritas sobre o compartilhamento de qualquer conteúdo envolvendo menores, e as escolas têm a responsabilidade de iniciar esse diálogo e fazer a moderação desses ambientes.
Outro aspecto do novo ECA Digital que afeta diretamente as escolas é a responsabilidade frente ao cyberbullying. A partir do novo projeto, a instituição de ensino fica responsável por qualquer ato de bullying, intimidação ou exposição indevida na internet que afete ou esteja diretamente relacionada à escola. Em caso de omissão, essas instituições podem sofrer sanções da justiça.
Para além do pente-fino no uso de ferramentas e o cuidado na exposição de menores, agora a escola é responsável diretamente pela educação e conscientização digital. Assuntos como privacidade, uso de dados, exposição indevida, cyberbullying, fake news, legislação digital e muitos outros agora devem ser incorporados no currículo de ensino, e são funções básicas da escola.
Esse aspecto faz com que a a educação digital, antes já muito exigida das escolas, não seja resumida somente apresentar ferramentas digitais e ensinar como manuseá-las, mas também ensinar os estudantes a se comportarem na internet, assim como conscientizar sobre os riscos e implicações do uso indevido dessas ferramentas.
Nesse sentido, o ambiente escolar agora não só deve apresentar as ferramentas tecnológicas e ensinar como utilizá-las, mas também é agente ativo na consciência digital desses alunos, além de co-responsável direta pela segurança dos menores. Isso amplia a responsabilidade das instituições de ensino e faz com que elas tenham uma atuação maior nesse meio.
O docente e pedagogo da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, coincide que o papel da escola no ambiente digital agora é ampliado pelo novo ECA Digital. Ele explica que a nova legislação também se relaciona com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), aprovada em 2018, e que as instituições de ensino têm uma função estratégica na educação digital já estipulada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
“A educação midiática é um direito de aprendizagem essencial para que os alunos entendam os riscos do ambiente virtual e o alcance das duas ações, com a obrigatoriedade agora de reforçar sobre as responsabilidades também relacionadas ao cyberbulling“, argumenta.
Para o especialista, o novo ECA Digital faz com que a educação digital nas escolas passe de um papel mais raso somente relacionado às competências e habilidades no uso de plataformas, para uma profundidade de reflexão sobre o mundo virtual, com maior teor crítico e abrangendo questões éticas e de segurança. A escola também ganha um protagonismo maior na defesa dos interesses das crianças e adolescentes.
“Há um aprofundamento das questões de educação digital e de responsabilidade das autoridades escolares nesse assunto, porque agora também se intensificam as punições, o monitoramento e o olhar para a educação como um todo”. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional).
por leonardo santos | jun 29, 2026 | Dicas, Educação
Estratégico nas relações comerciais brasileiras, espanhol é segundo idioma mais falado no mundo
É comum que muitos, quando atualizam seus currículos, coloquem “espanhol avançado” na parte de línguas estrangeiras. Muito próximo da língua portuguesa, ensinado ativamente em muitas escolas e com uma proximidade cultural forte com nós brasileiros, o espanhol – ou castelhano – é um dos idiomas mais falados no mundo, e com alta demanda para profissionais em todo o país.
Mas a verdade é que embora seja próximo ao nosso português, e de mais fácil compreensão, o espanhol não é exatamente tão simples assim, e requer dedicação. Exatamente pela inteligibilidade – facilidade de entendimento – do idioma entre falantes de português, é frequente que muitos brasileiros afirmem ter espanhol avançado sem de fato conseguirem se comunicar suficientemente bem no idioma.
Com uma gramática complexa, conjugação de verbos que as vezes soa confusa, grande diversidade de variantes regionais, e os famosos “falsos amigos” – palavras parecidas ao português, mas com significado diferente – é necessário estudar bastante para que o “espanhol avançado” do currículo seja mesmo avançado.
A Analista de Gestão de Pessoas do Centro Universitário Rio Verde, Cássia Garcia Cabral, destaca a importância em se ter o espanhol avançado no currículo. Ela explica que em muitos segmentos o idioma deixou de ser apenas um diferencial, passando também a constituir uma competência estratégica para posições de maior complexidade e liderança.
“Nos processos seletivos, profissionais com proficiência em espanhol tendem a se destacar por demonstrarem maior preparo para ambientes corporativos globalizados, visão estratégica e investimento contínuo em desenvolvimento profissional”, argumenta a recrutadora.
Embora estudar idiomas leve tempo e dedicação, e o inglês continue tendo um protagonismo maior no mundo profissional, ter o espanhol avançado pode abrir portas para vagas e oportunidades profissionais, de educação e experiências de vida diversas. Abaixo listamos 5 razões para que você tenha espanhol avançado no currículo.
1- Um dos idiomas mais falados no mundo
Com seus mais de 540 milhões de falantes no globo, o espanhol é a quarta língua mais falada no mundo. Se considerarmos somente os falantes nativos, são mais de 460 milhões de pessoas, o que eleva o espanhol ao segundo lugar como língua materna no mundo, à frente do inglês, com 380 milhões, e perdendo somente para o mandarim, com quase 1 bilhão de falantes nativos.
Poder se conectar facilmente com mais de meio bilhão de pessoas é um privilégio de quem tem o espanhol avançado. As possibilidades de conexão profissional, acadêmica e social são infinitas.
2- Ascensão profissional
Como idioma oficial em 21 países, o espanhol é motor de cerca de 7% do PIB mundial, de acordo com projeção do Fundo Monetário Internacional. Os maiores destaques são a Espanha e o México, que juntos correspondem por mais da metade da riqueza dos países hispano-falantes.
No caso do Brasil, por ser vizinho de 7 países hispânicos e pelo Mercosul, o espanhol tem importância econômica potencializada. Com destaque para a Argentina, o segundo maior PIB da América do Sul e que tem o Brasil como maior parceiro comercial, e o Chile, com quem o Brasil tem importantes acordos de livre comércio, investimentos financeiros e empresas com capital conjunto.
Em uma pesquisa realizada pelo site de empregos Catho, vagas com exigência de espanhol avançado tinham salários em média 34% superiores. Já em outra pesquisa da IE Intercâmbio, a busca de brasileiros por aprender espanhol saltou mais de 40% em 2024 comparado ao ano anterior.
3- Acesso à cultura
Se 21 países têm o espanhol como idioma oficial, fica fácil imaginar a diversidade cultural produzida em língua espanhola. Autores premiadíssimos, ampla oferta de cinema e séries, músicas para preencher infinitas playlists.
A oferta cultural para quem tem espanhol avançado é gigantesca. Autores como Gabriel Garcia Marquez, Miguel de Cervantes, Isabel Allende e Julio Cortazar. Cineastas premiados como Pedro Almodóvar, Guillermo del Toro, Lucrecia Martel. Ou ainda músicos como Mercedes Sosa, Shakira e Bad Bunny.
4- Facilidade para viajar o mundo
Imagine poder viajar por todo o resto da América Latina com comunicação facilitada, percorrendo paisagens tropicais, desertos, praias e montanhas nevadas. Já na Europa, a Espanha oferece arte, praias do mediterrâneo e joias arquitetônicas. Isso sem mencionar a diversidade gastronômica de todos esses países.
Mas o espanhol vai além das fronteiras dos países hispânicos, já que por ter mais de meio bilhão de falantes espalhados pelo mundo, ele é frequentemente usado como língua mundial em muitos países do globo, incluindo em diversos lugares dos Estados Unidos e Europa.
5- É mais fácil para falantes de português
Como o espanhol é uma língua derivada do latim, assim como o português, o francês e o italiano, todos os falantes dessas línguas têm facilidade em se comunicar e aprender esses idiomas. No caso dos falantes de português, esse processo é ainda mais facilitado, já que o espanhol é mais simples foneticamente para os luso-falantes.
Linguistas indicam que nativos da língua portuguesa tem um grau de inteligibilidade – compreensão simples – do espanhol em níveis satisfatórios, mesmo entre pessoas que nunca estudaram o idioma. Ao se dedicar a aprender a língua espanhola, fica muito fácil ter um espanhol avançado em pouco tempo, com graus satisfatórios de entendimento, fala e escrita. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional).
por leonardo santos | jun 15, 2026 | Educação, Saúde
Ministério da Saúde lista as imunizações essenciais para pessoas adultas, todas oferecidas pelo SUS
Geralmente muito relacionadas a bebês, crianças e idosos, ou ainda a enfermidades recentes, como a Covid-19, as vacinas são uma maneira simples e inteligente de manter o sistema imunológico ativo e saudável. Não restritas a nenhuma faixa etária, elas são um cuidado para todas as idades, mas com o dia-a-dia sempre acelerado, é comum não se dar maior atenção ao calendário de vacinação para adultos.
Assumir que quando recebemos as vacinas corretamente na infância estamos protegidos por toda a vida é um erro comum entre muitos. Mas o calendário de vacinação para adultos é claro: algumas doses precisam de reforço, e outras vacinas são administradas somente nessa faixa etária. Assim, buscar um centro de vacinação para revisar as vacinas recebidas deve ser um rito de todos, mesmo adultos.
O Ministério da Saúde inclui uma série de imunizantes no calendário de vacinação para adultos. Distribuídas e administradas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), essas vacinas têm por objetivo garantir que a população se proteja de doenças que afetam especificamente essa faixa etária, mas também que possam completar esquemas vacinais da infância que não foram devidamente cumpridos.
A médica e coordenadora do curso de Medicina da UniBRAS Santa Inês, Bruna Bringel, revela que há uma dificuldade para identificar as vacinas administradas em adultos no país hoje por falta de um banco de dados digital, inclusive porque antes não havia a tecnologia. Ela também detalha que muitos, quando menores, foram vacinados pela rede privada, que tem um calendário de vacinação diferente do calendário do SUS.
“Mesmo sem o registro, algumas vacinas nós conseguimos descobrir, como a BCG, que deixa uma marca no braço, ou vacinas contra a Hepatite B, que podem ser detectadas por exames de sangue. Mas a grande maioria dessas vacinas, sem o comprovante de vacinação, não há como saber se foram administradas ou não”, explica.
Quando o adulto decide se vacinar, o ideal é levar ao posto de vacinação todos os documentos e comprovantes de vacina que ele possui para que o profissional de saúde possa revisá-lo. Se a pessoa tiver o comprovante de vacinação da infância é ainda melhor. Mas ninguém deve deixar de se vacinar por não ter esses documentos, já que os agentes de saúde são treinados para tomar todas as medidas nesses casos.
“Quem não tem comprovantes ou tem dúvidas sobre ter ou não cumprido o calendário de vacinação corretamente deve buscar um posto de saúde. Cada caso deve ser avaliado individualmente, e a partir daí será decidido qual o esquema vacinal mais adequado”, recomenda a docente.
Abaixo relacionamos todas as imunizações que devem estar incluídas no calendário de vacinação para adultos de acordo com o Ministério da Saúde – todas administradas pelo SUS. Consideramos como adultos qualquer pessoa acima de 18 anos, e não incluímos idosos acima de 60 anos, já que estes seguem um calendário específico.
- Hepatite B
Embora hoje já aplicadas na infância, muitos adultos no Brasil não tem o esquema completo de vacinação contra a Hepatite B, que também protege contra a Hepatite D. Aplicada em 3 doses, sem necessidade de reforço – a não ser para casos especiais, como imunossuprimidos – a vacina contra a Hepatite B não era aplicada até o fim da década de 1990, quando houve uma campanha para imunização no país.
Considerada pelo Ministério da Saúde como essencial, a vacina de Hepatite B faz parte do calendário de vacinação para adultos justamente pela sua entrada no esquema infantil ter sido tardio. Por isso, todos devem estar atentos e buscar os postos de saúde para completar o esquema de imunização.
- dT
A vacina dT protege contra Difiteria e Tétano. Embora já aplicadas também na infância, adultos precisam de uma dose de reforço a cada 10 anos. Quem não completou seu ciclo vacinal na infância precisa de doses adicionais. Em caso de dúvida, o ideal é levar o comprovante de vacinação disponível para ser verificado. Se não haver comprovante, o profissional saberá como proceder.
Pessoas com comorbidades e imunossuprimidas podem precisar de doses de reforço, assim como profissionais de saúde. Além disso, pessoas que tiveram algum acidente em contato com agentes potencialmente infectantes também podem receber uma dose de reforço a depender do esquema vacinal.
- Febre Amarela
Endêmica de regiões tropicais, a Febre Amarela é erradicada no Brasil, graças aos esforços de imunização da população, mas seu vírus segue em circulação em animais silvestres. No caso dessa vacina o esquema é simples: só uma dose por toda a vida.
O Ministério da Saúde recomenda especial atenção a viajantes internacionais, já que em muitas regiões do globo a doença ainda é frequente.
- Tríplica Viral
Protegendo contra o sarampo, a rubéola e caxumba, a Tríplica Viral SCR é geralmente administrada em duas doses nos primeiros 15 meses de vida. No entanto, adultos que não consigam comprovar a vacinação devem cumprir um clico vacinal de acordo com sua idade.
Até os 29 anos, quem não completou o ciclo na infância deve receber duas doses, separadas por no mínimo 30 dias. Dos 30 aos 59 anos, quem não recebeu a vacina deve tomar somente uma dose.
Covid, antigripal e dengue
Além das imunizações incluídas no calendário de vacinação para adultos tradicional, todos devem ficar atentos às campanhas de vacinação sazonais, como o Covid-19 e antigripal. No caso da vacina de Covid, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação de uma dose para esquema vacinal completo em pessoas entre 5 e 59 anos – antes o esquema eram 2 ou 3 doses, agora reduzido a apenas uma.
Essa revisão foi implementada seguindo o desenvolvimento de vacinas mais resistentes e a revisão de estudos sobre o imunizante. No entanto, pessoas com comorbidades ou pertencentes a grupos específicos, como indígenas, quilombolas e trabalhadores da saúde ainda devem receber uma dose de reforço anual. Gestantes também devem receber reforço.
O Ministério da Saúde atualiza com frequência as doenças que fazem parte da lista de comorbidades, que incluem diabetes, obesidade, asma grave, entre outras. Para entender se sua condição faz parte dessa lista, é importante buscar um posto de vacinação com histórico de vacinas e comprovantes de saúde em mãos. Pessoas imunossuprimidas devem receber uma dose a cada 6 meses.
A vacina antigripal é mais específica. Como existem vários tipos de gripes diferentes, e os vírus estão em constante mutação, essa vacina se atualiza todos os anos. No geral, essa dose de reforço anual costuma ser direcionada somente a grupos específicos, como pessoas com comorbidades, imunossuprimidas e idosos, mas dependendo da sazonalidade e da região elas podem sim ser administradas ao público adulto geral.
Por último, a inclusão de vacinas contra a dengue no PNI segue em desenvolvimento. Atualmente, as vacinas estão disponíveis prioritariamente para crianças e profissionais da saúde, mas em algumas regiões elas estão liberadas para o público geral adulto. Por isso, a recomendação é sempre conferir sua disponibilidade no site do Ministério da Saúde.
Grupos específicos
Como mencionado acima, há casos de grupos específicos que devem ficar mais atentos ao calendário de vacinação para adultos. Isso inclui pessoas com comorbidades – doenças que fragilizam o sistema imunológico. Também inclui gestantes, imunossuprimidos e profissionais de saúde.
Adicionalmente, há grupos demográficos específicos que tem atenção redobrada para o esquema vacinal, como quilombolas, indígenas vivendo ou não em territórios indígenas, pessoas com a liberdade privada ou pessoas que trabalham com esses grupos. Essa lista segue sendo atualizada com frequência pelo Ministério da Saúde.
Além disso, pessoas idosas tem seu calendário de vacinação específico acima dos 60 anos.
Vacinas salvam vidas
Desde a criação Programa Nacional de Imunizações, em 1942, o Brasil reverteu fortemente o cenário de infecções contagiosas no país. Hoje, a varíola, a rubéola e a poliomielite são consideradas erradicadas em território nacional, enquanto o sarampo se resume a apenas surtos isolados, e a febre amarela tem circulação somente entre animais selvagens.
Esse cenário só foi possível graças a décadas de esforços governamentais e forte mobilização social para a imunização em massa da população, sendo o Brasil uma referência mundial em adesão às vacinas, e também ao seu desenvolvimento e produção, contando com instituições com forte referência na temática como o Instituto Butantã e a Fiocruz. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)
por leonardo santos | maio 22, 2026 | Educação, Novidades
Na vida, às vezes começamos com poucas expectativas… mas com apoio, dedicação e oportunidades, podemos ir muito além do que imaginamos. 💙
João Pedro Ramos, aluno do curso de Educação Física – Bacharelado da UNIBRAS Montes Belos, iniciou sua trajetória acadêmica de forma tímida, sem grandes perspectivas. Porém, desde o início, a coordenadora do curso, Profª. Esp. Elaine Cristina dos Santos, enxergou nele um enorme potencial.
Com o apoio fundamental da intérprete Milva Mendes, que o acompanha desde o segundo período, João Pedro passou a explorar um novo universo: o da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e da comunidade surda. Esse contato foi transformador — não apenas na comunicação, mas em toda a sua forma de ver o mundo.
Foi também nesse caminho que ele conheceu o futsal para surdos, onde encontrou uma nova paixão e uma oportunidade de crescimento. ⚽
Durante um evento, João Pedro foi descoberto por olheiros e convidado a integrar a Seleção Brasileira de Surdos. A partir daí, sua história ganhou novos horizontes: viagens internacionais, participação em campeonatos nacionais e internacionais e a conquista de diversas medalhas. 🏅🌍
Hoje, no sexto período do curso, João Pedro é um exemplo de superação, dedicação e evolução. Participa ativamente das aulas, desenvolveu significativamente seu potencial cognitivo e, acima de tudo, tornou-se um agente de transformação dentro da sala de aula.
Sua presença contribui diretamente para o crescimento dos colegas, promovendo a inclusão, o respeito e a troca de conhecimentos. Ele nos mostra, todos os dias, que aprender e ensinar ultrapassa qualquer barreira — inclusive a da comunicação.
💬 João Pedro não apenas constrói sua própria história, ele inspira todos ao seu redor.
Profa. Esp. Elaine Cristina dos Santos
por leonardo santos | maio 20, 2026 | Dicas, Educação
Mídias geradas por inteligência artificial com fatos falsos e rápida difusão têm sido desafio nas esferas pública e privada
Em tempos de redes sociais, inteligência artificial, ativismo digital intenso e forte circulação de informações e narrativas, separar o que é real do que de fato é falso pode ser difícil. O fenômeno do deepfake – imagens, vídeos ou áudios criados por inteligência artificial com conteúdo super-realista – tem avançado de maneira impressionante, dificultando ainda mais a checagem de fatos.
Se antes um pouco de esforço era suficiente para discernir a realidade de conteúdos falsos, agora o avanço da inteligência artificial tem exigido mais esforço para fazer essa separação, e mesmo especialistas em tecnologia e comunicadores tem tido uma maior dificuldade nesse sentido. Com o deepfake, a realidade pode ser manipulável em alguns comandos e as consequências são quase imediatas.
De perfis de instituições a celebridades e políticos, as vítimas do deepfake têm sofrido consequências pessoais ou institucionais, profissionais e de reputação graves. O fenômeno de compartilhamento rápido nas redes é o catalizador para que campanhas mal intencionadas atinjam seus objetivos com facilidade. Para tentar reverter esses prejuízos, as vítimas buscam a justiça, que geralmente não responde a tempo.
O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, explica que é papel da Educação alertar as pessoas contra a existência de informações falsas, e despertar nelas a busca pelo conhecimento autêntico, científico e crítico. Ele também faz um paralelo com o mito da caverna de Platão, em que no cenário que muitos assimilam notícias falsas como verdade, todos querem criar sua própria informação.
“Dentro do contexto escolar, é importante separar o que é informação do que é conhecimento. As novas tecnologias bombardeiam as pessoas com novas informações de forma instantânea, mas elas nem sempre são verídicas. Nem tudo que chega de informação ao indivíduo é real. Então é preciso instigar nele a busca por uma base de dados confiável”, defende.
Para o pedagogo, as instituições de ensino têm o papel de trabalhar a temática das notícias falsas em todos os níveis, desde a educação básica até o ensino superior. O foco deve ser no gerenciamento das informações, inclusive no seu compartilhamento. “A própria comunidade acadêmica tem um papel fundamental de ajudar na construção de informações reais, fazer com que o que é compartilhado seja verídico”.
Esse cenário em que a tecnologia se torna uma colaboradora na disseminação de informações falsas é um paradoxo no sentindo de que novas formas de conhecimento deveriam ser aliadas na construção de uma sociedade mais justa e consciente, e não o contrário. Quando as instituições, a ciência, o trabalho, a democracia e os valores humanos são prejudicados, é necessário reverter o processo com mais Educação.
Para isso, educar as pessoas sobre como melhorar suas fontes de informação, buscar embasamento de dados, verificar a veracidade dos fatos e filtrar os conteúdos recebidos é essencial. Por isso, conhecer quais são os tipos de fake news mais comuns, identificá-las e aprender a checá-las manualmente é o caminho para reverter o processo. Abaixo você pode verificar mais sobre essas habilidades.
O que são os deepfakes?
O deepfake é um recurso de mídia criado por inteligência artificial, com traços hiperrealistas, de maneira quase impossível em determinar sua veracidade sem auxílio profissional. Podendo ser arquivos de foto, vídeo ou áudio, essa ferramenta tem sido utilizada de forma abrangente para difamar e prejudicar a reputação de figuras públicas, ou produzir fatos inverídicos como insumo para notícias falsas.
No geral, o deepfake tem sido amplamente utilizado para fins políticos, prejudicando candidatos ou grupos políticos inteiros, e gerando ampla mobilização digital. Quando utilizados em momentos críticos de campanhas, seus danos podem ser catastróficos e muitas vezes irrecuperáveis.
Com eleitores muitas vezes em processo de decisão de voto, e a justiça naturalmente sendo mais lenta que o ambiente digital, com forte apego aos ritos do direito, torna-se dificil reverter os prejuízos das campanhas de deepfake. Esse panorama tem estimulado discussões sobre atuação profissional, criminal e cidadã na justiça eleitoral e das plataformas digitais.
No entanto, o deepfake não tem efeito somente no mundo político, com instituições, celebridades e mesmo pessoas não públicas sofrendo consequências de campanhas de difamação e vingança. Muitas mulheres, em especial, tem sido vítimas de vídeos que simulam nudez ou conteúdos eróticos, dos quais elas nunca produziram.
Entre esses conteúdos sexualmente explícitos produzidos por plataformas geradoras de mídia falsa há também o fenômeno do revenge porn – ou pornografia de vingança em português – que é quando alguém divulga conteúdos eróticos daquela pessoa sem sua autorização, com o objetivo de prejudicá-la. Os deepfakes facilitaram isso, já que não é mais preciso ter mídias reais em mãos: se pode produzí-las digitalmente.
Como fazer a checagem de fatos?
Com mídias hiperrealistas, identificar fatos falsos tem sido uma tarefa difícil para pessoas comuns, profissionais de comunicação e tecnologia, e plataformas digitais. Os prejuízos do fenômeno deepfake tem pressionado instituições a criarem políticas eficazes de identificação desses conteúdos, e também estratégias para evitar seu compartilhamento em massa e mitigação de danos.
Autoridades governamentais e da área da justiça têm sido fortemente demandadas por estratégias de rápida reversão e preservação da reputação e segurança física e mental das vítimas. As discussões sobre a temática têm se acumulado na esfera pública, com amplo histórico de casos de cooperação e omissão das plataformas digitais, instituições centrais nesse debate.
Mas não é necessário ser especialista no tema para conseguir fugir dos conteúdos falsos, já que há recursos e estratégias eficientes para se informar com qualidade e não se deixar levar por conteúdos fantasiosos. A primeira recomendação, claro, é sempre se informar por fontes oficiais e portais de confiança, onde a notícia e checada por profissionais.
É importante também desconfiar de fatos muito atípicos ou extraordinários, e fazer essa checagem nos buscadores e nos portais de notícias. Uma pequena busca no Google pode ser suficiente para encontrar uma checagem de fatos de algum veículo da imprensa, de sites de checagem ou mesmo do próprio Google. Além disso, se a notícia for real, ela com certeza estará nos jornais mais renomados.
Pode ser mais complicada a checagem quando o fato chega em formato de notícia. Nesse caso, é necessário se ater a fonte dessa informação. Se vier de um portal de notícias, questione se esse portal é conhecido ou de confiança, e fazer uma busca de notícias no Google também funciona. Repare também na data da publicação, já que notícias antigas podem ser usadas como falsas fora de contexto.
Outro fator que conta bastante é a ortografia, já que portais de notícias falsas não tem checagem de profissionais da imprensa, podendo assim conter erros. Ambientes como grupos de WhatsApp, Telegram ou outras redes também são altamente desconfiáveis, já que são as plataformas preferidas por grupos mal intencionados para compartilhar fatos inverídicos.
Para os deepfakes também é possível verificar a qualidade da mídia. Se for vídeo ou foto, cheque se a imagem é de qualidade. Nos casos de vídeos, verifique se os movimentos parecem reais ou mais robóticos. Muitas tecnologias de IA também podem gerar imagens humanas com distorções curiosas, como dedos ou braços a mais. A boca também nem sempre se move de maneira adequada.
Se o conteúdo tiver áudio, também é possível checar se a voz parece de acordo com a pessoa retratada ou está diferente, ou ao menos robótica ou metalizada. Em vídeos de deepfake é comum haver um descompasso entre o que é falado e o movimento da boca. Os olhos também podem não parecer naturais, e a pessoa retratada não pisca ou pisca menos que o normal. As emoções também podem não transmitir realidade.
Um último fator chave pode ser estar atento ao ambiente em que o personagem do deepfake está inserido. Como a inteligência artificial é desenvolvida com foco em dar vivacidade aos personagens humanizados, muitas vezes ela pode negligenciar o que está ao lado dessa pessoa, com ambiente borrado ou de pouca qualidade, e cores, luzes e sombras que não são muito fiéis à realidade
Ferramentas aliadas
Às vezes uma simples busca ainda pode nos deixar com a pulga atrás da orelha, mas ferramentas elaboradas por especialistas de imprensa e tecnologia são forte aliadas nesse processo. É claro que elas podem demandar mais tempo e disponibilidade, mas para quem busca a realidade esse esforço vale a pena.
De início existem os portais especializados em checagem de fatos, como a Agência Lupa, o Aos Fatos, o Projeto Comprova e o Fato ou Fake do portal G1. Esses sites contam com uma equipe especializada em checagem de fatos em tempo real, com foco no combate às notícias falsas e principalmente na rápida difusão desses conteúdos pelas redes.
Há ainda ferramentas que usam mecanismos mais sofisticados, como o Google Fact Check Tools e o Archive.org, ambos com recursos que podem ser utilizados tantos por profissionais quanto o leitor não especializado. Essas ferramentas utilizam engenharia de busca e menções para conseguir rastrear campanhas de desinformação no ambiente digital.
Mas se o seu foco for buscar pela veracidade de mídias do ponto de vista mais técnico, ferramentas de rastreio desses vídeos podem ser muito válidos, como o InVID e o OsoMeNet. Elas buscam tendências de compartilhamentos de mídia em redes como o TikTok, Instagram e sites dos mais variados perfis.
Já com foco no rigor técnico das deepfakes, ferramentas como o Deepware Scanner e o Screen App conseguem identificar padrões identificadores de uso de inteligência artificial e insconsistências técnicas nas mídias analisadas. Por último, há o FactFlow AI, que usa a inteligência artificial para cruzar fatos com fluxos de busca e postagens na internet, facilitando a identificação de fatos e narrativas falsas. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional).