Trabalhar e estudar: dicas para enfrentar melhor a dupla jornada

Trabalhar e estudar: dicas para enfrentar melhor a dupla jornada

Em um mundo ideal, todos que optassem por seguir o caminho acadêmico deveriam ter disponibilidade integral para se dedicar aos estudos. Mas na realidade de muitos estudantes dividir o tempo entre trabalhar e estudar é indispensável para a sua sustentabilidade econômica, e inclusive para arcar com os custos da faculdade. Se o ensino superior exige uma boa disponibilidade de tempo e dedicação, para os estudantes que precisam trabalhar e estudar para se manterem esse desafio é ainda maior. Dividir a rotina com horas de aula, emprego, tempo de estudo, deslocamento, alimentação e afazeres domésticos pode ser desgastante, e exige uma boa estratégia de uso de tempo e energia. Enquanto o termo “nem-nem” se populariza para definir jovens que não estudam nem trabalham, quase 8 milhões de brasileiros entre 15 e 29 anos precisam estudar e trabalhar ao mesmo tempo, de acordo com o IBGE em 2022. Isso representando cerca de 15,7% da população nessa faixa etária. Para esses jovens, o tempo é um ativo de alto valor, e a disciplina é essencial para se equilibrar nessa balança. O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, explica que dependendo da rotina enfrentada pelo estudante, a experiência pode ser maçante. Compartilhando um pouco da sua experiência pessoal como estudante, ele explicou que durante a graduação também precisou trabalhar e estudar, e que não era fácil. “Nesses quase vinte anos de docência, sendo quinze lecionando no ensino superior, eu já tive vários alunos que trabalhavam e mesmo assim se destacavam, tinham a consciência que precisavam estudar porque era do seu suor que saiam seu sustento e muitas vezes o sustento da casa. Por outro lado, nem sempre passar uma atividade para casa tinha bons resultados, ou em trabalhos em grupo em que todos tem tempos diferentes”. Pensando nisso, Rafael conta que nesses casos prioriza atividades em sala de aula, ou com pontuação extra, para aproveitar ao máximo o potencial desse aluno presente, porque outras atividades fora da instituição podem não ter um rendimento semelhante. Ele enfatiza também o caso de muitas alunas que são mães, e por isso ainda dividem seu tempo para funções da maternidade. Com foco nesses jovens, que precisam ter uma boa desenvoltura para alcançarem seus objetivos, reunimos abaixo algumas dicas que apodem ajudam a enfrentar a dupla jornada de maneira mais tranquila e com melhores resultados. 1. Estabeleça uma rotina Se o estabelecimento de uma rotina é uma maneira importante para todos, independente das suas responsabilidades, isso é ainda mais relevante para quem tem uma dupla jornada. Também vai além de somente se ajustar aos horários das aulas e do emprego. É preciso reservar um período no dia para estudar e revisar conteúdos, se alimentar, fazer exercícios físicos e mesmo descansar. Por isso, estabelecer blocos de tempo para as atividades com um planejamento estratégico bem estruturado, e organizar um calendário único com a lista de atividades e objetivos é fundamental para um bom rendimento. 2. Otimize seus métodos de estudo Trabalhar e estudar exige dos estudantes uma boa gestão de tempo, e por isso encontrar métodos de estudo que se adaptem aos seus perfis e necessidades é crucial. Revisar conteúdos diariamente, fazer resumos e mapas mentais, e separar um tempo para leitura de maneira estratégica estão entre os métodos possíveis e de melhor resultado. Outra opção é aproveitar momentos como o deslocamento entre a casa, o trabalho e a faculdade para revisão de atividades ou escutar podcasts sobre a matéria abordada em sala de aula. A tecnologia também é aliada com aplicativos de produtividade, gravação de conteúdo, fotos de textos em sala de aula e mesmo o auxílio da inteligência artificial para revisões ortográficas e indicação de fontes de pesquisa. 3. Respeite seu corpo Não adianta ignorar o corpo: uma vez que ele sinalizou uma necessidade é preciso atendê-la. Isso significa manter uma boa rotina de sono respeitando as horas mínimas, se alimentar de forma saudável, estabelecer um tempo para exercício físico e cuidar da saúde mental com terapia e meditação. Também é preciso estar atento aos abusos, como o excesso no consumo de energéticos, o sedentarismo e o uso indiscriminado de medicamentos. Procure alimentos naturais e saudáveis, e visite o médico regularmente. Em caso de emergências, voltar umas casas atrás é fundamental. É preciso entender que sem a saúde em dia, seu potencial nos estudos e no trabalho pode não ser bem aproveitado. 4. Mobilize uma rede de apoio Ninguém vive sem a ajuda do próximo, e no caso de estudar e trabalhar, receber apoio de pessoas próximas faz toda a diferença. Pode ser da família, dos amigos, colegas de trabalho ou da faculdade qualquer empurrãozinho já está valendo, nas mais variadas possibilidades. No caso das atividades domésticas ou alimentação, familiares ou outras pessoas com quem você mora juntos podem ajudar bastante. Já na instituição de ensino, formar grupos de estudos e compartilhamento de conteúdos, revisões e resumos, além de estudarem juntos para provas e atividades faz a diferença. 5. Busque uma modalidade de ensino que funcione para você Com o avanço da tecnologia, estudar ficou mais fácil, e também surgiram novas formas de cursar o ensino superior. Como nem todos tem disponibilidade e disposição para estarem todos os dias na instituição de ensino, as modalidades de ensino à distância podem ser uma opção, seja híbrido ou totalmente a distância. Após a pandemia, as carreiras EaD tomaram conta do ensino superior brasileiro, com diversos cursos de alta qualidade e que se adaptam a rotina e necessidade de milhares de estudantes. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)

Ócio criativo e a pausa como prioridade na rotina

Ócio criativo e a pausa como prioridade na rotina

Estipular momentos na rotina para a pausa pode ser mais benéfico para a produtividade do que se imagina

Em um mundo em que tudo flui de maneira acelerada, parar por um momento parece ser sinônimo de ficar para trás. Aproveitar o descanso para antecipar demandas, buscar suplementos para aumentar a energia e produtividade, e usar metodologias para cumprir tarefas com mais eficiência são tópicos comuns hoje. Mas e se sua rotina incluísse momentos para simplesmente parar? Essa é a proposta do ócio criativo.

Desenvolvida pelo sociólogo italiano Domenico de Masi, a teoria do ócio criativo leva em conta a necessidade fundamental da mente para o descanso. É justamente numa sociedade em que a busca por produtividade intensa e resultados ao instante são objetivos constantes, é que incluir momentos de descontração e desconexão com os afazeres diários se torna ainda mais indispensável.

Para Domenico, nossa sociedade transformou o trabalho em algo excessivo e entediante. De acordo com ele, são cada vez mais perceptíveis as “intromissões” das obrigações profissionais na vida das pessoas, e isso tem trazido fortes consequências sociais. Seu trabalho focou em defender o direito do trabalhador a buscar atividades que lhe davam prazer, em perseguir seus assuntos que despertavam paixão.

Com um chamado a reflexão que destoa do que estamos acostumados a ver hoje, De Masi se tornou conhecido no mundo todos por destacar a necessidade básica do ser humano em ter horários livres para fazer o que gosta, sem necessariamente estarem atrelados a uma busca constate por evolução pessoal ou profissional. O resultado é mais autoconhecimento e tempo de qualidade.

No ócio criativo o foco não é simplesmente “fazer nada”, mas incorporar na rotina momentos livres para que se tenha tempo de qualidade. De acordo com a teoria, é justamente nesses momentos de descontração em que a criatividade e as grandes ideias são aguçadas. Dessa forma, as pausas são fundamentais não só para manter uma boa qualidade de vida, mas também tem reflexo direto na produtividade.

De Masi ganhou destaque na comunidade internacional, e sua obra foi fortemente direcionada para a sociologia do trabalho e a criatividade. Defensor árduo da qualidade de vida como peça fundamental da criatividade, o autor lançou em 2014 “O Futuro Chegou”, em que reflete sobre como o mundo deveria seguir de acordo com a nova ordem mundial e destacando o Brasil como exemplo.

O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, defende as pausas da teoria do ócio criativo como fundamentais. Para ele, muitas das facilidades que temos no dia-a-dia nos fazem assumir uma posição automática, em que há um acúmulo de atividades. Essa tentativa de subir mais de um degrau por vez nos induz a sobrecarga e a falha.

“De Masi dizia que sua teoria não era simplesmente parar por preguiça, e eu concordo. Nós devemos ter pausas para compreender o que realmente estamos fazendo, falando, escrevendo, ouvindo e ainda explorando a mente. Penso que o ócio é rever o que não vemos ou ver com novos olhos coisas que vemos diariamente e nem sempre observamos”.

Mas quando Domenico se refere ao ócio criativo como uma necessidade de fazer pausas na rotina, ele não está se referindo somente ao trabalho em si, mas a qualquer atividade que exija foco e esforço. Logo a rotina de estudos também é uma delas. Ao reservar um período de descanso entre os livros, pode-se gerar conexões e insights poderosos sobre o conteúdo – para além do benefício da pausa.

Como colocar o ócio criativo em prática

Parece uma simples pausa, mas nem sempre envolve ficar parado. O ócio criativo é um conceito amplo, e vai muito além do “ficar sem fazer nada”. É também um tema muito pessoal, já que cada um tem seus gostos e excentricidades. Para alguns pode ser fundamental fugir das telas por exemplo – se conectar com a natureza.

O ócio criativo pode ser uma atividade física. Alguns minutos de esteira na academia, uma caminhada no meio da tarde, uma aula de natação. Também pode envolver uma atividade intelectual, como ler alguma obra sem qualquer interesse profissional ou técnico, assistir uma série cômica com muitas temporadas, ou mesmo aprender um idioma novo por simples curiosidade.

A ala dos hobbies é um prato cheio de possibilidades. Ela envolve esportes, atividades artísticas, dança, atividades culturais. Outra atividade muito comum no ócio criativo é cozinhar – há quem esqueça de qualquer afazer quanto se concentra na cozinha, e sente muito prazer nisso. Ouvir música, meditar, fazer yoga são outras possibilidades.

Já sendo mais objetivo para uma simples pausa, estipular momentos para parar no meio do expediente, fazer uma refeição e conversar com colegas de trabalho, família ou amigos, é o que os suecos chamam de fika, costume enraizado na cultura do país escandinavo, e lavado muito a sério pelas empresas de lá.

As possibilidades são infinitas, e entender qual atividades – ou atividades -se encaixam melhor na rotina pessoal pode levar um certo tempo. O importante é entender que os pequenos momentos pessoais devem fazer parte do dia-a-dia, e que sem saúde física e mental, além e satisfação pessoal e com a própria vida, ninguém produz bem. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)

4 dicas para fazer bons resumos de conteúdo

4 dicas para fazer bons resumos de conteúdo

Resumir textos pode ser a chave para um caminho de excelência nos estudos, mas é preciso estar atento às técnicas

Fazer bons resumos de conteúdo pode ser uma excelente maneira de estudar. Para além de sumarizar conteúdos mais importantes e dar destaque ao que realmente importa, os resumos são uma maneira eficiente de repassar a matéria e fixá-la na memória. Para pessoas com memória fotográfica eles também podem ser um antígeno contra os “apagões” na hora da prova.

Mas é preciso estar atento para se fazer bons resumos de conteúdo, porque a eficácia dessa técnica de estudos está diretamente ligada à qualidade da execução. É o que mostra um estudo de 2013 da Universidade de Kent, nos EUA. Liderada pelo pesquisador John Dunslosky, o resumo foi apontado como um método de eficácia moderada, já que necessita de boas técnicas para que de fato funcione.

É que fazer bons resumos de conteúdo pode ser muito útil na preparação de provas e trabalhos, mas é preciso saber boas técnicas para executá-los. Na pesquisa, destacou-se como ponto crucial a existência do processamento cognitivo, em que os estudantes são capazes de explanar o conteúdo com suas próprias palavras, além de exprimirem do texto os conceitos de destaque e palavras-chave.

Em resumo – com o bom uso da palavra – não se pode somente copiar ou grifar partes do texto de maneira aleatória. Para que um resumo de fato funcione, é preciso saber extrair dele o que mais interessa, e mais importantemente processar cognitivamente esse conteúdo resumido.

O pedagogo e docente da UniBRAS Digital, Rafael Moreira, explica que tudo poder variar de acordo com o perfil de cada estudante. Ele cita a teoria das múltiplas inteligências desenvolvida pelo psicólogo Howard Gardner na década de 80, em que se aponta a existência de nove tipos de inteligência distintas.

“Cada um tem um suas competências e habilidades. Há quem aprende melhor ouvindo, outros escrevendo, outros vendo, e por aí vai. Então quando falamos sobre metodologias de estudo, é importante focar em si mesmo, porque todos tem suas facilidades”.

Para o docente, o resumo pode ser muito útil para algumas pessoas, principalmente na síntese de conteúdos, mas é a rotina e a organização de estudos – em horários pré-determinados e ambiente claro e calmo – unidos ao autoconhecimento, que são infalíveis quando assunto é aprendizagem.

Para os que se identificam com a metodologia dos resumos e tendem a colher bons resultados, deixamos abaixo 4 dicas para fazer bons resumos de conteúdo, de acordo com estudos já desenvolvidos sobre esse tema e recomendações de especialistas.

1. Leia e compreenda o conteúdo

Para Dunslosky, a sumarização de conteúdos só tem utilidade quando aplicada da maneira correta, e para que isso seja feito, é imprescindível que o estudante leia todo o conteúdo com boa compreensão e tenha domínio sobre ele.

Dessa forma, uma das dicas para se fazer bons resumos de conteúdo é justamente ter uma leitura atenta e proveitosa sobre o tema, estando bem familiarizado com ele. Isso porque fazer resumos sem ter a compreensão da temática é ineficaz, principalmente se não há critério sobre as informações que estão sendo extraídas.

2. Use suas próprias palavras

Não adianta somente copiar partes de um texto, é preciso saber explicar o que leu. É por isso que uma das dicas para se fazer bons resumos de conteúdo mais infalíveis é ter a habilidade de resumir o tema estudado com as próprias palavras.

Essa prática está diretamente ligada ao processamento cognitivo, em que o estudante consegue separar as informações mais relevantes das menos interessantes dentro da temática abordada. Assim, o cérebro ativa melhor seu perfil organizacional, e há uma forma de “extração” do que realmente importa.

3. Foque nas palavras e conceitos-chave

Uma das funções mais úteis de um bom resumo é dar relevância aos pontos que mais merecem atenção. Para fazer isso, é necessário que o estudante consiga identificar as palavras-chave e conceitos principais do conteúdo, os organizando de maneira eficiente.

Assim, é muito importante sintetizar as ideias principais e organizá-las em tópicos. Já outros detalhes e exemplos fornecidos não costumam ter muita relevância nesse processo de síntese.

4. Cuidado com os excessos

A ideia principal de um resumo é justamente sumarizar o conteúdo, assimilando suas ideias centrais e diminuindo o grande volume de informações que não são necessariamente úteis. Sendo assim, é fundamental ser mais objetivo e ter cuidado com o tamanho do resumo produzido.

É claro que tudo também depende do objetivo do resumo. Em alguns casos esse material pode ser mais longo ou mais sintetizado. O importante é conseguir sintetizar oque realmente interessa, produzindo um material funcional e eficiente. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)

COP 30: 5 pontos que marcaram o evento do clima

COP 30: 5 pontos que marcaram o evento do clima

Trigésima edição da conferência teve apelo para ações concretas em contexto de metas não cumpridas e tempo se esgotando 

Entre os dias 10 e 21 de novembro, todo o planeta se voltou para o Brasil – mais especificamente para Belém (PA) – para a realização da COP 30, a Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas. Iniciada em um contexto internacional conturbado, essa foi a primeira vez que o país sediou o evento, que foi realizado propositalmente na floresta amazônica e fora do eixo Rio-São Paulo.  

O evento contou com a presença de 129 delegações nacionais, e reuniu mais de 31 chefes de Estado, com a notável não participação dos Estados Unidos. Em um contexto de escalada de discursos negacionistas, ao mesmo tempo em que colapso climático se faz cada vez mais evidente, o foco maior do evento foi traçar estratégias para que as mudanças e metas sejam de fato tangíveis.  

Esse afunilamento entre a maior percepção das mudanças climáticas e o ressurgimento de correntes ideológicas antiambientalistas – em um cenário geopolítico fortemente fragmentado – trouxe desafios extras para o evento, que é realizado anualmente desde 1995, e que tem um histórico de comprometimento tímido por parte dos governos, e notável ineficácia para o contexto climático atual. 

O docente do curso de Medicina e Coordenador Nacional dos Laboratórios UniBRAS, Gildemar Crispim, explica que o fato da COP 30 ser realizada no Brasil é uma maneira de trazer protagonismo ao país. Ele também explica que ter a COP no ambiente doméstico nos ajuda a perceber a complexidade que existe em negociações de conferências como essa.  

“Apesar das divergências que existem hoje, há uma crescente em relação aos não-retrocessos. É muito evidente a temática da Amazônia, da justiça climática, e a responsabilidade entre as nações. Ainda faltam acordos mais sólidos em relação aos combustíveis fósseis, mas existe um claro apelo ao consenso”, explica. 

O professor cita como temas centrais a necessidade dos países em desenvolvimento de crescerem já implementando medidas ambientais, a resistência dos países produtores de petróleo e alguns outros países ricos no sentido de debater sobre os combustíveis fósseis; além da percepção de urgência na transformação de discursos em políticas concretas. 

Abaixo deixamos alguns pontos-chave que marcaram as negociações da COP 30. Esses aspectos de maior destaque devem influenciar as discussões para a próxima conferência em 2026, que será realizada na Turquia . 

   1. A primeira COP na Amazônia 

Parece óbvio, mas até hoje nenhuma das edições da COP tinha se instalado diretamente na floresta amazônica, apontada por especialistas de todo o mundo como um dos mais importantes ecossistemas para garantir o equilíbrio ambiental do planeta.  

A escolha da cidade de Belém também apontou para outros aspectos importantes na sustentabilidade, como a presença de povos originários e ribeirinhos, a necessidade de adaptação e exploração sustentável da floresta para a desenvolvimento econômico de moradores locais, além da integração de espaços urbanos com a natureza. 

Todos esses temas se tornaram mais tangíveis com a realização desse tipo evento na capital paraense, já que os líderes mundiais puderam desenvolver uma maior consciência ao se deparar com essas questões de forma imediata.  

    2. Redução do uso de combustíveis fósseis 

Tema central há várias edições do evento, a eliminação completa dos combustíveis fósseis das matrizes energéticas nacionais é um dos temas mais espinhosos. 

Alguns países já se adiantaram e apontaram soluções definitivas para a completa eliminação da emissão dos poluentes, enquanto outros ainda se negam a se comprometer com metas menos robustas. Há também os países que tentam “limpar” suas metas descumpridas.  

O fato é que sem a devida redução dos gases de efeito estufa, não haverá outro caminho para segurar o aumento da temperatura média global – que hoje está como meta um aumento de 1,5°C. De acordo com cientistas climáticos, esse é o valor suficiente para que o planeta não entre em colapso. 

Infelizmente a falta de clareza e definição seguiram nessa edição, com o documento final não mencionando os combustíveis fósseis. A pressão dos países produtores de petróleo impediu avanços nesse sentido, inclusive com muitos especialistas apontando essa edição da COP como a de maior presença de agentes do setor petrolífero.  

Mas houve um avanço inédito no sentido da adaptação, já que pela primeira vez os países terão um conjunto de metas em comum para a preparação de eventos meteorológicos extremos, com indicadores mais claros. O objetivo é a padronização dessas metas em dois anos, facilitando a cooperação em situações extremas. 

    3. Financiamento climático 

A transição energética não apresenta desafios somente de valor administrativo, mas também econômico. Além de não poderem representar retrocesso nas economias nacionais, num mundo de forte desigualdade e altos índices de pobreza e fome, implementar novas tecnologias também exige investimento financeiro pesado. 

É justamente com esse foco que se busca financiar a transição energética, especialmente em países pobres. Além disso, busca-se também garantir que países em desenvolvimento possam ter suporte necessário para as mudanças, sem sofrerem grandes prejuízos. 

Outro ponto de especial interesse está nas medidas para a mitigação dos prejuízos climáticos, como investimentos em infraestrutura e tecnologia, educação, cultura, desenvolvimento de mercados de trabalho sustentáveis e capacitação profissional. Também há forte preocupação com a sustentabilidade alimentar. 

Entre os fundos de financiamento discutidos na COP 30 estiveram o “Roteiro de Baku a Belém” – uma meta de investimento de 1,3 trilhões de dólares por ano. Também estava previsto triplicar o fundo de adaptação às mudanças climáticas para cerca de 120 bilhões de dólares, além de estabelecer o novo Fundo Florestas Tropicais para Sempre, ferramenta de incentivo para países em desenvolvimento frearem o desmatamento. 

Nesta edição, os estados se comprometeram a triplicar essa meta financeira para os próximos 10 anos. No entanto, o documento não especifica as quantias que cada país deve destinar, sem as fontes de financiamento adicional.  

Outro avanço notável se deu no Fundo das Florestas, que arrecadou 6 bilhões de dólares, com contribuições da Alemanha, Noruega, França, entre outros. Com isso, o fundo ganhou mais visibilidade, e há forte expectativa para maiores aportes na próxima edição. 

    4. Proteção de populações vulneráveis 

Para manter os ecossistemas de pé, é fundamental que os habitantes desses locais tenham seu direito a permanência e subsistência respeitados. No Brasil, assim como muitas outras regiões do mundo, isso significa preservar e valorizar a cultura dos povos originários, quilombolas e ribeirinhos.  

Para além dessa pauta, discutiu-se também a desigualdade com a qual o colapso climático afeta as populações, com pessoas pobres e sem habitação adequada sendo  fortemente mais prejudicadas que os mais ricos. Países pobres e faixas demográficas de minorias sociais e raciais também são mais vulneráveis.  

A ideia foi levantar a consciência para ações de preservação desses povos, além da implementação de políticas públicas para a maior equidade e mitigação em casos de desequilíbrio ambiental ou mesmo em catástrofes.  

Como resultado, a COP 30 reconheceu pela primeira vez o direito povos originários de forma explícita. Além de citar essas populações em vários pontos do documento, foi a primeira vez também que se destacou o papel de mulheres e meninas na luta climática, com o objetivo de reconhecer o direito feminino nas decisões sobre o tema. 

     5. Transparência 

Com tantas metas e valores exorbitantes envolvidos, é fundamental implementar ferramentas e procedimentos para a maior transparência pública. Isso em um momento em que as mudanças climáticas se tornam cada vez mais perceptíveis, e a pressão por resultados reais cresce em relação aos governos.  

Essa busca pela transparência passou pelo ideal da COP 30 como a “COP da implementação”, em que depois de muitas edições sem resultados concretos, os projetos realmente saíssem do papel. 

Respondendo a esses anseios, foi criada a Belem Action Mechanism, ou BAM. Apontada como a principal entrega dessa edição, a BAM estabelece mecanismos claros para que países em desenvolvimento possa adotar medidas para a transição energética sem prejudicar suas economias e mercado de trabalho. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional) 

5 clássicos da literatura brasileira com destaque mundial

5 clássicos da literatura brasileira com destaque mundial

País é referência no cenário literário internacional pela qualidade e inovação de suas obras Era uma vez um país que herdou um idioma belo e complexo, adicionou a ele sua personalidade, e fez dele arte. Essa é a história do nosso país, que hoje é responsável por mais de 70% dos falantes da língua portuguesa no mundo, e a difundiu, por meio da literatura, a todos os cantos do planeta. Celebrando o Dia Nacional do Livro, reunimos 5 clássicos da literatura brasileira com destaque mundial. Celebrados internacionalmente, esses exemplares são a memória viva do nosso idioma, nossa cultura e influência. Muitos deles inspiraram adaptações para o audiovisual, e venderam milhares de exemplares em todo o mundo, se convertendo em clássicos da literatura brasileira com destaque mundial. Seus autores foram imortalizados no imaginário coletivo dentro e fora do Brasil. O docente do Centro Universitário UniFACTHUS, Robert Duarte, é um forte defensor da leitura como ferramenta de formação acadêmica, de todos os tipos de leitura. Para ele, a leitura faz o aluno ser um pensador crítico e comunicador eficaz. Além disso, expõe clareza e coesão na escrita e na comunicação como um todo. “O aluno leitor investiga, confronta e contextualiza informações, aprendendo a formular as perguntas certa. Torna-se autônomo, criativo e capaz de resolver problemas complexos. Por isso incentivar a leitura é essencial para o empoderamento acadêmico e pessoal desse aluno”, argumenta. Pensando nos benefícios que a leitura proporciona na jornada acadêmica, e enaltecendo a muito reconhecida e premiada literatura nacional, deixamos abaixo 5 clássicos da literatura brasileira com destaque mundial. 1. Capitães da Areia, de Jorge Amado Numa metrópole marcada pela desigualdade, menores abandonados passam por dificuldades para sobreviver e recorrem ao roubo para se alimentar, enquanto são fortemente reprimidos pela polícia, que sente prazer em puni-los pela simples condição de serem pobres. A situação se agrava por uma epidemia de varíola na cidade. Ambientada na Salvador da década de 30, a história do livro revela uma nova face do modernismo literário brasileiro, que antes era voltado às virtudes e belezas do país, e a partir de então começa a se voltar à pauta social. Também reflete a descoberta da sociedade pela luta de classes, num contexto político marcado pelo varguismo, o trabalhismo e movimentos de esquerda. É a obra de maior sucesso de Jorge Amado, tanto no Brasil – com mais de 4 milhões de cópias vendidas – quanto no exterior, onde foi traduzido para mais de 50 idiomas em cerca de 55 países. A obra sofreu intensa perseguição da ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, e também pela ditadura militar de 1964 à 1985, sob o argumento de ser “comunista”. Em 1971, ganhou uma adaptação no cinema americano sob o título original de “The Sandpit Generals”, de Hall Bartet. A adaptação teve distribuição proibida no Brasil e sofreu perseguição nos EUA e Europa, sendo um fracasso de bilheteria nesses países; mas teve amplo sucesso da União Soviética, com forte comoção social – sendo mencionado inclusive pelo presidente russo Vladimir Putin. 2. A Hora da Estrela, de Clarice Lispector Uma alagoana se muda para o Rio de Janeiro em busca de oportunidade profissional, mas seu ciclo íntimo não favorece sua integração. O roteiro parece simples, mas algo de muito inesperado acontece. E é nessa quebra de expectativas que os fãs de Clarice Lispector sustentam seu fascínio, que já fez o livro ter mais de 120 edições em mais de 40 países. A figura da autora também desperta curiosidade nos leitores. Nascida da Ucrânia em uma família judia, a família de Clarice se radicou em Recife quando a autora ainda era criança, e ela sempre se afirmou brasileira. Uma série de republicações e novas traduções de suas obras ajudaram a espalhar sua autenticidade e agregar fanáticos dentro e fora do país. 3. Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, de Carolina Maria de Jesus Uma moradora da favela, negra, mãe e catadora de papelão, reúne seus relatos em tom simultaneamente documental e literário, revelando a dura rotina de quem vive à margem da sociedade e tem a fome como constância. É nesse contexto que Carolina Maria de Jesus publica Quarto de Despejo, em 1960, e atrai uma atenção gigantesca para o que acontece na vizinhança invisível de um país cronicamente desigual. Tendo somente dois anos de formação escolar por meio de uma instituição de ensino sem fins lucrativos, a autora impressionou o jornalista Audálio Dantas, do jornal Folha da Noite, quando foi fazer uma matéria na Favela do Canindé. Apesar da pouca formação, Carolina tinha uma leitura crítica profunda da realidade marginalizada. Traduzida para mais de 13 idiomas e com mas de 1 milhão de cópias publicadas, o texto é uma referência quando se fala em literatura marginalizada no mundo inteiro. A edição americana traduzida por David St Clair teve mais de 50 reimpressões até 2025. 4. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis Um autor negro profundamente respeitado no Brasil de 1880 não tem outra alternativa se não escrever com excelência, e Machado de Assis não é orgulho nacional por acaso. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o autor encarna um personagem peculiar, já falecido, que decide escrever sua autobiografia. Nascido em uma família da elite carioca, a personagem principal relata em primeira pessoa suas sórdidas experiências no Rio de Janeiro de maneira irônica e debochada, além de profundamente pessimista. O excentrismo e ineditismo da obra a tornou singular na literatura brasileira, e a saudosa frase “ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver” se eternizou no imaginário coletivo. Embora não exista uma estimativa oficial do número de tiragens e traduções feitas, a obra é um best-seller absoluto na literatura mundial, com uma última edição publicada nos EUA em 2024 esgotando em menos de 24 horas. Além disso, todos os livros do autor passaram por uma redescoberta recente em redes sociais tanto por leitores estrangeiros quanto novos leitores jovens. A maneira como o autor retrata a escravidão, critica o darwinismo social e retrata o positivismo como teoria filosófica predominante na sociedade carioca representa uma vanguarda na literatura brasileira e mundial. A obra inclusive é citada como inspiração para o modernismo brasileiro, movimento literário que só surgiria mais de quatro décadas depois. Machado de Assis também é considerado referência para outros autores latino-americanos que surgiram muito depois, como o realismo mágico presente nas obras dos argentinos Julio Cortázar e Jose Luis Borges, além de autores americanos como John Barth. 5. Vidas Secas, de Graciliano Ramos Se os relatos das dificuldades vividas por populações do sertão nordestino habitam a memória de todos nós brasileiros, Vidas Secas, do alagoano Graciliano Ramos, é uma das obras fortemente responsáveis por isso. Com críticas sociais profundas, ideais de lutas de classes, e denúncias de desigualdades e modos de vida insustentáveis fizeram da obra imortal na literatura do país. Centrado na rotina de retirantes do semi-árido nordestino em condições de extrema pobreza, o livro foi publicado em 1938, depois que o autor saiu da cadeia pela repressão do governo Vargas, por seu posicionamento assumidamente comunista. Narrado em terceira pessoa e estruturado em treze capítulos, o livro tem uma estrutura dramática realista. Um dos grandes destaques é a humanização da cadela Baleia, que ao morrer sonha em acordar em um mundo cheio de preás. Esse é um dos únicos momentos do livro em que Graciliano abandona o realismo, e narra o inconsciente de um animal. Trata-se da humanização de um animal em meio a seres humanos animalizados por suas condições precárias. Vidas Secas foi um sucesso de crítica no Brasil, e foi publicado no exterior primeiramente na Polônia e na Argentina, seguindo para dezenas de países. Em 2019, a obra já tinha mais de 140 edições no mundo todo. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional)

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