Calendário de Vacinação para Adultos: as vacinas que você deve estar atento

15 de junho de 2026

Ministério da Saúde lista as imunizações essenciais para pessoas adultas, todas oferecidas pelo SUS 

Geralmente muito relacionadas a bebês, crianças e idosos, ou ainda a enfermidades recentes, como a Covid-19, as vacinas são uma maneira simples e inteligente de manter o sistema imunológico ativo e saudável. Não restritas a nenhuma faixa etária, elas são um cuidado para todas as idades, mas com o dia-a-dia sempre acelerado, é comum não se dar maior atenção ao calendário de vacinação para adultos.    

Assumir que quando recebemos as vacinas corretamente na infância estamos protegidos por toda a vida é um erro comum entre muitos. Mas o calendário de vacinação para adultos é claro: algumas doses precisam de reforço, e outras vacinas são administradas somente nessa faixa etária. Assim, buscar um centro de vacinação para revisar as vacinas recebidas deve ser um rito de todos, mesmo adultos. 

O Ministério da Saúde inclui uma série de imunizantes no calendário de vacinação para adultos. Distribuídas e administradas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), essas vacinas têm por objetivo garantir que a população se proteja de doenças que afetam especificamente essa faixa etária, mas também que possam completar esquemas vacinais da infância que não foram devidamente cumpridos.  

A médica e coordenadora do curso de Medicina da UniBRAS Santa Inês, Bruna Bringel, revela que há uma dificuldade para identificar as vacinas administradas em adultos no país hoje por falta de um banco de dados digital, inclusive porque antes não havia a tecnologia. Ela também detalha que muitos, quando menores, foram vacinados pela rede privada, que tem um calendário de vacinação diferente do calendário do SUS. 

“Mesmo sem o registro, algumas vacinas nós conseguimos descobrir, como a BCG, que deixa uma marca no braço, ou vacinas contra a Hepatite B, que podem ser detectadas por exames de sangue. Mas a grande maioria dessas vacinas, sem o comprovante de vacinação, não há como saber se foram administradas ou não”, explica. 

Quando o adulto decide se vacinar, o ideal é levar ao posto de vacinação todos os documentos e comprovantes de vacina que ele possui para que o profissional de saúde possa revisá-lo. Se a pessoa tiver o comprovante de vacinação da infância é ainda melhor. Mas ninguém deve deixar de se vacinar por não ter esses documentos, já que os agentes de saúde são treinados para tomar todas as medidas nesses casos. 

“Quem não tem comprovantes ou tem dúvidas sobre ter ou não cumprido o calendário de vacinação corretamente deve buscar um posto de saúde. Cada caso deve ser avaliado individualmente, e a partir daí será decidido qual o esquema vacinal mais adequado”, recomenda a docente.  

Abaixo relacionamos todas as imunizações que devem estar incluídas no calendário de vacinação para adultos de acordo com o Ministério da Saúde – todas administradas pelo SUS. Consideramos como adultos qualquer pessoa acima de 18 anos, e não incluímos idosos acima de 60 anos, já que estes seguem um calendário específico. 

  1. Hepatite B 

Embora hoje já aplicadas na infância, muitos adultos no Brasil não tem o esquema completo de vacinação contra a Hepatite B, que também protege contra a Hepatite D. Aplicada em 3 doses, sem necessidade de reforço – a não ser para casos especiais, como imunossuprimidos – a vacina contra a Hepatite B não era aplicada até o fim da década de 1990, quando houve uma campanha para imunização no país. 

Considerada pelo Ministério da Saúde como essencial, a vacina de Hepatite B faz parte do calendário de vacinação para adultos justamente pela sua entrada no esquema infantil ter sido tardio. Por isso, todos devem estar atentos e buscar os postos de saúde para completar o esquema de imunização. 

  1. dT 

A vacina dT protege contra Difiteria e Tétano. Embora já aplicadas também na infância, adultos precisam de uma dose de reforço a cada 10 anos. Quem não completou seu ciclo vacinal na infância precisa de doses adicionais. Em caso de dúvida, o ideal é levar o comprovante de vacinação disponível para ser verificado. Se não haver comprovante, o profissional saberá como proceder. 

Pessoas com comorbidades e imunossuprimidas podem precisar de doses de reforço, assim como profissionais de saúde. Além disso, pessoas que tiveram algum acidente em contato com agentes potencialmente infectantes também podem receber uma dose de reforço a depender do esquema vacinal. 

  1. Febre Amarela 

Endêmica de regiões tropicais, a Febre Amarela é erradicada no Brasil, graças aos esforços de imunização da população, mas seu vírus segue em circulação em animais silvestres. No caso dessa vacina o esquema é simples: só uma dose por toda a vida.  

O Ministério da Saúde recomenda especial atenção a viajantes internacionais, já que em muitas regiões do globo a doença ainda é frequente.  

  1. Tríplica Viral 

Protegendo contra o sarampo, a rubéola e caxumba, a Tríplica Viral SCR é geralmente administrada em duas doses nos primeiros 15 meses de vida. No entanto, adultos que não consigam comprovar a vacinação devem cumprir um clico vacinal de acordo com sua idade.  

Até os 29 anos, quem não completou o ciclo na infância deve receber duas doses, separadas por no mínimo 30 dias. Dos 30 aos 59 anos, quem não recebeu a vacina deve tomar somente uma dose.  

Covid, antigripal e dengue 

Além das imunizações incluídas no calendário de vacinação para adultos tradicional, todos devem ficar atentos às campanhas de vacinação sazonais, como o Covid-19 e antigripal. No caso da vacina de Covid, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação de uma dose para esquema vacinal completo em pessoas entre 5 e 59 anos – antes o esquema eram 2 ou 3 doses, agora reduzido a apenas uma. 

Essa revisão foi implementada seguindo o desenvolvimento de vacinas mais resistentes e a revisão de estudos sobre o imunizante. No entanto, pessoas com comorbidades ou pertencentes a grupos específicos, como indígenas, quilombolas e trabalhadores da saúde ainda devem receber uma dose de reforço anual. Gestantes também devem receber reforço. 

O Ministério da Saúde atualiza com frequência as doenças que fazem parte da lista de comorbidades, que incluem diabetes, obesidade, asma grave, entre outras. Para entender se sua condição faz parte dessa lista, é importante buscar um posto de vacinação com histórico de vacinas e comprovantes de saúde em mãos. Pessoas imunossuprimidas devem receber uma dose a cada 6 meses.  

A vacina antigripal é mais específica. Como existem vários tipos de gripes diferentes, e os vírus estão em constante mutação, essa vacina se atualiza todos os anos. No geral, essa dose de reforço anual costuma ser direcionada somente a grupos específicos, como pessoas com comorbidades, imunossuprimidas e idosos, mas dependendo da sazonalidade e da região elas podem sim ser administradas ao público adulto geral. 

Por último, a inclusão de vacinas contra a dengue no PNI segue em desenvolvimento. Atualmente, as vacinas estão disponíveis prioritariamente para crianças e profissionais da saúde, mas em algumas regiões elas estão liberadas para o público geral adulto. Por isso, a recomendação é sempre conferir sua disponibilidade no site do Ministério da Saúde.  

Grupos específicos 

Como mencionado acima, há casos de grupos específicos que devem ficar mais atentos ao calendário de vacinação para adultos. Isso inclui pessoas com comorbidades – doenças que fragilizam o sistema imunológico. Também inclui gestantes, imunossuprimidos e profissionais de saúde.  

Adicionalmente, há grupos demográficos específicos que tem atenção redobrada para o esquema vacinal, como quilombolas, indígenas vivendo ou não em territórios indígenas, pessoas com a liberdade privada ou pessoas que trabalham com esses grupos. Essa lista segue sendo atualizada com frequência pelo Ministério da Saúde. 

Além disso, pessoas idosas tem seu calendário de vacinação específico acima dos 60 anos.  

Vacinas salvam vidas 

Desde a criação Programa Nacional de Imunizações, em 1942, o Brasil reverteu fortemente o cenário de infecções contagiosas no país. Hoje, a varíola, a rubéola e a poliomielite são consideradas erradicadas em território nacional, enquanto o sarampo se resume a apenas surtos isolados, e a febre amarela tem circulação somente entre animais selvagens. 

Esse cenário só foi possível graças a décadas de esforços governamentais e forte mobilização social para a imunização em massa da população, sendo o Brasil uma referência mundial em adesão às vacinas, e também ao seu desenvolvimento e produção, contando com instituições com forte referência na temática como o Instituto Butantã e a Fiocruz. (Texto: Bruno Corrêa – Assessoria de Comunicação Ecossistema BRAS Educacional) 

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